Plástico: 33% das embalagens são impossíveis de reciclar, diz estudo da USP
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São Paulo - Muitas pessoas separam o lixo em casa, limpam as embalagens e as colocam no "cesto" de recicláveis com a consciência tranquila. Mas pouca gente sabe que, mesmo com todo esse cuidado, uma parcela significativa desse material nunca será transformada em algo novo.
A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a partir de materiais coletados em três cooperativas da Região Metropolitana de São Paulo.
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Segundo o levantamento, cerca de 33% das embalagens plásticas coletadas por sistemas de triagem são, na verdade,"rejeitos". Ou seja, acabam em aterros sanitários por serem tecnicamente impossíveis ou economicamente inviáveis de reciclar.
Um erro que não é só do consumidor
O professor José Alejandro Amaral, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e coordenador do estudo, explica que o problema muitas vezes começa no desenho do produto. Para ele, a frustração do consumidor ao saber que seu esforço pode ser em vão é compreensível, mas aponta para uma falha sistêmica.
Muitas vezes, o consumidor olha para o símbolo de reciclagem e acredita que aquele item terá uma vida nova. No entanto, o que vemos na prática é que o design de muitas embalagens prioriza o marketing e a conservação, mas ignora o fim da linha."
Ele explica que a complexidade dos materiais é o maior entrave, pois quando temos diferentes tipos de plástico em uma única embalagem, ou camadas metálicas e colas de difícil remoção temos algo que as cooperativas não conseguem processar de forma lucrativa.
O design "invisível"
Muitas embalagens modernas são eficientes para conservar alimentos, mas criam um "quebra-cabeça" impossível para as máquinas de reciclagem e para os catadores.
Segundo a pesquisa, itens como sachês de molhos, embalagens de café e salgadinhos são os mais críticos devido à sua composição multicamada.
O impacto no ecossistema de reciclagem
De acordo com o estudo, o acúmulo desses materiais gera um custo alto para as cooperativas. Elas perdem tempo triando algo que não tem valor de mercado e ainda precisam arcar com o transporte desse rejeito.
O professor Amaral reforça que a solução precisa passar por uma mudança na mentalidade industrial, e não apenas por colocar a responsabilidade no cidadão.
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O pesquisador defende que as empresas adotem o chamado 'design para a reciclagem', simplificando os materiais para que a economia possa circular realmente e funcione.
Como consumir de maneira mais consciente?
Alguns cuidados podem ser tomados a partir de uma simples mundança no hábito de comprar:
- Priorize embalagens simples.
- Prefira produtos com um único tipo de plástico (como garrafas PET transparentes).
- Evite o "excesso": Fuja de produtos com camadas desnecessárias de plástico e papelão.
- Apoie marcas com logística reversa: Verifique se a empresa possui pontos de coleta específicos para seus produtos mais complexos.
A reciclagem é fundamental, mas a redução do uso de plásticos complexos é urgente. Menos misturas de materiais e maior transparência sobre a reciclabilidade de cada item são passos essenciais para que o planeta respire melhor.
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