Enxaqueca paralisa rotina de 7 a cada 10 pacientes entre 50 e 55 anos
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São Paulo - O levantamento "Radar da Enxaqueca no Brasil" escancarou uma realidade para as pessoas com mais de 50 anos: a maioria desse grupo sofre com a paralisia da rotina devido aos sintomas da enxaqueca.
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O estudo aponta que a queda de produtividade nas tarefas domésticas é sentida de forma muito aguda por pessoas dessa idade. Impressionantes 77% dos pacientes entre 50 e 55 anos sentiram a produtividade domiciliar cair pela metade ou mais devido às crises.
Um dos fatores agravantes para esse grupo é a falta de controle e acompanhamento de saúde. A pesquisa destaca que os maiores índices de incapacitação severa estão exatamente entre as pessoas de 50 a 55 anos que não seguem dietas, não controlam a alimentação e não mantêm uma rotina de exercícios físicos voltada para mitigar a doença.
A diferença entre os níveis de incapacitação é baseada na quantidade de dias, dentro de um período de três meses, em que o paciente sentiu sua vida impactada em diferentes situações por conta das dores de cabeça. Esse cálculo segue a escala MIDAS, um instrumento desenvolvido especificamente para avaliar o nível de intensidade da enxaqueca.
De acordo com os dados do levantamento, os níveis de incapacitação se diferenciam pelo seguinte número de dias afetados:
- Pouca/nenhuma incapacitação: impacto de 0 a 5 dias (representando 33% da amostra);
- Incapacitação leve: impacto de 6 a 10 dias (representando 29% da amostra);
- Incapacitação média: impacto de 11 a 20 dias (representando 22% da amostra);
- Incapacitação severa: impacto de 21 dias ou mais (representando 15% da amostra).
No geral, o estudo revela que 23 milhões de brasileiros possuem o diagnóstico de enxaqueca, e outros 27 milhões podem conviver com a doença sem qualquer diagnóstico médico. O levantamento foi feito pela farmacêutica Teva em parceria com a Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces).
Segundo a pesquisa, em uma escala de zero a dez – na qual zero significa sem dor e dez, muita dor –, cerca de 35% dos pacientes diagnosticados relatam sentir “a pior dor que podem imaginar”. Na subnotificação essa taxa corresponde a 26%. Na escala, a intensidade da dor é de 5,9 em média e as crises duram cerca de 15 horas.
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Mulheres são as que mais sofrem
Além do impacto etário, os dados do estudo confirmam que a enxaqueca tem um forte recorte de gênero. As mulheres lidam não apenas com a intensidade das dores, mas com drásticas reduções de produtividade em diversas esferas da vida, representando 75% dos indivíduos com diagnóstico confirmado da doença.
As mulheres compõem uma população quase três vezes maior do que a de homens diagnosticados com enxaqueca. Entre aqueles que apresentam os sintomas, mas ainda não têm o diagnóstico médico formal, a predominância feminina ainda se mantém alta, alcançando 63% dos casos.
Segundo o presidente da Abraces, Mario Peres, essa disparidade ocorre em grande parte devido a fatores biológicos, especificamente as variações hormonais que ocorrem ao longo da vida fértil da mulher
As oscilações nos níveis de estrogênio afetam diretamente a atividade cerebral e a sensibilidade dos vasos sanguíneos, o que faz com que as crises se tornem mais frequentes e intensas”.
Além da biologia, fatores sociais como estresse, sobrecarga mental e menor tempo de descanso são cruciais para o aumento dos episódios entre o público feminino.
O reflexo prático dessa sobrecarga aparece em conjunto na rotina domiciliar: 74% das mulheres relataram sentir sua produtividade no trabalho doméstico ser reduzida pela metade ou mais, e 66% afirmam que a enxaqueca as fez deixar de realizar tarefas domésticas, consertos em casa, compras ou cuidados com a família
Subdiagnóstico masculino
Apesar da predominância feminina, os homens escondem um problema perigoso: a falha em reconhecer a doença. O levantamento aponta um salto preocupante na participação masculina, que passa de 25% no grupo de diagnosticados para 37% na população subdiagnosticada, evidenciando um forte sub-reconhecimento e a falta de procura por ajuda médica por parte dos homens.
Quando a dor atinge os homens, os prejuízos são fortemente direcionados para fora de casa: entre os respondentes que faltaram ao trabalho, escola ou faculdade devido à enxaqueca, 51% são homens. Entre os que perderam eventos familiares, sociais ou de lazer (que somam 49% do total da amostra), os homens se destacam, representando 52% desse contingente.
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Na percepção geral de queda da produtividade no trabalho ou estudos, 64% do público afetado é composto por homens. A queda de desempenho profissional é especialmente percebida por homens na faixa dos 30 aos 39 anos
Impacto no trabalho e na vida pessoal
A enxaqueca afeta o desenvolvimento profissional de grande parte de seus portadores. Quase 100% dos entrevistados com diagnóstico afirmam ter impacto em sua rotina de trabalho ou estudos, e cerca de 80% dizem se sentir menos produtivos por até cinco dias para atividades domésticas.
Ao todo, mais de 60% relatam uma percepção frequente de queda de produtividade profissional. O grupo de adultos de 30 a 39 anos concentra 73% dessa população impactada no trabalho, sendo também o grupo que mais deixa de fazer tarefas domésticas (72%).
O medo de demissões e a falta de empatia tornam o quadro mais crítico: 36% dos pacientes dizem que frequentemente ou sempre continuam trabalhando mesmo sentindo muita dor, motivados pelo medo de sofrer represálias no emprego.
A vida pessoal também sofre com as consequêcias, com frequentes relatos de pacientes que se sentem incompreendidos por seus familiares (25% sempre ou frequentemente) e sofrem com a sensação de isolamento e inadequação (24%).
Enxaqueca em jovens
Por fim, os jovens não estão imunes a essa epidemia, e o mais grave é a ausência de tratamentos formais nessa faixa. Os dados evidenciam que, entre os brasileiros que apresentam sintomas claros da doença mas não possuem o diagnóstico, 56% têm até 39 anos.
Analisando a parcela mais jovem, de 18 a 29 anos, os índices também são preocupantes. Esse grupo se destaca predominantemente nos quadros de incapacitação média. O impacto na rotina dessa juventude é inegável: 59% deles afirmam ter perdido eventos sociais e familiares, e 48% já precisaram faltar ao trabalho, à escola ou à faculdade em decorrência das crises de enxaqueca.
Sobre o estudo
O estudo “Radar Sobre Enxaqueca no Brasil” foi coordenado pela consultoria Imagem Corporativa a pedido da farmacêutica Teva, sendo estruturado em duas etapas de pesquisas quantitativas.
O primeiro módulo, realizado pela Ipsos-Ipec em junho de 2025, focou em identificar a incidência geral e a subnotificação da doença na população. Para isso, foram conduzidas 2.000 entrevistas em 132 municípios com brasileiros a partir de 16 anos, apresentando uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
Já o segundo módulo foi direcionado exclusivamente para adultos que já possuem o diagnóstico médico formal de enxaqueca. Conduzida de forma online pelo Instituto Qualibest, essa etapa contou com 408 entrevistas e possui margem de erro de 5 pontos percentuais
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