Glicemia em jejum pode esconder picos ao longo do dia; entenda o que observar
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São Paulo - O diagnóstico de diabetes muitas vezes acontece de forma tardia, e parte desse atraso se deve ao foco quase exclusivo na medição da glicemia em jejum. Segundo a nutricionista Bela Clerot, avaliar apenas a glicemia matinal pode esconder alterações importantes que ocorrem ao longo do dia.
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Ela alerta que "para chegar no ponto de a glicemia alterar pela manhã, é porque o corpo já vem lutando contra isso há muito tempo".
Na prática, uma pessoa pode acordar com índices normais, mas sofrer elevações prejudiciais no açúcar do sangue após o café da manhã, o almoço ou o jantar.
O cenário é de atenção, principalmente tendo em vista que, de 2006 a 2024, a proporção de adultos diagnosticados com diabates nas capitais saltou de 5,5% para 12,9%, e estima-se que 16,6 milhões de brasileiros vivam com a doença hoje, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Frente a esse contexto, a nutricionista explica que, em um organismo sem desajustes metabólicos, a glicose sobe após a refeição — com um pico ideal de até 140 mg/dL entre uma e duas horas — e retorna para baixo de 100 mg/dL em até três horas. No entanto, a glicose pós-prandial (após as refeições) costuma demonstrar alterações muito antes de a glicemia em jejum apontar problemas nos exames de rotina.
Por isso, Clerot defende o monitoramento do comportamento da glicose ao longo do dia, medindo-a antes da refeição e repetindo o teste uma ou duas horas depois, especialmente para indivíduos com pré-diabetes ou suspeita de resistência à insulina.
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Escolhas alimentares também são fundamentais para evitar variações bruscas. Ela indica que, no café da manhã, sejam incluídas proteínas e gorduras, como ovos, que ajudam a prolongar a saciedade e a reduzir a oscilação de glicose em comparação com refeições ricas em carboidratos.
Além de vigiar os níveis de açúcar pós-refeição, é possível intervir ativamente no controle metabólico antes mesmo de comer. A endocrinologista Fernanda Parra afirma que os primeiros momentos do dia definem como o corpo processará a insulina nas horas seguintes. A especialista recomenda três hábitos simples que agem como estabilizadores da glicemia:
- Hidratação imediata: beber água logo ao levantar prepara o sistema digestivo, ativa o metabolismo de forma equilibrada e cria o ambiente ideal para que a insulina atue corretamente;
- Atividade física leve: realizar uma caminhada de 10 a 15 minutos ou fazer alongamentos suaves ajuda a sensibilizar as células à insulina. Esse movimento muscular inicial utiliza a glicose disponível e previne picos abruptos antes mesmo do café da manhã;
- Exposição à luz solar: receber luz natural nos primeiros minutos do dia regula o ritmo circadiano (o relógio biológico do corpo) e contribui para uma melhor sensibilidade à insulina ao longo de toda a jornada diária.
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O diabetes tipo 2 está intimamente ligado a fatores de estilo de vida, como sedentarismo e alimentação inadequada. Por isso, segundo ela, adotar esses pequenos ajustes matinais não exige mudanças radicais, mas, quando combinados, eles exercem um efeito protetor contra as oscilações glicêmicas.
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