Menopausa e endometriose: reposição hormonal exige análise caso a caso
Envato
30/01/2026 | 08h43
São Paulo, 30/01/2026 - A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, se implantam fora da cavidade uterina, principalmente na região pélvica, como ovários, trompas e intestino.
Essas células produzem um processo inflamatório contínuo, estimuladas pelo estrogênio, o que provoca dor, inflamação e o surgimento de lesões progressivas. A doença atinge cerca de 6,5 milhões de brasileiras, segundo levantamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Mas qual a relação da endometriose com a menopausa? Ouso de hormônios para tratar menopausa deve ser avaliado caso a caso quando se trata de mulheres com endometriose, segundo o ginecologista e obstetra Jardel Pereira Soares. Destaca ainda que é necessário levar em conta o histórico da paciente, a presença de lesões e cirurgias prévias, para evitar o retorno da dor e possíveis complicações.
Por se tratar de uma doença “estrogênio-dependente”, a progressão está ligada aos níveis e à ação do estrogênio no corpo, alterados pela menopausa. Por essa questão hormonal, essas mulheres podem perceber os sintomas da endometriose diminuírem. “Com o tratamento da menopausa, temos casos de pacientes que voltam a sentir dor e ter dificuldades. Então, a gente reacende o alerta de cuidado nesses casos”, afirma.
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Soares explicou que se a paciente já tem diagnóstico conhecido antes da menopausa, e necessita de Terapia de Reposição Hormonal (TRH), a recomendação é que essas lesões sejam tratadas cirurgicamente antes do início do hormônio. Já nos casos em que a mulher é assintomática ou não sabia que tinha endometriose, é possível iniciar a reposição hormonal e, a depender da resposta clínica, avaliar posteriormente a necessidade de cirurgia.
Se a paciente já foi operada e todas as lesões foram retiradas, não há contraindicação para a reposição hormonal, de acordo com o médico, já que o risco de recidiva da doença é inerente à própria endometriose e independe da reposição. "A gente não está dizendo que mulher que tem endometriose não pode fazer reposição hormonal. É preciso cautela."
O especialista defende que as mulheres, em suas consultas com o ginecologista para a reposição hormonal, relembrem o médico acerca do histórico de endometriose para garantir um atendimento personalizado.
Quais são os sintomas da endometriose?
Diferentemente da cólica menstrual comum, trata-se de uma dor progressiva, intensa e que não melhora com analgésicos simples. Com o tempo, muitas mulheres precisam de medicações mais fortes ou até de atendimento de urgência. Segundo o especialista, sentir dor intensa não é normal. A cólica comum costuma ocorrer nos primeiros dias da menstruação e melhora com medicação simples.
Dependendo da localização das lesões, também podem ocorrer dor durante a relação sexual, dor ao evacuar, diarreia ou constipação no período menstrual. Um sinal de alerta importante é a dor fora do período menstrual.
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