Violência sexual também ocorre com mulheres idosas, aponta Anuário
Adobe Stock
São Paulo - O envelhecimento tem se mostrado ineficaz contra a violência de gênero no Brasil. De acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 6,5% das vítimas de feminicídio em 2025 foram mulheres com 60 anos ou mais, somando cerca de 102 casos. Isso significa que, a cada semana, duas brasileiras dessa faixa etária são vítimas fatais de crimes motivados em razão do sexo feminino.
Apesar de entre 2024 e 2025 o número de feminicídios nessa faixa etária ter reduzido de 107 para 102 registros, nos últimos cinco anos houve um aumento de 45,71% dos casos.
Na contramão da ideia de que os crimes sexuais afetam exclusivamente crianças, adolescentes e jovens adultas, os registros policiais indicam um volume preocupante de abusos contra os mais velhos.
As pessoas com 60 anos ou mais representaram 3% de todas as 84.388 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025. Em números absolutos, são aproximadamente 2.532 pessoas idosas violentadas sexualmente em um único ano – uma média de quase sete ocorrências por dia no País.
Leia também
A faixa etária mais atingida por feminicídio é a de 25 a 29 anos, que concentra 17,2% do total de mortes. Somadas, as vítimas entre 25 e 44 anos correspondem a 56,5% de todos os assassinatos motivados por misoginia – ódio e discriminação contra mulheres. Na outra ponta, o menor índice de letalidade está entre meninas de 0 a 11 anos, ou 1,6% dos feminicídios registrados no ano passado.
Entre os 55 e 59 anos, a proporção de casos é menor (3,7%) do que a registrada entre o público feminino acima dos 60 anos.
Porém, no caso da população idosa, as demais Mortes Violentas Intencionais (8,1%) superam a proporção de feminicídios (6,5%). Esse cenário evidencia uma exposição das mulheres mais velhas a uma dupla vulnerabilidade: o risco contínuo da hostilidade doméstica e a vitimização pela criminalidade urbana.
No ambiente familiar, as violações sofridas por essas mulheres foram múltiplas em 2025. Segundo dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), episódios de negligência e agressões físicas e psicológicas ocorreram de forma simultânea, conforme exposto pelo VIVA em fevereiro.
Já nas vias públicas, as pessoas idosas representaram mais de um quarto das vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) no País, além de serem vítimas recorrentes de furtos.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.