Estudo com retatrutida mostra alta perda de peso em pacientes com diabetes
Medicamento da farmacêutica Eli Lilly é um dos mais esperados entre especialistas, mas ainda não é comercializado no mundo
Por Emanuele Almeida
30/09/2026 | 12h44Adobe Stock
A retatrutida, um novo medicamento para diabetes e obesidade, demonstrou alto potencial de perda de peso em um estudo com pacientes diabéticos tipo 2, resultando em uma média de 20,8% de redução de peso ao longo de 80 semanas.
O estudo, que envolveu 1.152 pacientes em oito países, mostrou que a retatrutida pode não apenas controlar os níveis de glicose, mas também levar à remissão do diabetes, com 70% dos participantes apresentando melhorias significativas em diversos indicadores de saúde.
Embora os resultados sejam promissores, a retatrutida ainda está em fase de testes e não está disponível para uso comercial.
São Paulo - A retatrutida é um dos medicamentos mais esperados no campo das canetas para o tratamento de diabetes e obesidade. Um dos estudos mais esperados da Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), o TRIUMPH-2, foi lançado hoje pela farmacêutica Eli Lilly e mostrou que a molécula retatrutida tem alto potencial de perda de peso mesmo em pacientes com diabetes tipo 2.
Em um estudo com duração de 80 semanas, pacientes com sobrepeso e obesidade, todos com diabetes tipo 2, perderam em média 20,8% do peso corporal, o equivalente a 22 kg nesse período.
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De acordo com a endocrinologista e metabologista Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que acompanhou o lançamento, o estudo está em fase 3 e os resultados já permitem inferir a eficácia e a segurança da nova tecnologia, mas ressalta que ainda não é comercializado em nenhuma parte do mundo.
A médica considera os resultados promissores, uma vez que o estudo mostrou que ao menos metade dos pacientes com esse quadro saíram da zona de obesidade.
"Os pacientes com obesidade e sobrepeso com comorbidade de diabetes tipo 2 sempre registraram menor perda de peso comparado a pacientes sem resistência à insulina, independentemente do tipo de medicamento usado para perda de peso", pontua.
Ela complementa dizendo que esse estudo apresentado mostrou que a retatrutida é capaz não só de controlar os índices de diabetes, mas também potencializaram uma grande perda de peso em comparação com estudos anteriores.
Sobre a pesquisa
O estudo considerou 1.152 pacientes em oito países, incluindo uma amostra de 35 pessoas do Brasil, tanto com sobrepeso quanto obesidade, e analisou o potencial da molécula em dosagens de 9mg e 12mg comparando com doses menores e com pacientes não medicados, mas que fizeram mudanças de estilo de vida.
A média inicial de peso dos pacientes no estudo era de 106,4kg, com hemoglobina glicada de 7,7%. Nesse aspecto, a pesquisa mostrou que a retatrutida é capaz de reduzir ou até mesmo normalizar esse índice, permitindo uma remissão do diabetes, afirma Tassiane.
Dentre os desfechos positivos, ela mostra redução do peso e da hemoglobina glicada em 70% dos participantes, além de benefícios relacionados à circunferência abdominal, melhora no perfil lipídico, pressão arterial e inflamação, ao reduzir os números de PCR.
Na área médica, o medicamento é chamado de tri-antagonista e é visto com grande potencial, já que atua tanto nos receptores GPI quanto GLP-1 e GCGR (glucagon), sendo o primeiro desse tipo no mundo. Os resultados foram divulgados ao mesmo tempo na revista científica "The Lancet".
O que é a retatrutida?
A retatrutida pertence à mesma classe de hormônios sintéticos voltados para o tratamento da obesidade e do diabetes, como a semaglutida. Porém, ela representa uma geração diferente desse tratamento.
Hoje, a semaglutida é a base de medicamentos consagrados como o Ozempic e o Wegovy, enquanto a retatrutida é o próximo passo evolutivo, ainda em fase de testes e não disponível para indicação médica ou compra.
Na prática, a retatrutida atua no organismo simulando simultaneamente a ação de três hormônios naturais: o GLP-1, o GIP e o glucagon. Enquanto o GLP-1 e o GIP trabalham no cérebro e no sistema digestivo para reduzir drasticamente a fome, prolongar a saciedade e regular os níveis de açúcar no sangue, o glucagon entra como um diferencial inovador que estimula a queima de gordura e aumenta o gasto energético do corpo, mesmo em repouso.
*Colaborou Bianca Bibiano
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