O que é insuficiência renal crônica? Conheça sintomas, causas e tratamento
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São Paulo - A morte de Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores novelistas da história da televisão brasileira e autor de sucessos como "Pantanal" e "O Rei do Gado", aos 95 anos, trouxe à tona o debate sobre a insuficiência renal crônica. O autor faleceu em decorrência de complicações dessa condição, com a qual havia sido diagnosticado em 2023.
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O que é a insuficiência renal crônica?
Atualmente denominada pelos especialistas como doença renal crônica (DRC), trata-se de uma condição em que os rins perdem sua capacidade de funcionar adequadamente por um longo período.
O coordenador do Centro Especializado em Nefrologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Américo Cuvello Neto, explica que os rins possuem funções vitais que vão além de filtrar o sangue: eles eliminam toxinas, equilibram líquidos e minerais, ajudam no controle da pressão arterial e são essenciais para a saúde óssea e a produção de glóbulos vermelhos. Quando os rins começam a ser comprometidos, essas funções são reduzidas.
Ele esclarece também que a condição é confirmada quando a redução da função ou sinais de danos renais persistem por, no mínimo, três meses.
"A insuficiência é definida quando há redução da função renal, medida por um exame chamado creatinina, que pode estimar o percentual de funcionamento dos rins, ou sinais de dano nos rins, como presença de proteína na urina", adiciona Neto.
O que causa a insuficiência renal?
As causas mais comuns no mundo todo são o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Outros fatores incluem obesidade, doenças hereditárias, como cistos nos rins, inflamações e o uso prolongado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios.
O envelhecimento também é um fator que influencia o desenvolvimento da doença.
"O envelhecimento da população mundial é uma das razões pelas quais essa condição está se tornando mais comum, já que idosos têm maior probabilidade de apresentar os principais fatores de risco", diz o especialista do Oswaldo Cruz.
A médica nefrologista e gerente médica corporativa da Fresenius Medical Care, Lectícia Barbosa Jorge, reforça que, embora a idade traga uma redução natural da função renal, o envelhecimento não é uma causa isolada, mas um fator de risco devido ao acúmulo de outras doenças ao longo da vida.
Por que a doença é considerada "silenciosa"?
A DRC é frequentemente chamada de doença silenciosa porque, em suas fases iniciais, a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. Muitas pessoas só descobrem o problema por meio de exames de rotina. Segundo Lectícia Jorge, os sintomas costumam aparecer apenas quando a doença já está avançada, podendo incluir:
- Urina espumosa e inchaço nas pernas e pés;
- Fadiga, fraqueza e falta de ar;
- Náuseas, perda de apetite e gosto metálico na boca;
- Coceira na pele e dificuldade de concentração.
Insuficiência renal crônica pode levar à morte?
Sim. No entanto, Lectícia Jorge explica que a principal causa de óbito nesses pacientes não costuma ser a falência dos rins em si, mas as complicações cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O motivo é que a doença renal acelera o desgaste das artérias e aumenta o risco cardíaco de forma importante. Em estágios terminais sem tratamento, o acúmulo de toxinas e potássio pode gerar arritmias fatais e edema pulmonar.
Como é o tratamento e como se prevenir?
Os especialistas apontam que o tratamento moderno vive uma mudança de paradigma, com novos medicamentos — como os inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 — que retardam significativamente a perda da função renal e reduzem riscos cardíacos.
Quando a doença atinge estágios muito avançados, torna-se necessária a terapia renal substitutiva, como a diálise ou o transplante renal.
Para prevenir a condição ou evitar que ela piore, os especialistas recomendam:
- Controle rigoroso do diabetes e da pressão arterial;
- Manter um peso saudável e praticar exercícios;
- Evitar a automedicação, principalmente de anti-inflamatórios;
- Reduzir o consumo de sal e evitar o cigarro.
- Exames de rotina: pessoas de risco devem realizar periodicamente a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina.
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