Diabetes: saiba os tipos de doenças relacionadas e como prevenir
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São Paulo - O diabetes avança cada vez mais no Brasil, exigindo atenção redobrada da população. Dados recentes do sistema de monitoramento Vigitel — uma pesquisa anual do Ministério da Saúde (MS) —, divulgados em janeiro deste ano, apontam que a quantidade de adultos diagnosticados com a doença passou de 5,5% para 12,9%. Ou seja, hoje, aproximadamente 20 milhões de brasileiros convivem com a doença.
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Nesta sexta-feira (26), o País destaca o Dia Nacional do Diabetes, criado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Instituída para conscientizar a população, a data tem destaque por também levantar o debate sobre prevenção e a importância do diagnóstico precoce para o controle da doença. Além de 26 de junho, o Brasil também reconhece 14 de novembro como o Dia Mundial do Diabetes.
Tipos de diabetes
Segundo a endocrinologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO) Vera Nakamura, entender as diferentes formas de manifestação do diabetes é o primeiro passo para prevenir e evitar complicações graves que afetam desde a visão até a saúde dos rins e do coração.
- Diabetes Tipo 1: É uma doença autoimune, em que o próprio corpo destrói as células do pâncreas, fazendo com que ele pare de fabricar insulina de repente. Em crianças e adolescentes, o quadro evolui muito rápido, por isso pais e professores devem ficar atentos a sinais como sede excessiva, aumento da fome, perda de peso sem motivo aparente e vontade frequente de urinar.
- Diabetes Tipo 2: Tipo mais comum, que acontece quando o corpo cria uma resistência à ação da insulina. Está diretamente ligado ao sedentarismo, à obesidade, à má alimentação e a fatores genéticos. Porém, ao contrário do Tipo 1, pode ser prevenido com a mudança de hábitos.
- Diabetes Gestacional: Desenvolvida durante a gestação devido às mudanças hormonais que reduzem a eficácia da insulina. Para compensar, o pâncreas da pessoa gestante precisa trabalhar em dobro. Se não for controlado, o bebê recebe glicose em excesso, o que eleva o risco de crescimento exagerado da criança (macrossomia), partos traumáticos, quedas bruscas de açúcar no recém-nascido (hipoglicemia neonatal) e maior risco de o filho desenvolver obesidade e diabetes na vida adulta.
Complicações relacionadas à doença
O diabetes também pode estar relacionado a outras complicações de saúde. Entre as mais preocupantes está a retinopatia diabética, uma alteração que afeta os vasos sanguíneos da retina e está entre as principais causas de perda visual evitável em adultos. O quadro costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que torna o acompanhamento oftalmológico frequente indispensável.
“A elevação persistente da glicose provoca dano progressivo aos pequenos vasos da retina, levando à retinopatia diabética, que, na maioria das vezes, não apresenta sintomas no início. Por isso, muitos pacientes só procuram atendimento quando já há comprometimento visual importante”, alerta a oftalmologista do H.Olhos, Vania Ewert de Campos.
Ela explica que o risco de desenvolver a alteração aumenta conforme o tempo de convivência com a doença, estando diretamente relacionado ao controle inadequado da glicemia, da pressão arterial e dos níveis de colesterol.
Manter hábitos saudáveis, seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico e realizar exames oftalmológicos regulares são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce e para reduzir o risco de complicações oculares”, recomenda.
Assim como a retinopatia diabética, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) relacionado a diabetes também merece atenção, já que pessoas com a doença apresentam maior risco de sofrer um AVC. Isso ocorre pelos elevados níveis de glicose no sangue, que podem danificar os vasos sanguíneos e favorecer a formação de coágulos.
Diferentes sintomas merecem atenção
Apesar de ser mais associada ao aumento dos níveis de açúcar no sangue, a doença pode comprometer vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos, afetando funções importantes do organismo e a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com o cirurgião vascular Afonso Cesar Polimanti, uma das características mais preocupantes do diabetes é o impacto progressivo que pode ser causado na circulação sanguínea e em diferentes órgãos do corpo.
“O diabetes tem a particularidade de afetar a microcirculação, levando ao fechamento dos capilares. Isso ocorre, por exemplo, na circulação das pernas, de maneira semelhante ao efeito do tabagismo ao longo da vida. Esse processo também compromete a rede que nutre os nervos das extremidades, o que dificulta a capacidade de sentir os pés”, explica Polimanti, que também é integrante da Comissão de Pé Diabético da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).
As consequências dessas alterações vão muito além dos membros inferiores. Quando o acompanhamento da glicemia não é adequado, os danos aos pequenos vasos sanguíneos podem atingir órgãos essenciais para o funcionamento do organismo. “O diabetes também afeta outras partes do corpo. Nos rins, está entre as principais causas de insuficiência renal que leva à diálise. Nos olhos, pode provocar a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira”, destaca.
Os danos causados podem criar um ciclo perigoso, principalmente quando alterações na sensibilidade dos pés se juntam a problemas de visão decorrentes do diabetes.
Imagine a dificuldade de uma pessoa em perceber uma ferida no pé quando não sente dor e tem dificuldade até de enxergar a lesão ao olhar para o próprio pé. Por isso, a vigilância rigorosa do diabetes é essencial.”
Prevenção é a melhor estratégia
Para Polimanti, a prevenção continua sendo a principal aliada dos pacientes. Ele ressalta que medidas simples, adotadas diariamente, ajudam a retardar a evolução da doença e reduzir o risco de complicações, como manter a glicemia dentro das metas recomendadas.
“Isso contribui para desacelerar a progressão da doença. Esse resultado pode ser alcançado com atividade física, alimentação adequada e seguimento médico regular”, afirma.
Além de fatores de risco comportamentais, o histórico familiar também pode influenciar no desenvolvimento da doença, o que torna ainda mais importante a realização de exames de rotina. Embora não tenha cura, o diabetes pode ser controlado com acompanhamento adequado, que costuma envolver monitoramento dos níveis de glicose, uso de medicamentos quando necessário e mudanças consistentes no estilo de vida.
Clínico geral na SegMedic, uma rede de clínicas ambulatoriais, Roberto do Nascimento ressalta que o acesso à informação é um dos principais aliados no enfrentamento da doença.
Muitas pessoas convivem com o diabetes sem saber. Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as chances de controle e de evitar complicações futuras.”
Exames gratuitos
Com foco em conscientizar a população sobre a importância de conhecer, diagnosticar e agir precocemente no pré-diabetes, antes que a condição se torne crônica e irreversível, a Pague Menos — segunda maior rede de farmácias do Brasil — firmou parceria com a Merck para disponibilizar mais de 1 milhão de exames gratuitos em unidades da Pague Menos.
A campanha começou em maio e terá duração de 12 meses. Os exames servem para identificar alterações nos níveis de glicose no sangue, ampliando o acesso à detecção e aos cuidados com a saúde metabólica.
Além da testagem gratuita, a iniciativa disponibiliza ações educativas e orientação profissional, estimulando hábitos de cuidado com a saúde que contribuem para a prevenção da doença.
Para ter acesso ao serviço, basta entrar no site do movimento “Antes que Vire” e realizar o teste de risco. A pessoa será classificada em um dos dois perfis definidos pela iniciativa e, então, poderá se dirigir a uma das lojas físicas participantes. Os perfis ajudam a classificar quem apresenta alto risco de desenvolver o pré-diabetes e quem já possui outras comorbidades, mas ainda não tem diabetes tipo 2.
O exame é feito na hora, sem necessidade de agendamento e com o diagnóstico imediato, assim como a orientação dos farmacêuticos responsáveis pela interpretação do resultado e pelos cuidados recomendados, que podem incluir o agendamento médico. Algumas lojas também oferecerão materiais educativos relacionados à prevenção das doenças.
A relação das unidades participantes também está disponível no site do movimento.
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