Biometria facial: como a tecnologia aumenta a segurança digital
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São Paulo - Anos atrás, sistemas que garantiam acesso analisando o rosto de alguém pertenciam a filmes de ficção científica. Hoje, são um método comum de certificação; desde bancos até sites do governo.
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A biometria facial é uma tecnologia avançada que transforma as características de um rosto em dados matemáticos. O diretor de produtos da empresa de biometria facial CertiFace, Pedro Tavares, explica que a biometria serve como uma segunda senha que nunca será esquecida.
A validação biométrica não elimina senhas, mas aumenta a segurança e diminui vulnerabilidades muito presentes na vida das pessoas menos digitalizadas."
O exemplo mais direto dado por Tavares são as fraudes de crédito consignado. Na hora de realizar um saque, enquanto uma senha sozinha pode ser fornecida pelo dono da conta, uma análise biométrica exige a presença na hora da transação.
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Segundo levantamento da Silverguard (2025), o prejuízo médio de uma pessoa idosa vítima de fraude financeira é de R$ 4.820, um valor cinco vezes superior à média das perdas sofridas por jovens.
Como a biometria facial é feita?
A certificação biometria funciona de maneira muito similar ao "Face ID" dos celulares – transformando dezenas de detalhes do rosto em dados. A grande diferença está na hora de comparar.
Enquanto o desbloqueio do celular apenas confirma se o rosto mostrado é exatamente o mesmo que o registrado em sua memória, os sistemas de certificação precisam comparar com um banco de dados gigantesco.
Tavares explica que, por um lado, isso exige uma tecnologia muito mais refinada. Por outro, permite captar padrões dos milhares de rostos e identificar, por exemplo, se uma pessoa de fato tem a idade que declara.
O especialista também reforça que a biometria não exige apenas uma imagem do rosto, que pode ser encontrada facilmente online, mas consegue reconhecer se o usuário é uma pessoa real.
Segurança de dados e legislação
Recentemente, o governo federal anunciou a obrigatoriedade do cadastro biométrico para concessão, renovação e manutenção de benefícios sociais, conforme previsto no Decreto que regulamenta a Lei nº 15.077/2024.
Essa e outras medidas que se firmam na biometria, como a Aferição de Idade do ECA Digital, geraram uma onda de desconfiança na segurança dessas ferramentas.
O CEO da Imply Tecnologia, Tironi Paz, comenta que os dados biométricos são considerados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e as imagens da face não são guardadas diretamente.
Sistemas sérios e regulamentados não guardam fotos, mas sim templates, representações matemáticas de pontos-chave do rosto ou dados biométricos. Essas informações têm finalidade específica, prazo definido e são protegidas pela LGPD."
Evolução
Ainda que mais simples; se comparada a autenticação de dois fatores, Tavares admite que ainda existe espaço para evolução na praticidade da biometria facial. O executivo conta que a atual corrida do setor é para conseguir um serviço instantâneo, que exija apenas a abertura da câmera.
Tavares conta que do ponto de vista técnico seria possível também aplicar biometriam em outros setores, como das telecomunicações. Ele usa como exemplo os golpes de sequestro de número, quando o chip de um celular roubado é usado para clonar dados da operadora. "Imagine que uma validação dessas acontecesse quando você movimentar o WhatsApp de um aparelho para outro. Não existiria a possibilidade de cometer o sequestro do WhatsApp".
*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani
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