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Dia da Segurança do Paciente Idoso: atendimento pede cuidado multidisciplinar

Especialistas destacam a importância de um atendimento que considere mobilidade, cognição e individualidade do paciente idoso

Redação Viva

Por Redação Viva

17/09/2026 | 19h42

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Especialistas ressaltam que o olhar tem que ir além da doença - Envato
Especialistas ressaltam que o olhar tem que ir além da doença
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O Dia Mundial da Segurança do Paciente Idoso, celebrado em 17 de setembro, destaca a importância de um cuidado integral que vai além do tratamento de doenças, focando em aspectos como mobilidade e cognição para garantir a segurança e a autonomia do paciente idoso.

Especialistas alertam que a identificação de déficits cognitivos é crucial, pois a falta de atenção a essas questões pode levar a complicações como o delirium, exacerbando a vulnerabilidade dos idosos durante internações.

Iniciativas como Os Cuidados Amigáveis à Pessoa Idosa, que priorizam a autonomia e a comunicação eficaz entre equipes de saúde, são fundamentais para melhorar o atendimento e a qualidade de vida dos idosos, enfatizando a importância de protocolos personalizados.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O cuidado com o paciente idoso vai além de resolver uma questão clínica pontual que o levou a um posto de atendimento médico. Para garantir um cuidado seguro e duradouro, o profissional de saúde deve considerar abordagens essenciais como mobilidade, funcionalidade, autonomia e consequências para cognição. No dia 17 de setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente Idoso, especialistas ressaltam a necessidade de um cuidado integral que enxergue além de uma doença.

Para o geriatra Eduardo Cruz, diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a segurança do paciente idoso exige uma atenção macro, com diferentes aspectos considerados ao longo de todo atendimento clínico. “O olhar para o paciente idoso não pode ser linear. Não basta tratar a queixa que levou à internação e considerar que o paciente está pronto para a alta. É preciso avaliar se ele terá condições de retornar à rotina. Algumas medidas adotadas para protegê-lo podem, inclusive, acabar produzindo outras complicações, como acontece quando a pessoa permanece excessivamente restrita ao leito para evitar quedas”, explica.

O especialista da SBGG ainda ressalta que esse cuidado deve englobar toda equipe disciplinar que envolve a equipe da recepção, farmácia, equipes assistenciais e até mesmo a gestão clínica. Entretanto, é importante ressaltar que cada protocolo deve ser feito considerando as características da pessoa idosa, pois cada um possui uma individualidade clínica. “A velhice é extremamente heterogênea. Portanto, o critério idade não pode ser o primordial na eleição ou descontinuação de tratamentos”, afirma Cruz.

Autonomia, cognição e segurança 

A dificuldade de identificar algum déficit cognitivo pode atrapalhar decisões sobre procedimentos e tratamentos, além de agravar a vulnerabilidade do idoso durante uma internação, por isso é um tópico de atenção nos cuidados e atendimento.

Quando há dificuldade de identificar algum tipo de comorbidade cognitiva preexistente, o paciente idoso pode desenvolver estado confusional agudo, conhecido como delirium. O quadro pode ser desencadeado por fatores como uso ou retirada de medicamentos, infecções, alterações metabólicas, dor ou alterações sensoriais. Em alguns casos, o paciente apresenta agitação, alucinações e confusão, que podem ser consequências dessas mudanças, mas tendem a ser confundidas como comportamento de uma pessoa impaciente, inquieta ou teimosa.

Nesse contexto, o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e a The John A. Hartford Foundation criou Os Cuidados Amigáveis à Pessoa Idosa, uma abordagem humanizada que valoriza a autonomia, a escuta ativa e as preferências individuais do idoso baseada em 4Ms: Mente, Mobilidade, Medicação e “O que importa” (What Matters, na tradução original).

“O cuidado realmente seguro para a pessoa idosa deve acontecer em um serviço amigável, no qual a prática profissional seja estruturada a partir de evidências científicas, não cause danos e esteja alinhada àquilo que realmente é importante para o idoso e seus familiares, evitando tratamentos fúteis”, destaca o geriatra.

Pontos de atenção

Entre as medidas que devem ser levadas em consideração para possibilitar um atendimento com base nos 4Ms estão:

  • Identificação correta do paciente
  • Comunicação eficiente entre profissionais e na transição entre setores
  • Segurança na administração de medicamentos
  • Realização de procedimentos no paciente e local corretos
  • Prevenção de infecções
  • Redução do risco de quedas
  • Prevenção de lesões por pressão

De acordo com Cruz, Os Cuidados Amigáveis à Pessoa Idosa são a base para um atendimento ideal e também para melhorias no atendimento. “A capacidade funcional, que representa a integração da mente com o corpo, é a medida mais significativa sobre se estamos fazendo um bom cuidado ou não. Os 4Ms são, em linhas gerais, nossos eixos para garantir a manutenção ou melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida da pessoa idosa”, afirma.

(Por Labelle Fernanda, especial para o VIVA)

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