Setembro Lilás: mudanças cognitivas não são apenas ligadas a envelhecimento
Foto: Envato Elements
São Paulo - Esquecimentos e confusões mentais podem parecer apenas sinais do envelhecimento, mas também podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença de Alzheimer e outras formas de demência.
O Setembro Lilás é o mês dedicado à conscientização dessas doenças que se apresentam, principalmente, pela piora cognitiva exacerbada. Apesar das funções cognitivas sofrerem alterações com o avanço da idade, é preciso observar se a autonomia e independência são preservadas.
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“É importante investigar quando a piora cognitiva é exuberante ou quando essa perda cursa com dependência para realizar atividades às quais a pessoa estava acostumada”, diz Ivan Aprahamian, geriatra e psiquiatra, professor livre-docente e diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Os primeiros sinais da doença de Alzheimer, por exemplo, estão relacionados à perda de memória recente. “Em fases iniciais observamos confusões mentais com ocorrências recentes na vida daquela pessoa e desorientações espaciais e temporais”, afirma Aprahamian.
Com a evolução da doença, novas funções cognitivas começam a ser afetadas, incluindo linguagem, orientação, comportamento, planejamento e capacidade de tomar decisões.
Entretanto, nem toda alteração na cognição indica que se trata de uma pessoa com Alzheimer. As funções cognitivas também podem ser afetadas por depressão, transtornos do sono, descompensação de doenças, efeitos de medicamentos, deficiências vitamínicas e até o uso abusivo de álcool.
Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce, assim como em outras condições, também é importante no caso da doença de Alzheimer. Quando identificado nas fases iniciais é possível organizar o cuidado e envolver a família nas decisões relacionadas ao paciente.
O diagnóstico precoce ainda é importante por podermos nos planejar como família. A doença tem um impacto brutal em nossas vidas e exige muita resiliência de todos os envolvidos”, continua o geriatra.
O especialista também afirma que o diagnóstico não deve parar a vida do paciente. Considerando as limitações de cada pessoa, é possível manter uma rotina ativa, que inclua estímulos cognitivos e vínculos sociais.
“Já temos muitas evidências de que as intervenções não farmacológicas são importantes para manutenção da qualidade de vida, da autonomia e da independência, sempre pelo maior tempo possível dentro da capacidade daquela pessoa”, diz Laiss Bertola, psicóloga e neuropsicóloga da SBGG-MG.
Qualidade de vida e cuidados
Após o diagnóstico, feito por profissionais, o cuidado da pessoa com Alzheimer ou demência deve considerar a rotina e bem-estar, além dos aspectos clínicos.
A atuação de uma equipe multidisciplinar de profissionais permite um cuidado mais amplo para o paciente, considerando aspectos como funcionalidade, rotina, relações, ambiente e qualidade de vida.
Devemos ter um olhar que seja realmente mais biopsicossocial da pessoa com demência, no seu ambiente, no seu ecossistema e no seu sistema familiar”, afirma Bertola.
Fatores de Risco
Os cuidados são essenciais mesmo antes de qualquer diagnóstico. Ao longo da vida, é preciso estar atento aos fatores de risco que afetam a saúde cerebral.
Entre eles estão a hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, perda auditiva e baixa atividade intelectual e social, segundo o geriatra.
Tratar esses fatores é fundamental. Sempre colocarmos nosso cérebro para trabalhar, ser desafiado com nossos aprendizados é um bom remédio”, diz Aprahamian.
Setembro Lilás
A doença de Alzheimer e outras demências merecem atenção, especialmente para que o diagnóstico seja feito precocemente, o que possibilita que o próprio paciente defina seus cuidados e sua nova rotina.
“Precisamos perder o medo do diagnóstico: ele não representa o fim da vida, mas o início de uma nova forma de cuidar, olhando não apenas para a doença, mas para a pessoa, sua história, seus vínculos e suas escolhas”, afirma Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta especialista em gerontologia, da SBGG.
A campanha do Setembro Lilás reforça a necessidade de falar sobre essas condições, ensina a população a reconhecer os primeiros sinais e orienta pacientes e redes de apoio que lidam com essas condições.
(Por Mariana Pacheco, especial para o VIVA)
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