Como proteger o coração após os 60? Novo estudo revela treinamento ideal
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São Paulo - A prática regular de musculação pode trazer benefícios que vão além do fortalecimento dos músculos. Um novo estudo realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) concluiu que o treinamento de força, realizado durante dois anos, ajudou a preservar a estrutura e a função do coração de mulheres 60+.
A pesquisa foi publicada em junho na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise. O ensaio clínico acompanhou 64 mulheres fisicamente independentes, com idade média de 71 anos. As participantes foram divididas em dois grupos: um realizou treinamento resistido supervisionado três vezes por semana, enquanto o outro manteve a rotina sem exercícios estruturados.
Ao final do período, as avaliações mostraram que as mulheres que praticaram musculação apresentaram melhorias em indicadores relacionados à saúde cardíaca. Já o grupo que não participou do programa registrou piora gradual em diversos parâmetros avaliados.
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Musculação traz benefícios ao coração?
Os pesquisadores utilizaram exames de ecocardiograma antes e depois dos dois anos de acompanhamento. Os resultados indicaram redução da massa do ventrículo esquerdo, diminuição da espessura das paredes do coração e melhora em indicadores ligados ao relaxamento cardíaco, conhecido como função diastólica.
Segundo o estudo, essas alterações estão associadas a um envelhecimento cardiovascular mais saudável e podem contribuir para reduzir o risco de problemas relacionados ao avanço da idade.
Além dos benefícios para o coração, as participantes que realizaram musculação também tiveram aumento da força muscular, melhora da capacidade funcional e maior facilidade para executar atividades do dia a dia.
Os especialistas destacam que o envelhecimento provoca mudanças naturais na estrutura do coração, como aumento da rigidez do músculo cardíaco e dificuldade de relaxamento entre os batimentos. Essas alterações estão relacionadas ao desenvolvimento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, condição que afeta principalmente mulheres idosas.
De acordo com o estudo, essa doença ainda possui opções limitadas de tratamento, tornando a prevenção uma estratégia importante para pessoas 60+. Os resultados sugerem que o treinamento resistido pode contribuir para preservar a função cardíaca ao longo do envelhecimento.
Qual o treino ideal?
O programa de treinamento incluiu três sessões semanais, em dias alternados, com oito exercícios para diferentes grupos musculares, como agachamento no banco, remada na máquina, leg press, elevação lateral e rosca bíceps.
As atividades foram supervisionadas durante todo o estudo, sendo essa a estrutura de treino:
- 4 exercícios para membros inferiores;
- 4 exercícios para membros superiores;
- 3 séries de cada exercício;
- 8 a 12 repetições por série;
- Treinos realizados 3 vezes por semana.
Segundo os pesquisadores, o acompanhamento por dois anos permitiu identificar adaptações que estudos mais curtos sobre exercício e saúde cardiovascular não conseguem observar.
Para eles, os resultados não substituem a importância dos exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida, mas indicam que a musculação também é uma estratégia relevante para proteger a saúde cardiovascular e preservar a longevidade.
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