Saiba o que é a ELA, doença que vitimou o ator Eric Dane, de Grey's Anatomy
Reprodução/Instagram @ericdane
São Paulo, 20/02/2026 - A morte do ator Eric Dane, aos 53 anos, na última quinta-feira, 19, trouxe à tona as complicações do diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Conhecido mundialmente por dar vida ao Dr. Mark Sloan na série médica "Grey's Anatomy", Dane havia tornado público o seu diagnóstico e a sua luta contra a doença no ano passado.
Leia também: Morre Eric Dane, ator de 'Grey’s Anatomy' e 'Euphoria', aos 53 anos
A partida do artista comoveu os fãs não apenas pela perda, mas por uma triste coincidência: o falecimento ocorreu exatamente 20 anos após a exibição do episódio em que seu personagem estreou na televisão, em 19 de fevereiro de 2006. No entanto, mais do que a despedida de um ícone da cultura pop, o caso do ator serve como uma base importante para o alerta e a conscientização sobre a gravidade da ELA.
O que é ELA?
O neurologista e professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Daniel Yankelevich, explica que a esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva, ou seja, que causa a perda de neurônios ao longo do tempo. Segundo o especialista, os neurônios que são perdidos são os neurônios motores e presentes tanto no cérebro quanto na medula.
"Essa perda ocorre principalmente por uma deposição de uma proteína chamada TDP-43 que vai gerar uma reação em cascata e resultar na morte do neurônio. Quando isso ocorre, a pessoa vai tendo fraqueza muscular e atrofia da musculatura", elenca.
O professor da Unifesp também reforça que a perda de neurônio não é igual em todos os locais do corpo ao mesmo tempo.
Ela geralmente começa em um foco, em um uma parte do corpo e depois vai passando para as outras partes. Então, os primeiros sinais costumam ser bem discretos."
Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose lateral amiotrófica é classificada como uma grave doença degenerativa; ela atua diretamente na destruição dos neurônios motores do paciente e leva o paciente a ter paralisação gradual das funções motoras.
Leia também: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) acomete mais entre 55 e 75 anos; como detectar?
Na prática, isso significa que a doença leva à degeneração progressiva das células cerebrais que são responsáveis por controlar o movimento do corpo. Com a evolução do quadro, o paciente perde gradativamente a capacidade de realizar ações motoras básicas como falar, movimentar, engolir e respirar.
O que causa ELA?
As causas exatas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) permanecem desconhecidas, mas a ciência já identifica que cerca de 10% dos casos têm origem em fatores genéticos.
Além da hereditariedade, outras causas em estudo relacionadas à ELA incluem:
- Desequilíbrio químico: níveis elevados de glutamato no cérebro, que se tornam tóxicos para as células nervosas;
- Disfunções autoimunes: quando o sistema de defesa ataca o próprio organismo;
- Manejo proteico: problemas no processamento de proteínas dentro das células.
O professor da Unifesp complementa que em torno de 90% dos casos de ELA são esporádicos, ou seja, não tem a hereditabilidade muito bem estabelecida.
"Nós temos alguns fatores de risco descobertos ao longo do tempo. Exposição a metais pesados, solventes orgânicos, pesticidas. Sabe-se também que traumas cranianos repetidos podem ser fator de risco", reforça.
Os hábitos de vida que podem influenciar no desenvolvimento da doença são o tabagismo e baixo peso, assim como o baixo índice de massa corpórea.
Sintomas
Embora os sintomas da ELA costumem se manifestar após os 50 anos, como visto no caso do ator Eric Dane, a doença também pode acometer pessoas mais jovens. A identificação precoce dos sinais é fundamental para o manejo adequado da condição, embora possam ser menos evidentes.
"Pode ser às vezes uma falta de destreza em uma das mãos, às vezes passa a tropeçar em um dos pés e isso vai evoluindo. Então começa a afetar uma mão, depois pode afetar um pé, depois outro pé e aí outra mão. Pode evoluir e afetar a deglutição, gerar uma dificuldade para engolir e eventualmente dificuldade respiratória", diz o neurologista.
Os principais sinais e sintomas da ELA são:
- Perda gradual de força e coordenação muscular;
- Incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar;
- Dificuldades para respirar e engolir;
- Engasgar com facilidade;
- Babar;
- Gagueira;
- Cabeça caída;
- Cãibras musculares;
- Contrações musculares;
- Problemas de dicção, como uma fala lenta ou anormal;
- Alterações da voz, rouquidão;
- Perda de peso.
Tem cura para ELA?
Não há cura para ELA. De acordo com o Ministério da Saúde, embora o óbito ocorra, em média, entre três e cinco anos após o diagnóstico, cerca de 25% dos pacientes superam a marca de cinco anos de sobrevivência. Atualmente, o tratamento é composto por medicamentos e suporte multidisciplinar, de caráter paliativo. O objetivo central é retardar a evolução da doença e assegurar a melhor qualidade de vida possível diante da progressão inevitável da doença.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
