Estilo de vida saudável pode reduzir risco de Alzheimer e outras demências
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São Paulo - A prevenção do Alzheimer começa muito antes dos primeiros esquecimentos. Hábitos como controlar a pressão arterial, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, dormir bem e permanecer socialmente ativo podem reduzir o risco de desenvolver esse e outros tipos de demência ao longo da vida.
A avaliação é do neurologista cognitivo Bryan Woodruff, da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, que falou na última semana a jornalistas da América Latina durante uma coletiva de imprensa internacional promovida pela instituição.
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Segundo o especialista, as evidências científicas mostram que o cérebro acompanha o estado de saúde do restante do organismo, especialmente do sistema cardiovascular.
Tratar a pressão alta, controlar o colesterol, praticar exercícios regularmente e manter a mente ativa provavelmente trará dividendos importantes para a saúde cerebral à medida que você envelhece."
Embora o Alzheimer tenha causas genéticas e sofra influencia do acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau no cérebro, Woodruff explicou que a doença envolve diversos mecanismos biológicos e que alterações nos pequenos vasos sanguíneos cerebrais, microinfartos silenciosos e outros fatores vasculares também contribuem para o declínio cognitivo, reforçando a importância da prevenção.
Alzheimer e demência são a mesma coisa?
Woodruff esclareceu que demência é um termo que engloba diferentes doenças neurodegenerativas, sendo o Alzhimer a forma mais frequente. "O Alzheimer representa 75% ou mais da demência que vemos na prática clínica", explicou.
Segundo ele, a maioria dos pacientes procura atendimento após perceber perda de memória, dificuldade para encontrar palavras ou alterações progressivas do raciocínio.
A investigação do caso inclui entrevista no consultório médico, testes cognitivos, exame neurológico, exames laboratoriais e de imagem e, quando necessário, avaliação neuropsicológica. Nos últimos anos, porém, o diagnóstico ganhou um aliado importante, reitera o médico:
"Agora temos exames de sangue que utilizamos para verificar a doença de Alzheimer em indivíduos que estão apresentando problemas de pensamento", explicou.
Segundo o neurologista, os exames para rastrear biomarcadores permitem identificar a doença com elevada precisão antes mesmo do avanço da doença, algo que até poucas décadas atrás só era possível confirmar após a morte do paciente.
Fatores de risco podem ser modificados
Além da predisposição genética, diversos fatores relacionados ao estilo de vida influenciam o risco de desenvolver demência.
Woodruff destacou alguns fatores que ajudam a proteger o cérebro:
- controlar hipertensão, diabetes e colesterol
- abandonar o cigarro
- ter sono de qualidade
- evitar o consumo excessivo de álcool
- praticar atividade física
- manter uma alimentação saudável
- preservar a audição e a visão
- continuar aprendendo ao longo da vida.
O neurologista também ressaltou a importância da chamada reserva cognitiva, construída por meio da escolaridade e do aprendizado contínuo. Pessoas que permanecem intelectualmente estimuladas desenvolvem redes neurais mais resistentes aos efeitos das doenças neurodegenerativas, explicou
Segundo ele, estudos sugerem que uma parcela expressiva dos casos poderia ser evitada com a redução desses fatores de risco.
Existem artigos provocativos que afirmam que, se fôssemos melhores em abordar todos esses fatores de estilo de vida, poderíamos prevenir cerca de 45% dos casos de demência."
Casos de demência estão crescendo
O envelhecimento da população tem ampliado rapidamente o número de pessoas com demência em todo o mundo. Para Woodruff, esse cenário exige mudanças na organização da assistência.
"Não há especialistas suficientes para atender todos os casos", afirmou. "Uma das grandes áreas de foco é melhorar o acesso ao atendimento e permitir que médicos de cuidados primários participem da avaliação e do cuidado desses indivíduos."
Ele observou ainda que parte do aumento dos diagnósticos também decorre da evolução das ferramentas diagnósticas. No passado, muitos casos eram atribuídos apenas ao envelhecimento ou à chamada senilidade, sem que a doença fosse identificada ainda nos estágios iniciais.
Novos medicamentos para Alzheimer
Questionado pelo VIVA sobre medicamentos recentes que prometem tratar o Alzheimer em nessa fase inicial, Woodruff afirmou que representam um avanço importante, mas com limitações. "Esses tratamentos são caros e, infelizmente, não são acessíveis para muitos pacientes".
Além do custo elevado, os medicamentos exigem monitoramento clínico rigoroso e, atualmente, são administrados por infusão intravenosa. Segundo ele, alguns tipos de terapias, como donepezila e memantina, continuam sendo utilizadas para aliviar sintomas, enquanto os novos anticorpos conseguem retardar modestamente a progressão da doença ao remover placas de beta-amiloide do cérebro.
Apesar dos avanços recentes, Woodruff ressaltou que os tratamentos disponíveis atacam apenas parte do processo neurodegenerativo. Diversos estudos procuram desenvolver medicamentos capazes de atuar também sobre a proteína tau, reduzir a inflamação cerebral e preservar o metabolismo dos neurônios.
Outra linha promissora investiga o tratamento de pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas já possuem biomarcadores compatíveis com a doença. "Os tratamentos que atuam sobre o amiloide são apenas o primeiro passo. Estamos entrando em uma era em que seremos capazes de fazer mais para ajudar os pacientes e suas famílias", concluiu.
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