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Treino mental reduz queixas cognitivas em 60% dos idosos, revela pesquisa

Divulgação/Supera

Resultados positivos podem servir de base para a formulação de políticas públicas - Divulgação/Supera
Resultados positivos podem servir de base para a formulação de políticas públicas
Por Emanuele Almeida

11/03/2026 | 15h18

São Paulo - Melhora na memória, redução de queixas cognitivas e diminuição de sintomas depressivos em pessoas acima de 60 anos foram alguns dos benefícios que um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou ao avaliar o estímulo cognitivo do método Supera, metodologia de estímulo mental. Os resultados positivos podem servir de base para a formulação de políticas públicas, segundo as pesquisadoras responsáveis pelo levantamento. 

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O artigo, iniciado ainda em 2018 e finalizado em 2020, foi publicado na revista International Psychogeriatrics em janeiro e apresentou dados reunidos durante dois anos de pesquisa. Os principais são:

  • Redução de 60% de queixas cognitivas;
  • Melhora de 45%, aproximadamente, na memória ao longo de um ano;
  • Redução de 29% dos sintomas depressivos

O objetivo do estudo foi mostrar quais são os benefícios dos estímulos aplicados no método Supera para as pessoas com mais de 60 anos, tendo em vista que essa faixa etária é mais suscetível ao declínio cognitivo e casos de demência.

A gerontóloga e autora principal do estudo, Thais Bento, explica que para ter um envelhecimento ativo é preciso que as pessoas conheçam sobre o estímulo cognitivo e quais ferramentas podem fazer parte dele. "Ele é um recurso preventivo e de manutenção do envelhecimento saudável", acrescenta.  

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Ela reforça que até então existiam poucos estudos com tal perfil – sem uso de farmacológicos – no contexto nacional para avaliação cognitiva. Desse modo, a publicação da pesquisa em uma revista renomada da área reforça a relevância do método desenvolvido no Brasil.

O que é o metodo Supera?

O Supera é um curso voltado para a estimulação cognitiva que oferece aulas semanais de duas horas, com atividades que estimulam o cérebro de forma estruturada e lúdica. Algumas das atividades envolvem cálculos com o ábaco, palavras-cruzadas, jogos de tabuleiro, livros de exercícios, interação social, entre outros.

O método é aplicado em aulas da empresa educacional Supera, que possui filiais espalhadas por 25 Estados e que financiou a execução do estudo. 

A partir do acompanhamento dos participantes do estudo foi vista uma melhora em diferentes áreas como planejamento, organização, tomada de decisões, estruturação de pensamentos e fluidez na comunicação. 

Políticas públicas

Como o estudo teve o ponto de partida por meio da iniciativa privada, com um convite do Supera à equipe de pesquisadores da USP, é possível se perguntar se há capacidade de usar os resultados obtidos para a criação de políticas públicas voltadas para a manutenção da cognição de pessoas idosas brasileiras – grupo que tende a aumentar gradativamente com os anos. 

Thais Bento reforça que sim, principalmente do ponto de vista de baratear e tornar acessível um método que ainda é disponibilizado de forma privada para a população.

A gente sabe que é possível ter esse investimento nos serviços públicos tanto quanto no setor privado. A saúde social é um tipo de atividade de baixo custo que pode atender pessoas em grande escala e ao mesmo tempo".

Ela também aponta que a implementação de métodos como o Supera de forma gratuita para a população pode até mesmo gerar menos custos na saúde para o governo. "A própria pessoa permanece ativa por mais tempo e ela passa a ter um menor uso do serviço de saúde. Então tem uma relação também com reduzir custos do uso de serviços de saúde, como hospitalizações", adiciona. 

A vice-presidente do Supera, Bárbara Perpétuo, completa reforçando que a expansão do método é um objetivo que surgiu com o estudo. "Ele deve ser levado em consideração pelo poder público. Vemos as melhoras graduais nos alunos há 20 anos", reforça. 

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Como próximo passo, a equipe de pesquisa da USP busca aplicar o método em pessoas com baixa escolaridade para observar os benefícios do estímulo cognitivo no grupo , que por sua vez, possui maior tendência de desenvolver demência ao longo dos anos. 

Sobre o estudo

O foco do estudo foi avaliar e investigar a eficácia de um Programa de Estimulação Cognitiva para idosos que não apresentavam comprometimento cognitivo nem demências a partir do método Supera e análises de pesquisadores do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) e Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.

Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre três diferentes grupos (um com aplicação do método, outro sem a aplicação do método, mas com mentorias sobre envelhecimento e o último sem nenhuma intervenção). 

Os 207 participantes tiveram um acompanhamento de longo prazo: com avaliações aos seis, 12, 18 e 24 meses do estudo para observar a efetividade das atividades ao longo do tempo. 

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