Queda em idosos não pode ser vista como normal; veja cuidados dentro de casa
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São Paulo - Aos 81 anos, a médica neurologista Maria Helena Estrela mantém uma rotina ativa, ela trabalha no Institulo Médico Legal de São Paulo, mas no trajeto e mesmo dentro de casa fica vigilante. “Eu tenho receio de tropeçar, de escorregar e já sei que não posso perder nem as placas nem os parafusos”, revela, referindo-se às próteses que possui nos dois quadris.
Esse temor é compartilhado por grande parte da população idosa brasileira: quatro em cada dez idosos em áreas urbanas têm medo de cair devido a defeitos nas calçadas. O índice salta para 70% entre mulheres com 80 anos ou mais. O estudo do ELSI-Brasil confirma que a preocupação é real, já que 20,9% dos idosos sofreram ao menos uma queda nos últimos 12 meses.
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Esta quarta-feira, 24, marca o Dia Mundial de Prevenção de Quedas. Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluído no Calendário da Saúde do Ministério da Saúde (MS), a data é dedicada ao alerta sobre riscos de quedas para pessoas de todas as idades.
A ponta do iceberg
Diferente do senso comum, cair não é parte inevitável do envelhecimento. A fisioterapeuta e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SC, Núbia Carelli esclarece que, embora o evento ocorra com frequência elevada entre os mais velhos, jamais deve ser naturalizado.
Muitas pessoas mais velhas falam: ‘Ah, eu caí, mas é normal’. Não é normal. É um evento que a gente tem que prestar atenção, que vai sinalizar problemas de equilíbrio ou redução de força muscular”.
Segundo a especialista, o acidente funciona como a “ponta do iceberg”, um alerta de que algo está errado e precisa de investigação profissional imediata. Ela ressalta que o silêncio do idoso após um tombo costuma esconder um receio profundo: o de receber um “carimbo de incapacidade” e ter sua autonomia cerceada por familiares que, movidos pela preocupação, podem passar a restringir as atividades e desejos da pessoa idosa.
Para os filhos, essa realidade traz um peso emocional significativo. Cláudia Estrela (52), filha de Helena, descreve a inversão de papéis como uma "troca estranha", onde ela passa a gerir a vida da mãe em aspectos práticos e tecnológicos.
“Eu percebo que a independência aos poucos vai diminuindo. A pessoa começa a deixar de fazer as coisas e preferir que outra pessoa resolva”, diz Cláudia, ressaltando a frustração que essa dependência gera em ambas as partes. A preocupação é onipresente, especialmente pelo fato de não estar com a mãe 100% do tempo.
Como prevenir queda de idosos dentro de casa
Como 70% das quedas ocorrem dentro do lar, adaptar o ambiente é a estratégia mais eficaz para evitar acidentes graves. Núbia Carelli recomenda intervenções específicas:
- Instalar barras de apoio: corrimão em escadas e barras de apoio em áreas molhadas;
- Melhorar iluminação com sensores de movimento que iluminam o caminho automaticamente à noite;
- Evitar tropeços: retire do caminho tapetes soltos, fios no chão e redobre atenção com animais domésticos, que podem se enroscar nas pernas.
Se houver a oportunidade, o uso de sistemas tecnológicos de assistência complementam os cuidados. Maria Helena conta que há anos com a integração de um sistema de teleassistência que permite que o idoso viva sozinho com a segurança de uma central 24h, a Telehelp.
O fundador-presidente da Telehelp, José Carlos Vasconcellos, destaca o impacto da rede: "A tecnologia vem para estender esse período de autonomia e segurança da pessoa dentro e fora de casa". Para Cláudia, saber que a mãe possui uma pulseira de emergência que aciona vizinhos, zeladores e familiares rapidamente trouxe paz de espírito. "Assim ela consegue manter a independência por mais tempo", afirma.
Adaptação também no estilo
A prevenção contra quedas vai além das reformas na casa; ela pode começar no próprio corpo e no que o idoso veste diariamente. Até roupas comuns podem esconder riscos graves, diz Núbia Carelli:
Quando a gente pensa em vestimentas, a gente também tem que considerar, por exemplo, que saias e calças muito compridas podem atrapalhar o movimento das pernas”.
Outro perigo sazonal são os calçados de descanso usados no frio. “As pantufas elas não se aderem de uma forma adequada no pé. Pode ser que essa pantufa ela fique frouxa e favoreça a ocorrência de quedas”, explica Núbia, recomendando que o calçado seja sempre firme e estável.
Maria Helena seguiu essas orientações de forma radical há mais de duas décadas, priorizando sua segurança em detrimento do seu estilo. “Há mais de 20 anos que eu não gasto um par de sapato de salto”, afirma a médica, que aboliu os saltos ainda jovem por saber que qualquer perda de equilíbrio seria séria no seu caso.
Hoje, prefere tênis, "bem amarradinhos, com borrachinha no solado para não ter perigo de escorregar, de cair, nem nada”. Ela passou a usar mais calças para combinar com os tênis, evitando o risco de tropeçar em saias longas enquanto caminha pela cidade.
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