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Professora brasileira viaja à Suíça para procedimento de morte assistida

Reprodução/Instagram via @celiamariacassiano

Célia Maria Cassiano morreu na última quarta-feira, 15, em Zurique, na Suíça - Reprodução/Instagram via @celiamariacassiano
Célia Maria Cassiano morreu na última quarta-feira, 15, em Zurique, na Suíça
Por Pedro Marques

18/04/2026 | 17h10

São Paulo - A professora brasileira Célia Maria Cassiano morreu na última quarta-feira, 15, em Zurique, na Suíça, após optar pelo procedimento de morte assistida. Ela havia sido diagnosticada com atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença degenerativa que afeta os neurônios motores e provoca a perda gradual dos movimentos. Diante do avanço da doença, decidiu encerrar a própria vida.

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Formada em Ciências Sociais, com mestrado em Multimeios pela Unicamp, Célia construiu carreira na área de artes, atuando como educadora no Sesc e na Esamc, em Campinas (SP).

O diagnóstico veio cerca de um ano e meio atrás. Desde então, ela passou a usar as redes sociais como espaço de troca e relato, mostrando o dia a dia com a doença e os desafios impostos pela perda progressiva da mobilidade.

A AMP compromete os movimentos do corpo, mas preserva as funções cognitivas. Com o tempo, a autonomia do paciente diminui, podendo levar à dependência total de cuidados — situação que Célia já enfrentava.

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Em um vídeo publicado em dezembro de 2025, ela descreveu o impacto da condição:

É uma doença incapacitante, progressiva. Eu vivo meus piores pesadelos, porque não sei como estarei amanhã. Você fica presa dentro do próprio corpo, enquanto ele vai perdendo os movimentos.”

A rotina também mudou drasticamente. Em outro relato, a professora comentou a limitação da vida social: “Consigo sair às vezes, dependendo da disponibilidade de quem me convida. Na maior parte do tempo, estou com cuidadores e profissionais de saúde, pessoas que estou pagando para cuidar de mim."

Despedida

Em março, ao perceber alterações na voz, Célia formalizou um documento de Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), deixando registrado que não queria se submeter a intervenções invasivas para prolongar a vida.

No dia 11 de abril, ela publicou fotos em Zurique, dizendo a amigos que viajaria para participar de um tratamento experimental. Dias depois, revelou o verdadeiro motivo: realizar o suicídio assistido. Segundo contou, o processo foi planejado ao longo de sete meses com o apoio de uma ONG especializada.

Antes do procedimento, Célia gravou um vídeo de despedida explicando sua escolha. Disse que a decisão foi tomada após muita reflexão e destacou o desejo de evitar o agravamento do sofrimento físico e a perda total de independência.

“Vou ter duas enfermeiras ao meu lado e não vou sentir dor. Estou no limite da minha dignidade. Vivi uma vida deliciosa e esses últimos dias aqui foram os melhores. Daqui a pouco vou descansar para sempre, como todos nós vamos”, afirmou.

Proibição no Brasil

Na Suíça, o suicídio assistido é permitido, desde que não haja motivação egoísta de terceiros e que o paciente manifeste, de forma consciente, a vontade de morrer. O processo inclui avaliação médica e acompanhamento por instituições especializadas.

No Brasil, a prática é proibida. O Código Penal considera crime prestar auxílio ao suicídio, com pena de reclusão. Por outro lado, a legislação permite a ortotanásia — quando tratamentos que prolongam artificialmente a vida são interrompidos em pacientes terminais, priorizando cuidados paliativos.

Nos últimos anos, pessoas com doenças graves têm buscado países onde o procedimento é legalizado. O acesso, porém, envolve custos altos e uma série de exigências legais.

Ao tornar sua decisão pública, Célia acabou incentivando o debate sobre a morte assistida no Brasil. “Lutem por esse direito no Brasil, uma lei que permita uma escolha para quem assim desejar”, disse em sua mensagem final.

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