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Laboratório Novo Nordisk cobra pregão para fornecer mais insulinas ao SUS

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Farmacêutica informa que possui capacidade de suprir a demanda no SUS, que gira em torno de 67 milhões de unidades por ano - Divulgação
Farmacêutica informa que possui capacidade de suprir a demanda no SUS, que gira em torno de 67 milhões de unidades por ano
Por Emanuele Almeida

28/08/2026 | 15h04

Montes Claros (MG) - O Sistema Único de Saúde (SUS) está buscando atualizar a oferta de insulina para os brasileiros trazendo as insulinas análogas de maior duração. Contudo, apesar da modernização da oferta, o sistema público ainda tem grande demanda de insulina humana a ser suprida - necessidade que pede um novo pregão para que farmacêuticas consigam realizar suas ofertas, como destaca o diretor de assuntos corporativos e comunicação da Novo Nordisk, Daniel Flentø. 

Durante visita à fabrica da farmacêutica em Montes Claros (MG), Flentø destacou que a farmacêutica possui, hoje, a capacidade de suprir a demanda que gira em torno de 67 milhões de unidades por ano. A fábrica responde por 25% da insulina produzida globalmente pela companhia, com um volume equivalente a 12% de toda a insulina consumida no mundo. 

Atualmente, a fábrica brasileira está com capacidade de produção bloqueada para atender o SUS, enquanto rejeita ou adia pedidos de outros países que também necessitam desse fornecimento", destacou o líder ao VIVA

Ele aponta que ainda há gargalos do setor para suprir as necessidades do sistema público: "Até o momento, esses parceiros locais não demonstraram capacidade produtiva ou volumes suficientes para abastecer integralmente a demanda de todo o SUS". 

Daniel é um homem branco, de cabelos grisalhos e usa uma terno
 Flentø falou sobre a demora na definição do pregão do MS que pode gerar gargalos operacionais. Divulgação/Novo Nordisk

Frente a isso, o líder de assuntos corporativos da empresa aponta que, para o fornecimento de insulinas humanas, a Novo Nordisk disponibilizou capacidade de produção local, na fábrica de Montes Claros, de até 125 milhões de unidades entre 2026 e 2028.

A utilização dessa capacidade depende da previsibilidade necessária para o planejamento produtivo e dos processos regulares de contratação pública para o abastecimento do SUS.

"A demora na publicação oficial do edital do pregão tem gerado grande ansiedade operacional na empresa devido à complexidade de planejamento da fábrica. A produção de insulina é complexa e requer programação de longo prazo", destaca. 

Em junho, o Ministério da Saúde realizou a  Audiência Pública nº 3/2026 , que trata da futura aquisição de insulina humana nacional exclusiva para produtos registrados na Anvisa. 

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que conta com contratos ativos para a oferta de insulinas humanas e análogas no SUS, que garantem estoques regulares em todo o País e que, em 2026, foram distribuídos mais de 56,3 milhões de unidades do medicamento aos estados.

"Novos processos licitatórios serão realizados de acordo com a necessidade apresentada e com base em estudos estratégicos realizados pela pasta", finalizou a pasta sobre um prazo para o novo pregão.

Atualmente, o Brasil possui a 6ª maior população com diabetes do mundo. A doença é uma das condições crônicas que mais avança no País, registrando uma alta de 5,7% nos diagnósticos em apenas quatro anos. 

Insulina humana x análoga

Enquanto a insulina humana reproduz com exatidão a estrutura molecular do hormônio gerado pelo nosso pâncreas, as insulinas análogas são modificadas em laboratório para aprimorar o tempo de resposta do organismo, dividindo-se em categorias cruciais para o tratamento:

  • Ação rápida (ou ultrarrápida): atuam de forma imediata para cobrir os picos de açúcar das refeições;
  • Média duração: agem de forma intermediária com picos marcantes ao longo do dia;
  • Longa duração: oferecem uma liberação basal linear e sem picos por até 24 horas, imitando o fluxo natural de repouso do corpo.

Distribuição atual

Em julho, o Ministério da Saúde começou a distribuição da insulina glargina, modificada geneticamente e de longa duração, como parte de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a farmacêutica Biomm e o laboratório público Bio-Manguinhos/Fiocruz e o Ministério da Saúde.

Insulina glargina, que tem ação prolongada e facilita a rotina dos pacientes com diabetes
Insulina glargina, que tem ação prolongada e facilita a rotina dos pacientes com diabetes - Rafael Nascimento/Agência Brasil

Tal distribuição tem por objetivo fornecer o medicamento para crianças e adolescentes de 2 anos a menores de 18 anos diagnosticados com diabetes tipo 1 e idosos com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

Essa distribuição ainda é voltada para um público pequeno em relação coma demanda total no Brasil. A estratégia de distribuição nacional foi desenhada para beneficiar diretamente cerca de 160 mil a 170 mil pessoas quando estiver totalmente implementada em sua capacidade máxima. 

Em relação à distribuição de insulina humana atual, empresas como a GlobalX Pharma e a Star Pharma fornecem grande parte do medicamento ao SUS, por meio de uma contratação emergencial. O acordo veio devido ao risco de desabastecimento global e à saída de antigos fornecedores tradicionais do mercado de insulinas humanas de baixo custo, como a própria Novo Nordisk, em 2024.  

A situação de emergência permite que o governo feche acordos com medicamentos ainda não aprovados pela Anvisa. "A Novo Nordisk enfrentou uma ruptura no abastecimento e conseguiu entregar apenas metade do volume de canetas de insulina demandado pelo Ministério da Saúde para o SUS", afirma Flentø. 

Ele diz que outros fornecedores globais de insulina não conseguiram cumprir seus contratos internacionais. Esse fator fez com que a empresa precisasse abastecer em locais que estavam completamente desassistidos, diminuindo os volumes direcionados ao Brasil. 

Acordos atuais 

Em 2026, a Novo Nordisk participou e ganhou o pregão de insulinas análogas de ação rápida, com fornecimento de NovoRapid® contratado para o SUS em 2026 e 2027. O fornecimento é direcionada estritamente para o tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 1.

Ao contrário da insulina de ação prolongada, como a glargina, que é distribuída diretamente nos postos de saúde de bairro (UBS), a NovoRapid® pertence ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) — conhecido popularmente como as Farmácias de Alto Custo do Estado —, o qual necessita de solicitação especializada para a garantia do medicamento.

Expansão e produção de canetas emagrecedoras

Além disso, a fábrica da empresa em Minas Gerais está em expansão tanto para a produção de enzimas quanto para a produção de novos produtos, inclusive canetas emagrecedoras.

Nos últimos dois anos, foram investidos cerca de R$ 6,5 bilhões na fábrica brasileira. A maior parte desse montante é destinada a uma obra civil para ampliar significativamente a capacidade de produção. O plano de ampliação é motivado pelo crescimento constante da demanda global por medicamentos e pelas expectativas de fornecimento tanto para o mercado privado quanto para o público (SUS). 

Ao VIVA, Flentø ressaltou que a expansão abranje também a produção de medicamentos injetáveis à base de semaglutida (as canetas emagrecedoras).

A fábrica terá plena capacidade para isso, mas ainda não chegamos à fase de validação de processos para fechar os medicamentos que serão fabricados aqui no Brasil", reforçou. 

A Novo Nordisk protocolou um novo pedido na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para tentar incluir o Wegovy®, caneta de semaglutida, na rede pública de saúde. A nova solicitação foi mais agressiva que a anterior - negada em 2025 - com menos da metade do valor original de mercado.

Além disso, em vez de pedir a liberação para um público geral com obesidade, a nova proposta foca restringe o uso do medicamento no SUS para adultos a partir de 45 anos, com IMC entre 30 e 40, que não tenham diabetes, mas que possuam histórico comprovado de infarto. 

Hoje, a farmacêutica produz três medicamentos à base de semaglutida: o Ozempic (injetável semanal) e o Rybelsus (comprimido oral diário), indicados para o controle do diabetes tipo 2 e o Wegovy (injetável semanal), aprovado para o tratamento da obesidade e sobrepeso. Os medicamentos que chegam ao Brasil atualmente são fabricados na Dinamarca. 

*A repórter viajou a Montes Claros a convite da Novo Nordisk

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