Saúde sexual após os 60 exige prevenção e bem-estar; confira 8 dicas
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São Paulo - Manter uma vida sexual ativa e satisfatória depois dos 60 anos faz parte da saúde e do bem-estar. Neste Dia Mundial da Saúde Sexual, data criada em 2010, especialistas em geriatria, gerontologia e urologia ouvidos pelo VIVA indicam aspectos importantes para uma vida sexual ativa após os 60.
Afinal, sexualidade não se resume à relação sexual ou à penetração e pode envolver diferentes formas de intimidade, como carinho, companheirismo e contato físico.
Ao mesmo tempo, essa fase da vida exige atenção à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), ao controle de doenças crônicas, ao uso de medicamentos e às condições físicas e emocionais que podem interferir na vida sexual dos 60+.
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Além disso, é importante que o profissional de saúde pergunte, abra espaço para essa conversa e não presuma que a pessoa idosa não tem vida sexual, afirma o odontogeriatra Antônio Moura, atual presidente da Gerontologia na Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seccional Pernambuco (SBGG-PE).
A pessoa idosa tem o direito de desejar, sentir prazer e viver a sexualidade", diz.
8 dicas para vida sexual saudável dos 60+
1) Sexualidade não se resume à penetração
A sexualidade pode continuar sendo vivenciada de diferentes maneiras ao longo do envelhecimento, de acordo com a geriatra e paliativista Sandra Brotto Furtado, membro da SBGG-PE. Ela cita como exemplos companheirismo, carinho, carícias, dormir abraçado, andar de mãos dadas, masturbação, sexo oral e penetração.
Manter a vida sexual ativa para uma pessoa com mais de 60 anos é manter a expressão da sexualidade conforme o desejo de cada um."
Segundo a médica, para manter a atividade é necessário considerar aspectos orgânicos e psicossociais. O controle das doenças crônicas e o acompanhamento médico podem ajudar a identificar condições que interferem na sexualidade, assim como possíveis efeitos de medicamentos sobre a libido.
"Às vezes fazemos pequenos ajustes, porque sabemos que existem medicamentos que podem reduzir a libido, e algumas condições no homem, como o hipogonadismo, mas tudo isso precisa de avaliação médica", diz. Para se manter ativo, o caminho é estar com a saúde em dia, com acompanhamento regular e periódico que leve tudo isso em consideração.
2) Preservativo continua importante depois dos 60
Do ponto de vista da prevenção de doenças, o urologista Tiago Negrão, professor de Medicina da UniCesumar de Maringá (PR), ressalta que a ausência de preocupação com gravidez após a menopausa da mulher não elimina o risco de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Por isso, prevenção e testagem continuam importantes em novos relacionamentos, diante de múltiplas parcerias ou de relações sem preservativo.
O primeiro cuidado de saúde é a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis. O fato de estar na menopausa não significa que deixou de existir risco de HIV, sífilis, gonorreia, hepatites e outras ISTs."
O cuidado é reforçado quando existe um novo relacionamento, múltiplas parcerias ou relações sem preservativo. Nesses casos, a prevenção e a testagem continuam sendo importantes depois dos 60 da mesma forma que em outras fases da vida.
Nesse sentido, Sandra Brotto reforça a importância do uso da camisinha, especialmente quando o parceiro não passou por testes que excluem riscos de contaminação. "Temos visto aumento da transmissão do HIV e do surgimento de Aids nessa faixa etária, além de outras doenças", pondera.
3) PrEP e PEP também podem ser consideradas
Além do preservativo, existem estratégias específicas de prevenção ao HIV, como a profilaxia pré-exposição (PrEP). Segundo Tiago Negrão, ter 60 ou 70 anos, por si só, não contraindica o uso da estratégia. A indicação deve considerar a vida sexual, as práticas e o risco individual de exposição ao HIV.
O urologista destaca, porém, que a função renal merece atenção nessa faixa etária, já que uma das medicações utilizadas na PrEP oral pode causar impactos nessa área. "A indicação é feita de acordo com a vida sexual daquela pessoa, suas práticas e o risco de exposição ao HIV, e não simplesmente pela idade."
Negrão também ressalta que a PrEP tem finalidade específica e não substitui a prevenção das demais ISTs. "Não é um medicamento para ser usado de maneira indiscriminada, mas também não existe razão para excluir uma pessoa da prevenção apenas porque ela envelheceu".
A chamada prevenção combinada inclui preservativo quando indicado, testagem periódica, vacinação e avaliação individual do risco. Em caso de exposição recente com possibilidade de transmissão do HIV, existe também a profilaxia pós-exposição (PEP), que precisa ser solicitada nas primeiras 72 horas após a relação, segundo o especialista.
4) Saúde bucal também influencia a intimidade
A saúde da boca também pode interferir na autoestima e na disposição para o contato afetivo, aponta o odontogeriatra Antônio Moura. Ele indica cuidados para que problemas nessa área do corpo não interfiram na expressão da sexualidade:
A saúde bucal muitas vezes é esquecida. Dor, perda de dentes, próteses inadequadas, boca seca, mau hálito e problemas gengivais podem interferir na autoestima, na intimidade e até na disposição para o contato afetivo."
5) Doenças crônicas e medicamentos merecem atenção
Manter o acompanhamento das condições de saúde também pode contribuir para uma vida sexual satisfatória. Nesse sentido, Antônio Moura recomenda atenção ao controle de doenças crônicas, à atividade física, ao sono e à saúde mental. Ele também destaca a importância de verificar se algum medicamento utilizado interfere na atividade sexual.
Para Tiago Negrão, o início dos cuidados deve partir da seguinte pergunta: "Como está minha saúde para que eu possa viver a sexualidade com segurança, prevenção e qualidade?". Segundo ele, esse olhar individual pode indicar caminhos para analisar aspectos como disfunção erétil e outros problemas relacionados ao uso de medicamentos.
6) Disfunção erétil pode indicar necessidade de avaliação
O urologista Tiago Negrão destaca que uma pessoa pode chegar aos 60 com desejo sexual preservado, mas a resposta do organismo depende de uma série de condições.
No homem, a ereção depende muito da circulação e da integridade vascular. Então, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade abdominal, sedentarismo e tabagismo não são problemas separados da vida sexual."
Segundo o urologista, a disfunção erétil pode ser uma informação clínica relevante na avaliação do risco cardiovascular. Isso não significa que todo homem com dificuldade de ereção tenha uma doença cardíaca, mas a mudança pode ser uma oportunidade para investigar outros fatores de risco, pondera.
O uso simultâneo de vários medicamentos também deve ser considerado, já que alguns podem interferir na libido ou na resposta sexual. Nessa linha, o médico alerta ainda que medicamentos para disfunção erétil não são isentos de riscos:
"Medicamentos utilizados para ereção não devem ser tomados como se fossem completamente inofensivos. Existem contraindicações importantes, principalmente com medicamentos à base de nitrato, por exemplo", observa.
7) Capacidade cardiovascular deve ser considerada
A retomada da atividade sexual também deve levar em conta as condições cardiovasculares. Segundo Negrão, pessoas clinicamente estáveis podem, em geral, manter atividade sexual. Já quem teve infarto recentemente, apresenta dor no peito, falta de ar importante, pressão muito descontrolada ou doença cardiovascular instável deve conversar com o médico antes de retomar esse esforço.
O urologista também chama atenção para fatores que muitas vezes ficam fora da discussão sobre sexualidade, como sono, atividade física, saúde mental, qualidade do relacionamento, consumo de álcool, ansiedade e a forma como a pessoa percebe o próprio envelhecimento.
O principal cuidado depois dos 60 não é buscar uma fórmula para continuar tendo relações. É manter a saúde suficientemente bem acompanhada para que a sexualidade continue sendo uma parte segura, natural e saudável da vida."
8) Sexualidade da mulher também precisa ser discutida
Para Antônio Moura, outro ponto a ser ponderado é preconceito em torno da sexualidade na velhice, sobretudo quando se trata das mulheres.Ele defende que o tema seja incorporado às consultas e abordado sem julgamentos.
Toda mulher idosa precisa ser ouvida sobre sua sexualidade durante as consultas médicas, mesmo passado longo tempo após a menopausa.
"Ela pode apresentar redução da lubrificação, dor, alterações hormonais, redução do desejo ou até o contrário, e tudo isso precisa ser abordado sem julgamento", diz. E completa:
Dentro de uma sociedade ainda muito machista, muito é falado sobre a sexualidade do homem, enquanto pouco se pergunta à mulher sobre o que ela deseja, se tem prazer, se tem vontade de manter relações ou se está enfrentando alguma dificuldade."
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