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Governo decide não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS; entenda

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O principal motivo para a rejeição da vacina para o SUS foi o impacto financeiro elevado em comparação ao benefício que o imunizante traria no momento - Freepik
O principal motivo para a rejeição da vacina para o SUS foi o impacto financeiro elevado em comparação ao benefício que o imunizante traria no momento
Por Emanuele Almeida

14/01/2026 | 09h58

São Paulo, 14/01/2026 - O Ministério da Saúde oficializou a decisão de não incluir a vacina para a prevenção do herpes-zóster no Sistema Único de Saúde (SUS). A determinação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no início da semana após a análise de um relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

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Por que o governo negou a incorporação?

O principal motivo para a rejeição foi o impacto financeiro elevado em comparação ao benefício epidemiológico que o imunizante traria no momento. De acordo com a Conitec, a vacina foi considerada "não custo-efetiva", o que significa que o preço cobrado não justifica o investimento diante da sustentabilidade orçamentária do sistema público.

Os cálculos apresentados no relatório detalham o peso dessa conta para os cofres públicos:

  • Para vacinar o público-alvo inicial (idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos acima de 18 anos), o custo anual seria de R$ 1,2 bilhão para atender 1,5 milhão de pacientes;
  • Ao final de cinco anos, o investimento total acumulado chegaria a R$ 5,2 bilhões.

O Comitê de Medicamentos ressaltou que, embora a vacina seja importante para a prevenção, o governo precisaria negociar preços significativamente menores para que a oferta se tornasse viável e sustentável para o SUS.

Leia também: Risco de herpes-zóster aumenta com envelhecimento; veja como se prevenir

Sobre a doença

Mais frequente em pessoas idosas ou com baixa imunidade, o herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. A condição causa bolhas na pele, dor intensa e pode evoluir para complicações graves nos olhos, ouvidos e sistema nervoso. Entre 2007 e 2023, o Brasil registrou 1.567 mortes pela doença, sendo que mais de 53% desses óbitos ocorreram em idosos com mais de 80 anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS. 

Atualmente, na ausência da vacina, o SUS oferece tratamento sintomático para casos leves, utilizando remédios para dor e coceira. Para pacientes em grupos de risco ou com quadros graves, é disponibilizado o antiviral aciclovir.

Possibilidade de reavaliação

Apesar da negativa atual, a decisão não é definitiva. Conforme a portaria publicada, o processo de incorporação da vacina pode ser submetido a uma nova avaliação pela Conitec, caso surjam fatos novos que alterem o resultado da análise técnica e econômica.

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