Diabetes prejudica a qualidade do sono, aponta estudo
Envato
26/01/2026 | 17h59
São Paulo, 26/01/2026 - Pacientes com diabetes apresentam mais alterações do sono, explicou Joana Dantas, diretora do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em entrevista ao VIVA. Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition indica que o controle glicêmico afeta os padrões de sono de diabéticos.
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Segundo a médica, essa alteração da glicose, comum em diabéticos, pode causar baixas de açúcar no sangue durante a noite e ainda aumenta a incidência de apneia do sono. A análise mostrou que diabéticos mostraram maior dificuldade para dormir (37,74%) e diagnóstico de distúrbios do sono (9,56%). Os resultados são superiores aos de pessoas com pré-diabetes (30,88% e 5,89%) e de pessoas com níveis normais de glicose no sangue (24,91% e 3,95%).
O National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), levantamento realizado nos Estados Unidos entre 2007 e 2020, reuniu dados de 66.148 participantes.
A duração do sono também foi estudada: menos de sete horas por noite também foram mais frequentes entre diabéticos (33,59%) e pré-diabéticos (31,29%) do que entre indivíduos com glicemia normal (29,57%). Já o sono acima de nove horas ocorreu com maior frequência entre pessoas com diabetes (7,79%) em comparação àquelas com pré-diabetes ou sem a condição.
Segundo a médica, o recomendado é cerca de sete horas por noite, a depender da necessidade de cada um. Para Dantas, os dois extremos, dormir pouco ou muito, pioram o controle da diabetes, além do controle da pressão arterial, o que aumenta o risco cardiovascular.
Dormir pouco e mal está associado a maior risco cardiovascular, a principal causa de óbito nos pacientes com diabetes”, disse a médica.
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Sinais de que o sono não foi reparador
- Cansaço excessivo durante o dia, mesmo dormindo cerca de 7 ou 8 horas por noite
- Sonolência diurna involuntária, como cochilar sentado ao esperar algo ou durante atividades
- “Apagar” em situações calmas (visão embaralha, perde a atenção e dorme)
- Dificuldade de concentração e atenção, especialmente para leitura ou tarefas que exigem foco
- Necessidade frequente de cochilos ao longo do dia
Alterações no padrão do sono que merecem atenção
- Insônia inicial: dificuldade para iniciar o sono
- Insônia terminal: a pessoa adormece, mas acorda muito cedo (por exemplo, às 3 da manhã) e não consegue voltar a dormir
- Sono de má qualidade, mesmo com duração aparentemente adequada
- Sensação de não ter descansado, apesar de relatar 7 ou 8 horas de sono
O que é diabetes?
Diabetes é uma condição crônica e não transmissível, caracterizada pelo aumento de glicose (em palavras simples, alto nível de açúcar) no sangue, explicou o endocrinologista Ronaldo Pineda Wieselberg, presidente da Associação de Diabetes Brasil (ADJ), em entrevista ao VIVA.
Existem dois tipos de diabetes: o tipo 1, mais raro, é uma condição autoimune em que o organismo ataca as células que normalmente produzem insulina; e o tipo 2, mais comum, associado à obesidade e genética, no qual há resistência do corpo à ação da insulina que é produzida naturalmente.
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