Trombose de viajante: mexa as pernas para evitar TVP em viagens longas
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São Paulo - As férias escolares chegaram e com elas o momento de viajar com a família. Em meio aos diversos preparativos que são necessários para que se tenha uma boa viagem, também é importante considerar um alerta de saúde: o perigo para as pernas ao passar muitas horas seguidas na mesma posição.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os problemas circulatórios, como a trombose venosa profunda, não acontecem apenas em viagens de avião. Apesar de conhecida como “síndrome da classe executiva”, a TVP é um risco para quem passa muitas horas sentado também em carro e ônibus, como explica o cirurgião vascular Igor Vital Brasil, da Casa de Saúde São José.
A síndrome não escolhe classe de voo ou meio de transporte, podendo acontecer também em carros e ônibus, sobretudo em trajetos acima de 4 horas.”
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O que é trombose venosa profunda?
A trombose venosa profunda (TVP) é caracterizada pela formação de coágulos de sangue em veias profundas do corpo, acometendo principalmente as pernas. De acordo com Vital, a panturrilha é o "coração das veias"’ e quando contrai, empurra o sangue para cima. Mas quando ficamos muito tempo na mesma posição, a circulação das pernas se torna mais lenta, dificultando o retorno do sangue ao coração e favorecendo a formação de coágulos.
A cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada acrescenta que há o perigo do coágulo (trombo) se deslocar pelo corpo.
O grande perigo reside na possibilidade de esse coágulo se desprender e viajar pelo sistema circulatório. Em alguns casos, eles podem se deslocar até os pulmões e provocar uma embolia pulmonar, que é uma complicação médica grave."
Quais os sinais de alerta para TVP?
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, mais de 86% dos pacientes apresentam sintomas claros de TVP. É fundamental interromper a viagem ou procurar atendimento caso note em uma das pernas:
- Dor repentina ou persistente;
- Inchaço visível e localizado;
- Endurecimento da musculatura, sensação de perna rígida ou pesada.
Caso surjam sintomas como falta de ar súbita, coração acelerado e dor no peito, procure socorro médico imediatamente, pois são indícios de uma possível complicação pulmonar.
Fatores de risco
Embora qualquer pessoa possa ser afetada pelo longo período de imobilidade, algumas pessoas apresentam maior propensão clínica para o desenvolvimento de coágulos e devem redobrar a atenção:
- Tempo de trajeto: Passageiros em viagens que ultrapassam as 4 horas de duração;
- Idade: pessoas acima dos 60 anos;
- Histórico e saúde: Pessoas com histórico familiar ou pessoal de trombose, trombofilias, diagnóstico de câncer ou cirurgias recentes;
- Estilo de vida: Praticantes de tabagismo e indivíduos com obesidade;
- Fatores hormonais e gestação: Mulheres grávidas, no período pós-parto, em terapia de reposição hormonal ou que utilizam anticoncepcionais (com atenção especial aos quatro primeiros meses de uso).
Como prevenir trombose em viagens?
Para prevenir a síndrome do viajante, especialistas recomendam adotar a seguinte rotina durante o percurso:
- Movimente-se regularmente: Levante-se e caminhe pelo corredor do avião ou do ônibus a cada 1 ou 2 horas. Se estiver de carro, planeje paradas programadas para esticar as pernas.
- Exercite-se no assento: Faça movimentos com os pés e tornozelos. Realize flexões imitando o movimento de "pisar no acelerador" e eleve os calcanhares para contrair a panturrilha.
- Evite posturas restritivas: Evite passar muito tempo de pernas cruzadas e utilize roupas confortáveis e folgadas.
- Hidrate-se: Beba bastante água regularmente ao longo do caminho. Manter-se hidratado ajuda a manter a circulação ativa. Em contrapartida, evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou com cafeína.
Precisa usar meias de compressão?
As meias compressivas auxiliam o retorno venoso e são grandes aliadas, especialmente para quem já possui fatores de risco ou insuficiência venosa. Mas o uso deve ser sob orientação médica. "A indicação deve ser individualizada. O modelo e o nível de compressão devem ser orientados por um cirurgião vascular, pois nem todas as pessoas precisam utilizá-las", ressalta Tatiana Losada.
Para quem possui condições de alto risco, a recomendação é procurar um especialista antes de embarcar para avaliar a necessidade de medidas preventivas adicionais, como o uso de medicamentos anticoagulantes.
"Viajar deve ser um momento de lazer. Com cuidados simples e orientação médica quando necessária, é possível aproveitar as férias com mais segurança", conclui a cirurgiã vascular.
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