Polilaminina: saiba o que é, como funciona e em qual fase estão os estudos
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São Paulo, 23/02/2026 - Uma molécula experimental chamada polilaminina tem ganhado grande repercussão nacional no campo da saúde. O motivo para tanto destaque é a possibilidade de a substância atuar na regeneração do sistema nervoso central, um dos maiores desafios enfrentados pela medicina atual devido à escassez de alternativas de tratameto eficazes para lesões medulares.
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O que é a polilaminina e como ela age no corpo?
A polilaminina é uma substância estruturada em laboratório derivada da laminina, que é uma proteína já existente no organismo humano responsável por ajudar na organização e sustentação dos tecidos. No corpo de um paciente com lesão neural, a proposta é que essa molécula atue como um verdadeiro “andaime biológico”.
Na prática, ela tenta reproduzir um ambiente organizado e propício para dar suporte aos neurônios lesionados, estimulando-os a crescerem novamente e a restabelecerem suas conexões perdidas.
A pesquisa, iniciada há quase três décadas e liderada pela bióloga Tatiana Sampaio na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), resultou na criação laboratorial da polilaminina a partir da placenta humana e demonstrou resultados animadores em estudos pré-clínicos e em aplicações experimentais em oito pacientes.
Quais são os resultados iniciais?
Os estudos iniciais e testes laboratoriais indicam que a polilaminina possui o potencial de favorecer o crescimento neuronal. A repercussão do tratamento aumentou consideravelmente após relatos individuais de pacientes que apontaram uma possível melhora clínica, incluindo o retorno da sensibilidade e até mesmo de movimentos voluntários poucas semanas após a aplicação da molécula.
Apesar do otimismo gerado pela pesquisada liderada por Tatiana Sampaio, especialistas como a bióloga professora de biomedicina e enfermagem do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Lélia Leoi Romeiro, alertam que esses resultados preliminares e relatos individuais ainda não são suficientes para atestar uma eficácia clínica definitiva.
Em que fase estão os estudos?
A pesquisa é desenvolvida no Brasil e, neste momento, a substância se encontra em fase de investigação e avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou em janeiro o início do estudo clínico de fase 1 para avaliação de segurança do uso da polilaminina para o tratamento de trauma raquimedular agudo.
Dessa forma, para que o uso clínico seja aprovado, ainda é necessário que a segurança e a eficácia da polilaminina sejam comprovadas por meio de estudos clínicos amplos e controlados.
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A Anvisa exige uma documentação técnica bastante detalhada, que inclui dados estatísticos robustos e provas de biossegurança. O caminho científico entre o sucesso em laboratório e a aprovação para uso em humanos é longo.
“Muitas moléculas apresentam excelente desempenho em modelos experimentais, mas podem enfrentar dificuldades quando testadas em humanos. Em alguns casos, a eficácia observada inicialmente não se confirma; em outros, surgem efeitos adversos inesperados”, explica Romeiro.
A pesquisa já é considerada um avanço significativo que fortalece a ciência nacional e amplia os debates sobre terapias regenerativas. Contudo, a professora do Ceub aponta que ainda é preciso cautela:
A polilaminina é promissora porque tenta reproduzir, de forma organizada, o ambiente necessário para que as células nervosas voltem a crescer. No entanto, segurança e eficácia precisam ser confirmadas em estudos clínicos amplos e controlados”.
A polilaminina, por ora, representa uma possibilidade em construção e não uma solução definitiva, devendo ser acompanhada com interesse, mas com a cautela exigida pelos rigorosos processos da ciência.
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