Americano escala prédio de 101 andares sem proteção; veja
Reprodução Netflix
Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 28/01/2026 - Na manhã do último domingo (25/01), o alpinista americano Alex Honnold escalou, sem cordas ou qualquer equipamento de proteção, o Taipei 101, edifício de 101 andares e 508 metros de altura, em Taiwan.
A ascensão levou cerca de uma 1h30 sendo transmitida ao vivo pela Netflix para uma audiência global. A iniciativa, inédita em ambiente urbano sem uso de segurança, teve autorização das autoridades locais e marcou a primeira grande escalada “free solo” de Honnold em uma estrutura criada pelo homem.
Segundo o jornal americacano The Washington Post, conhecido mundialmente por escalar paredões naturais sem corda, Honnold ganhou projeção internacional em 2017 ao subir o El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite, façanha registrada no documentário Free Solo.
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Desta vez, a escalada foi um prédio financeiro. Inspirado no formato do bambu, o Taipei 101 é um dos edifícios mais icônicos da Ásia e já foi o mais alto do mundo.
A escalada começou pouco depois das 9h da manhã, horário local, após ter sido adiada no dia anterior devido ao mau tempo.
Durante o percurso, Honnold escalou com as mãos cobertas de magnésio, sem luvas, conversou com o público da transmissão e acenou para pessoas que o observavam de dentro do prédio.
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Ao alcançar o topo, tirou uma selfie, colocou um arnês para descer alguns andares até uma plataforma e abraçou a esposa. Sendo a escalada solo livre mais alta já realizada em uma estrutura urbana.
Planejamento e controle
Embora a imagem transmitida fosse de improviso e ousadia, a operação envolveu meses de planejamento.
O governo de Taipei realizou mais de 30 reuniões com dezenas de órgãos públicos, incluindo serviços de emergência, controle de tráfego, meteorologia e aviação.
A produção do evento também elaborou protocolos rígidos para evitar riscos a pedestres, operadores de câmera e ao próprio atleta.
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Honnold relatou que os momentos mais tensos foram os iniciais, ao sair do solo, e o contato com áreas escorregadias da fachada, afetadas pela fuligem dos fogos de artifício do Ano Novo.
Ainda assim, afirmou que o risco real de lesão era mínimo, argumento que costuma repetir ao comparar sua atividade com esportes profissionais tradicionais.
ALEX HONNOLD AFTER COMPLETING HIS FREE SOLO OF TAIPEI 101: "Sick."
— Netflix (@netflix) January 25, 2026
The 101 story climb took 1 hour and 35 minutes #SkyscraperLIVE pic.twitter.com/TIzeRqiUcM
Esportes radicais urbanos em destaque
A escalada reacendeu o interesse por modalidades que utilizam a cidade como cenário. Entre as mais conhecidas estão o skate, que hoje faz parte do programa olímpico, e o parkour, prática que consiste em transpor obstáculos urbanos apenas com o corpo.
Há também o downhill urbano, em que bicicletas, skates ou carrinhos descem ladeiras e escadarias, o drift trike, voltado a derrapagens controladas, e o slackline, atividade de equilíbrio bastante difundida em parques. No extremo desse universo está o buildering, a escalada urbana. A prática consiste em subir fachadas de prédios como se fossem montanhas.
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Embora tenha registros históricos desde o início do século 20, trata-se de uma atividade de alto risco e, na maioria dos países, sem regulamentação esportiva.
O que a lei permite em Taiwan e no Brasil
No caso de Taiwan, a escalada de Honnold só foi possível porque houve autorização expressa dos administradores do edifício e acompanhamento direto do poder público.
Sem consentimento, a prática poderia ser enquadrada como invasão de propriedade e colocação de terceiros em risco.
No Brasil, a situação é ainda mais restritiva. Escalar prédios sem autorização não é considerado esporte, mas sim uma atividade ilegal.
Dependendo do caso, pode configurar invasão de domicílio ou de dependências, dano ao patrimônio, alteração de fachada e até exposição ao perigo, com consequências nas esferas penal e civil.
Prédios públicos e privados estão protegidos por leis que vedam qualquer acesso não autorizado às fachadas e áreas comuns.
Mesmo sem intenção de dano, a simples escalada já pode gerar responsabilização, sobretudo se houver risco a terceiros ou interrupção do uso normal do edifício.
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Aos 40 anos, pai de dois filhos, o americano afirma que não pretende parar, disse que escalaria outro arranha-céu se tivesse permissão.
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