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Surto do vírus Nipah na Índia pode chegar ao Brasil? Infectologista explica

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O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro) - Adobe Stock
O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro)
Por Estadão Conteúdo

28/01/2026 | 12h19

São Paulo, 28/01/2026 - A Índia enfrenta um novo surto do vírus Nipah que tem afetado países na Ásia desde que foi descoberto, em 1999. Cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena no estado indiano de Bengala Ocidental depois que dois profissionais de saúde foram tratados no início de janeiro após contraírem o vírus.

O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro). É transmitido entre humanos e também de animais como morcegos e porcos. A infecção também pode ser transmitida por alimentos contaminados e pelo contato com pessoas infectadas. Atualmente não há vacina ou cura e a letalidade entre os infectados varia de 40% a 75%.

Leia também: Como é transmitido o vírus Nipah? Pode chegar ao Brasil? Tire suas dúvidas

Em entrevista à Rádio Eldorado, o infectologista Jean Gorinchteyn, ex-secretário estadual da Saúde de São Paulo, disse que o vírus preocupa, mas não deve gerar alarme. "Não vimos nenhuma saída dele para além dessa região", ressaltou.

Segundo Kamilla Moraes, infectologista da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita, existe uma preocupação em relação a surtos e disseminação mundial de infecções por conta da globalização, mas, no Brasil, não houve nenhum caso registrado de infecção pelo vírus.

Para ela, o momento é de atenção às medidas que serão tomadas pelas autoridades sanitárias, mas também há a percepção de que, até o momento, não há motivo para preocupação. “No Brasil, não há nenhum alerta, mas é um momento de atenção.”

Infecção fatal

Autoridades sanitárias da Índia confirmaram, no último dia 13, dois casos de infecção pelo vírus Nipah. Duas enfermeiras de um mesmo hospital indiano estão internadas com um quadro de inflamação do cérebro (encefalite) que progrediu rapidamente e insuficiência respiratória.

A infecção, definida pelas autoridades indianas como “altamente fatal, mas de propagação limitada”, integra a lista de prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu potencial de causar uma emergência de saúde pública. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%.

O Ministério da Saúde indiano afirmou que “ações coordenadas imediatas foram iniciadas; apoio laboratorial, vigilância reforçada, gestão de casos, medidas de controle de infecção e orientação especializada foram mobilizados”.

Como é transmitido o vírus Nipah?

O vírus Nipah é transmitido aos seres humanos por animais, por alimentos contaminados ou diretamente de pessoa por pessoa, por meio de contato próximo e fluidos corporais ou gotículas respiratórias, especialmente em moradores da mesma residência e em hospitais e unidades de saúde.

Os hospedeiros naturais são morcegos da família Pteropodidae, embora outros animais, como porcos e cavalos, também possam ser infectados. Além do contato com animais infectados e seus fluidos, um dos principais riscos para a transmissão da doença para humanos se dá pelo consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva dos morcegos infectados, já que as espécies hospedeiras são frugívoras.

Quais os sintomas do vírus Nipah?

O Nipah pode causar desde infecções assintomáticas (subclínicas) até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal.

Entre os principais sintomas estão: febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dificuldade respiratória e vômitos. A infecção pode evoluir para encefalite com sonolência, confusão, convulsões e coma em um intervalo de 24 a 48 horas.

O vírus também pode causar doenças graves em animais, como porcos, resultando em perdas econômicas significativas.

Como a doença é tratada?

Não existem, até momento, vacinas, medicamentos ou tratamentos licenciados para a infecção pelo vírus Nipah. As pessoas devem seguir as normas de higiene das mãos, evitar contato com morcegos ou porcos doentes e seus abrigos, e evitar seiva crua de palmeiras e frutas potencialmente contaminadas.

Uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde é para higienizar e checar as frutas, (verificar) se tem algum sinal de mordida de morcego e retirar a casca”, diz Kamilla Moraes, infectologista da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita.

“O tratamento é só suporte para quem adquire o vírus. Não tem nenhuma medida preventiva farmacológica”, acrescenta a infectologista.

Muitos pacientes se recuperam totalmente, mas aproximadamente 20% ficam com sequelas neurológicas, como transtorno convulsivo e alterações de personalidade. Um pequeno número de pacientes sofre recaídas ou desenvolve encefalite de início tardio.

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