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Frio aumenta risco de insuficiência cardíaca em idosos, alerta cardiologista

EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/EC

Com o frio, o organismo reage contraindo os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e fazendo o coração trabalhar mais - EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/EC
Com o frio, o organismo reage contraindo os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e fazendo o coração trabalhar mais
Por Bianca Bibiano

09/07/2026 | 16h44

São Paulo - As baixas temperaturas do inverno aumentam a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular e tornam as pessoas idosas um dos grupos mais vulneráveis às complicações da insuficiência cardíaca.

Com o frio, o organismo reage contraindo os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e fazendo o coração trabalhar mais para manter a circulação, situação que pode levar à descompensação da doença e aumentar o risco de internações.

Segundo o médico cardiologista Fernando Ribas, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, embora o impacto seja maior entre pessoas mais velhas e pacientes que já convivem com doenças cardiovasculares, adultos com hipertensão, doença arterial coronariana e outros fatores de risco também precisam redobrar os cuidados nesta época do ano.

Como o frio impacta a saúde do coração?

De acordo com o médico Fernando Ribas, o frio provoca uma série de alterações no organismo para ajudar a manter a temperatura corporal. "Entre elas, há aumento da frequência cardíaca, aceleração do metabolismo e maior liberação de adrenalina, o que faz o coração trabalhar mais", explicou ao VIVA. E completa:

Em pessoas que já têm alguma doença cardiovascular, como insuficiência cardíaca, hipertensão ou doença arterial coronariana, esse esforço adicional pode levar à descompensação do quadro. O risco é ainda maior em pessoas acima dos 50 anos e idosos, que apresentam maior vulnerabilidade a essas alterações."

A insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do organismo.

A doença pode evoluir de maneira progressiva e permanece entre as principais causas de internação por problemas cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros convivem com a doença e aproximadamente 240 mil novos casos são registrados todos os anos.

O tema ganha reforço especial em 9 de julho, data que marca o Dia Nacional de Alerta à Insuficiência Cardíaca, criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia para reforçar a importância do diagnóstico precoce e da continuidade do tratamento.

Quais são os sinais de alerta para insuficiência cardíaca?

Ribas diz que os sintomas costumam indicar que a doença está descompensada e não devem ser ignorados. Entre os principais sinais estão:

  • Falta de ar, principalmente ao deitar ou durante esforços.
  • Inchaço nas pernas.
  • Aumento do volume abdominal.
  • Sensação de desmaio.
  • Escurecimento da visão.
  • Queda da pressão arterial.

Na presença desses sintomas, ele diz que a recomendação é procurar atendimento médico o mais rapidamente possível.

Como reduzir o risco durante o inverno?

O cardiologista destaca que a prevenção passa pelo bom controle da saúde cardiovascular:

É fundamental manter o acompanhamento médico em dia, controlar fatores de risco, realizar exames periódicos, incluindo avaliação de anemia, colesterol e função renal, e revisar regularmente as medicações para garantir o tratamento mais adequado."

Além disso, pondera o especialista, é importante manter hábitos saudáveis, como praticar atividade física orientada, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, seguir uma alimentação equilibrada e fazer o uso correto dos medicamentos prescritos.

Insuficiência cardíaca pode ser controlada 

Apesar da gravidade da insuficiência cardíaca, a doença pode ser controlada quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada.

Segundo o médico Jefferson Vieira, doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP), os medicamentos atualmente disponíveis conseguem reduzir o risco de morte, diminuir hospitalizações e melhorar a capacidade funcional do coração quando utilizados de maneira correta.

No entanto, muitos pacientes deixam de receber todas as medicações recomendadas ou interrompem o tratamento por receio de efeitos adversos, o que aumenta a chance de novas descompensações.

"Quando a combinação não é completa ou as doses permanecem abaixo do recomendado, o risco de descompensações, reinternações e morte aumenta. Garantir a implementação plena do tratamento não apenas salva vidas, como também reduz hospitalizações e se mostra uma estratégia com bom custo-benefício para o sistema de saúde", afirmou em artigo enviado à imprensa.

Para Vieira, garantir que o paciente receba o tratamento completo representa uma das medidas mais eficazes para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

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