Por que o oxímetro de dedo é menos preciso em pessoas de pele escura?
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16/01/2026 | 08h13
São Paulo, 15/01/2025 - O oxímetro de dedo usado para indicar a saturação de oxigênio no sangue tem um desempenho inferior ao seu usado em pessoas com tom de pele mais escura. É o que diz uma pesquisa publicada nesta semana revista científica British Medical Journal (The BMJ).
O estudo atestou que os oxímetros tendem a superestimar a saturação de oxigênio neste grupo, fator que pode levar à não identificação de oxigenação baixa.
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Realizada em 24 unidades de terapia intensiva, a análise foi feita focando em pacientes gravemente enfermos e usando um equipamento para medir o tom de pele de forma objetiva, chamado de espectrofotômetro, que evita classificações subjetivas. No total, foram avaliadas mais de 11 mil medições de oxigênio no sangue.
O que é um oxímetro?
Um oxímetro de dedo é uma das tecnologias médicas mais utilizadas, sendo essencial para medir a saturação de oxigênio no sangue. Ele é uma ferramenta importante para a triagem de pacientes, para decidir sobre a prescrição de oxigenoterapia e para estabelecer limiares de tratamento em diversas condições.
Onde está o erro?
A falha de precisão baseada na cor da pele não é uma descoberta nova. O problema foi notado pela primeira vez em 1990 e "redescoberto" durante a pandemia de covid-19. Enquanto estudos anteriores eram retrospectivos e geravam ceticismo, a nova pesquisa avaliou dispositivos usados pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra em nas UTIs.
A raiz do problema reside em uma falha histórica no design e na regulamentação dos dispositivos. A pesquisa aponta que os estudos iniciais para o desenvolvimento dos oxímetros foram falhos, baseando-se em pequenos grupos de voluntários saudáveis que eram, predominantemente, de pele clara. Além disso, os padrões regulatórios por décadas não exigiram diversidade étnica nos testes nem transparência nos relatórios por tom de pele.
Devido a esse histórico, os dispositivos atuais não foram calibrados para lidar com a variabilidade da pigmentação da pele. Isso porque, o oxímetro utiliza dois comprimentos de onda de luz: vermelha e infravermelha. Em pessoas com pele retinta, a melanina absorve parte dessa luz, o que pode confundir o sensor do aparelho, fazendo-o acreditar que há mais oxigênio no sangue do que realmente existe.
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Quais são as consequências?
As implicações clínicas dessa imprecisão são graves. Durante a pandemia de covid-19, pacientes com pele escura chegavam aos hospitais em estados mais graves de saúde. Como a elegibilidade para tratamentos essenciais, como a dexametasona, que reduz a mortalidade em quase 20%, dependia da comprovação de oxigenação baixa, as leituras falsamente elevadas dos oxímetros funcionaram como uma barreira, restringindo o acesso a medicamentos que salvam vidas.
Além da covid-19, o erro de medição pode atrasar o tratamento em emergências cardiorrespiratórias, crises de anemia falciforme e insuficiência respiratória crônica. O cenário é ainda mais crítico em regiões de poucos recursos, onde a oximetria de pulso é, muitas vezes, o único meio disponível para avaliar a oxigenação do paciente.
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