Recuperar autonomia após os 50 anos é possível, afirmam especialistas
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São Paulo, 24/02/2026 - A perda de autonomia após os 50 anos não é uma consequência irreversível da idade. Segundo especialistas, o sedentarismo é um dos principais fatores por trás da redução da massa muscular, da piora do equilíbrio e da queda na capacidade cardiovascular, elementos diretamente ligados à autonomia.
Mas, mesmo após anos sem praticar exercício físico, é possível recuperar massa muscular e melhorar postura e equilíbrio, com reabilitação.
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De acordo com Vinicius Valverde, médico fisiatra do Grupo Valsa, o envelhecimento traz mudanças biológicas esperadas, como redução progressiva de massa e força muscular, diminuição da densidade óssea, menor elasticidade de tendões e articulações e piora do equilíbrio. Mas há boas notícias, segundo o médico:
Isso é fisiológico, tornar-se dependente não é. A boa notícia é que capacidade funcional responde a estímulo em qualquer idade."
O médico do esporte Lindbergh Barbosa de Souza Mendes, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), reforça que a prática de exercícios traz resultados mesmo para quem passou anos sem praticar atividades físicas.
O corpo se adapta. E mesmo quem ficou muitos anos sem atividade pode recuperar força, disposição e confiança com acompanhamento adequado.”
Segundo ele, o sedentarismo acelera a perda de massa muscular, piora o equilíbrio e reduz a capacidade cardiovascular, fatores que comprometem diretamente a independência funcional.
Dor não é normal
Outro alerta dos especialistas é sobre a naturalização da dor no envelhecimento. Por isso, Valverde defende que a reabilitação não deve ser vista apenas como tratamento após lesões, mas como estratégia de prevenção e otimização da função.
Envelhecer não é sinônimo de dor. O que acontece é que, com o tempo, o corpo fica mais vulnerável a alguns problemas, e a dor é sinal de que algo não vai muito bem. Toda dor precisa ser avaliada."
Já Lindbergh destaca que o condicionamento cardiovascular está diretamente ligado à autonomia. É ele que permite caminhar algumas quadras sem parar, subir escadas com segurança, viajar sem exaustão e manter uma rotina ativa.
"Envelhecer com independência não é questão de sorte. É consequência de escolhas consistentes", afirmou Lindbergh.
Quais exercícios são mais indicados após os 50?
Para manter força e resistência, o ideal é combinar estímulos. Lindbergh aponta três pilares fundamentais:
- Treino de força: musculação ou exercícios resistidos para preservar massa muscular e proteger articulações.
- Exercícios aeróbicos: caminhada, bicicleta, natação ou elíptico para saúde cardiovascular e controle da pressão.
- Treino de equilíbrio e mobilidade: pilates e exercícios funcionais para reduzir o risco de quedas.
Após os 50, o especialista sugere que a ênfase na estética seja reduzida, para que a capacidade funcional e qualidade de vida sejam priorizadas.
Prevenção de quedas
Para a geriatra Márcia Umbelino, preservar a massa muscular também significa preservar a massa óssea. Além da prevenção de quedas, a musculatura impacta no funcionamento do coração, da circulação e da respiração. “Se eu tenho uma boa massa muscular, eu tenho meu organismo funcionando bem”, afirma.
Ela alerta que quedas em idade avançada podem desencadear complicações graves, como fraturas e internações prolongadas, que podem evoluir para quadros fatais.
Doenças começam a aparecer muito mais a partir dos 50 anos, talvez porque a gente esteja com mais da metade do tempo de vida que temos. E passamos mais tempo estragando a saúde do que fazendo prevenção."
Segundo Valverde, a reabilitação ajuda na prevenção de quedas porque trabalha “força, equilíbrio, coordenação e confiança”, pontos que mais falham com o passar dos anos.
Como tornar a casa mais segura
Além do fortalecimento muscular, o ambiente doméstico também precisa ser adaptado para reduzir riscos, segundo Umbelino. Entre as principais medidas preventivas estão:
- Instalação de barras de apoio em banheiros e corredores
- Retirada de tapetes soltos e móveis com quinas pontiagudas
- Uso de sapatos firmes, evitando chinelos soltos
- Meias antiderrapantes para quem levanta à noite
- Boa iluminação, especialmente no trajeto até o banheiro
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