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O que é insuficiência renal crônica? Conheça sintomas, causas e tratamento

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A insuficiência renal crônica acontece quando os rins perdem sua capacidade de funcionar adequadamente por um longo período - Adobe Stock
A insuficiência renal crônica acontece quando os rins perdem sua capacidade de funcionar adequadamente por um longo período
Por Emanuele Almeida

08/07/2026 | 16h47

São Paulo - A morte de Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores novelistas da história da televisão brasileira e autor de sucessos como "Pantanal" e "O Rei do Gado", aos 95 anos, trouxe à tona o debate sobre a insuficiência renal crônica. O autor faleceu  em decorrência de complicações dessa condição, com a qual havia sido diagnosticado em 2023.

O que é a insuficiência renal crônica?

Atualmente denominada pelos especialistas como doença renal crônica (DRC), trata-se de uma condição em que os rins perdem sua capacidade de funcionar adequadamente por um longo período.

O coordenador do Centro Especializado em Nefrologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Américo Cuvello Neto, explica que os rins possuem funções vitais que vão além de filtrar o sangue: eles eliminam toxinas, equilibram líquidos e minerais, ajudam no controle da pressão arterial e são essenciais para a saúde óssea e a produção de glóbulos vermelhos. Quando os rins começam a ser comprometidos, essas funções são reduzidas. 

Ele esclarece também que a condição é confirmada quando a redução da função ou sinais de danos renais persistem por, no mínimo, três meses.

"A insuficiência é definida quando há redução da função renal, medida por um exame chamado creatinina, que pode estimar o percentual de funcionamento dos rins, ou sinais de dano nos rins, como presença de proteína na urina", adiciona Neto. 

O que causa a insuficiência renal?

As causas mais comuns no mundo todo são o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Outros fatores incluem obesidade, doenças hereditárias, como cistos nos rins, inflamações e o uso prolongado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios.

O envelhecimento também é um fator que influencia o desenvolvimento da doença.

"O envelhecimento da população mundial é uma das razões pelas quais essa condição está se tornando mais comum, já que idosos têm maior probabilidade de apresentar os principais fatores de risco", diz o especialista do Oswaldo Cruz. 

A médica nefrologista e gerente médica corporativa da Fresenius Medical Care, Lectícia Barbosa Jorge, reforça que, embora a idade traga uma redução natural da função renal, o envelhecimento não é uma causa isolada, mas um fator de risco devido ao acúmulo de outras doenças ao longo da vida.

Por que a doença é considerada "silenciosa"?

A DRC é frequentemente chamada de doença silenciosa porque, em suas fases iniciais, a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. Muitas pessoas só descobrem o problema por meio de exames de rotina. Segundo Lectícia Jorge, os sintomas costumam aparecer apenas quando a doença já está avançada, podendo incluir:

  • Urina espumosa e inchaço nas pernas e pés;
  • Fadiga, fraqueza e falta de ar;
  • Náuseas, perda de apetite e gosto metálico na boca;
  • Coceira na pele e dificuldade de concentração.

Insuficiência renal crônica pode levar à morte?

Sim. No entanto, Lectícia Jorge explica que a principal causa de óbito nesses pacientes não costuma ser a falência dos rins em si, mas as complicações cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O motivo é que a doença renal acelera o desgaste das artérias e aumenta o risco cardíaco de forma importante. Em estágios terminais sem tratamento, o acúmulo de toxinas e potássio pode gerar arritmias fatais e edema pulmonar.

Como é o tratamento e como se prevenir?

Os especialistas apontam que o tratamento moderno vive uma mudança de paradigma, com novos medicamentos — como os inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 — que retardam significativamente a perda da função renal e reduzem riscos cardíacos.

Quando a doença atinge estágios muito avançados, torna-se necessária a terapia renal substitutiva, como a diálise ou o transplante renal.

Para prevenir a condição ou evitar que ela piore, os especialistas recomendam:

  • Controle rigoroso do diabetes e da pressão arterial;
  • Manter um peso saudável e praticar exercícios;
  • Evitar a automedicação, principalmente de anti-inflamatórios;
  • Reduzir o consumo de sal e evitar o cigarro.
  • Exames de rotina: pessoas de risco devem realizar periodicamente a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. 

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