Estudo revela que 60% das mulheres 40+ têm incontinência urinária
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São Paulo - A saúde urinária das mulheres ainda é um tabu enraizado no Brasil, principalmente levando em conta o envelhecimento desse grupo. Um estudo feito pela Ipsos e encomendado pela farmacêutica Apsen relevou que mulheres com 40 anos ou mais vivem com sintomas de incontinência urinária durante um ano e meio sem fazer nada sobre. Desse grupo, 36% vivem por dois anos com os sinais.
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O contexto se agrava diante do dado que a perda involuntária ou os escapes de urina afetam cerca de 6 a cada 10 mulheres brasileiras acima dos 40 anos. Se não bastasse o incômodo da situação, o levantamento aponta também que a procura pelo tratamento é baixa, tendo em vista que 87% das mulheres com incontinência urinária nunca realizaram nenhum tipo de tratamento para a condição.
O levantamento ouviu 1.500 mulheres acima dos 40 anos das classes A, B e C de todas as regiões do Brasil durante junho e julho e atestou que a vergonha e desconhecimento são barreiras persistentes para o cuidado com a saúde urinária.
A pesquisa também integra a campanha "Escape do Tabu" promovida pela Apsen, que tem como embaixadora a empresária, ex-modelo e apresentadora brasileira, Helô Pinheiro, também conhecida por ter sido a inspiração para a canção "Garota de Ipanema", composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Tipos de incontinência urinária
Pode parecer algo simples, mas a incontinência urinária possui três tipos diferentes:
- Incontinência urinária de esforço: quando atos como tossir, espirrar, rir, entre outros causam o escape de urina tanto em grande quantidade quanto em gotículas;
- Incontinência urinária de urgência: vontade súbita ou incontrolável de urinar diversas vezes;
- Incontinência urinária mista: combinação de esforço e de urgência.
Às vezes a mulher não conhece os tipos de incontinência urinária e passa a se privar de viver coisas normais da vida e de se permitir aproveitar a rotina, principalmente ao envelhecer", aponta Helo Pinheiro.
Rotina comprometida
A pesquisa mostra que o escape de urina impacta não somente a saúde da mulher como toda a sua rotina: 5 a cada 10 mulheres afirmaram ter mudado algum hábito ou enfrentado impactos na rotina por medo da incontinência urinária.
Ela controla o riso, as interações, se preocupa com o tempo das reuniões do trabalho e do trânsito durante todos os dias. No final, até mesmo evita de interagir com as pessoas e comparecer a festas ou outros eventos", aponta a responsável pela urologia feminina do Hospital Federal Cardoso Fontes, Rebeka Cavalcanti.
As principais adaptações feitas pelas mulheres destacadas na pesquisa são:
- Uso de absorventes diários e até mesmo fraldas;
- Escolha de locais considerando a proximidade de banheiros;
- Mudanças na forma de se vestir;
- Redução ou interrupção de atividades físicas.
A especialista reforça que a perda involuntária de urina não é normal. "As pessoas associam esse problema a algo que deve ser comum no envelhecimento, mas não é. Ela pode acontecer, mas há tratamento e não deve ser algo que a mulher deve levar para o resto da vida", aponta.
Saúde mental em jogo
Para além da saúde do trato urinário, as consequências causadas pela incontinência urinária também afetam a saúde mental dessas mulheres: entre aquelas que têm incontinência urinária mista, 29% relatam aumento de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza em decorrência da condição.
O silencio é outro fator que influencia esse contexto, principalmente tendo em vista que 33% das mulheres que têm escape de urina dizem que já esconderam ou evitaram falar sobre o tema com pessoas próximas. No espaço de cuidado, como no atendimento primário de saúde, o tema ainda é mal é discutido, tanto pela paciente quando pelo profissional.
A pesquisa atesta que 64% das mulheres relatam que ainda têm dificuldade em falar sobre o problema, principalmente com especialistas que, por sua vez, não perguntam sobre o assunto: 54% do grupo aponta que nenhum ginecologista, clínico geral ou outro profissional perguntou sobre escapes durante os atendimentos.
A psiquiatra especialista em sexologia médica Carmita Abdo reforça que situações como a privação do sono por conta da incontinência urinária podem agravar quadros de depressão.
A insônia é um dos principais fatores que engatilham ou agravam a depressão na população. Ter alguém com quem falar sobre e procurar tratamento é essencial", observa.
As especialistas constatam que a incontinência urinária é multifatorial e afeta todas as situações da vida da mulher. "Fomos ensinadas a não falar sobre e a esconder problemas relacionados ao nossos órgãos genitais e trato urinário. Isso chega até um ponto em que a mulher para de sair de casa e de fazer sexo, por exemplo", alerta Abdo.
Tratamentos
As especialistas explicam que o tratamento para a incontinência urinária vai depender da causa principal, do diagnóstico médico e condição da paciente. No geral, as opções variam desde mudanças no estilo de vida e fisioterapia pélvica até o uso de remédios, aplicações de botox ou cirurgias de suporte, como o implante de sling e devem ser acompanhados por profissionais habilitados.
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