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Mulher grega de 54 anos dá à luz bebê de embrião congelado por 22 anos

Reprodução/Instagram/@ genesisathensclinic

Lei grega estabelece um limite de idade para fertilização in vitro - Reprodução/Instagram/@ genesisathensclinic
Lei grega estabelece um limite de idade para fertilização in vitro
Por Emanuele Almeida

11/09/2026 | 08h05

São Paulo - Em Atenas, na Grécia, uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina saudável, com 3.490 gramas, a partir de um embrião que permaneceu congelado desde 17 de março de 2004. O procedimento de transferência embrionária foi realizado em 23 de dezembro de 2025 em uma clínica privada local.

A confirmação do parto foi feita através das redes sociais da clínica Genesis Athens, revelando a identidade da mãe como Christina Rapti-Tzelepi.

Ao todo, transcorreram 22 anos, 5 meses e 23 dias entre o congelamento inicial e o nascimento da criança. Conforme a emissora pública grega ERT, a equipe médica confirmou que este é o maior período de criopreservação de material genético autólogo, aqueles pertencente aos próprios pais biológicos, já registrado na literatura científica internacional com resultado de nascimento vivo.

Anteriormente, os registros publicados de material autólogo apontavam um caso de 18 anos e 3 meses no Japão e outro de 17 anos em Israel. Os dados clínicos e laboratoriais do caso estão sendo preparados para publicação em periódicos científicos internacionais.

Perda do filho

A história do nascimento revela uma jornada de superação familiar. De acordo com a publicação feita pela clínica, em 2004, Christina Rapti-Tzelepi e seu marido, Konstantinos Raptis, realizaram o primeiro tratamento de fertilização in vitro (FIV) e tiveram um filho na primeira tentativa. No entanto, em outubro de 2025, o jovem faleceu em um acidente de carro aos 21 anos.

Diante do luto, o casal tomou a decisão de recorrer aos embriões que mantinha guardados na mesma clínica desde 2004. 

Corrida contra o tempo

O procedimento exigiu uma corrida contra o tempo devido às exigências legais da Grécia, que estabelece um limite de idade estrito de 54 anos para que mulheres possam realizar tratamentos de fertilização in vitro. Christina precisou cumprir trâmites burocráticos e obter uma autorização especial da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida antes de atingir o limite de idade permitido por lei.

À ERT, Konstantinos Raptis destacou que a esposa atingiu exatamente o limite legal e defendeu a revisão dessa restrição de idade no país, argumentando que mulheres mais velhas possuem grande capacidade de oferecer amor maduro e estabilidade. A família relata que ainda possui nove embriões congelados, mas não poderá utilizá-los devido às regras atuais de limitação etária.

O ginecologista responsável pelo caso, Konstantinos Pantos, que também atua como secretário-geral da Sociedade Grega de Medicina Reprodutiva, classificou o nascimento como um avanço clínico e científico significativo.

"O nascimento da filha de Christina Rapti-Tzelepi representa um avanço clínico e científico de extrema importância. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, amor e esperança, a qual abordamos com absoluto respeito à jornada pessoal da família", reforçou o médico na publicação divulgada nas redes. 

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