Digitalização na saúde avança e 18% dos estabelecimentos usam IA
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São Paulo - A digitalização do setor de saúde brasileiro continua avançando, mas ainda de forma desigual entre os diferentes tipos de estabelecimentos, aponta a pesquisa TIC Saúde 2025, feita pelo CGI.br/NIC.br.
Segundo a pesquisa, 18% dos estabelecimentos de saúde consultados no levantamento já utilizam algum tipo de inteligência artificial (IA), porcentual que sobe para 31% nos hospitais com mais de 50 leitos e para 29% nos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico (SADT).
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Entre as tecnologias mais adotadas estão os modelos de linguagem generativa, como ChatGPT e Gemini, presentes em 76% das instituições que usam IA. Também aparecem com força ferramentas de mineração de texto, adotadas por 52% das instituições, e automação de processos, presente em 48% dos estabelecimentos.
Na prática, a IA vem sendo aplicada principalmente na organização de processos clínicos e administrativos, citada por 45% dos estabelecimentos que utilizam a tecnologia.
Outras aplicações relevantes incluem melhoria da segurança digital, mencionada por 36% dos entrevistados, e aumento da eficiência dos tratamentos, apontado por 32% das respostas. Em hospitais de maior porte, o reforço da segurança digital aparece como um dos usos mais importantes da IA, refletindo a preocupação crescente com proteção de dados e ataques cibernéticos.
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Apesar do avanço, a pesquisa aponta obstáculos importantes para ampliar a adoção dessas ferramentas. Nos hospitais com mais de 50 leitos, os principais entraves são os altos custos de implementação, citados por 63% das unidades, a falta de priorização institucional, mencionada por 56%, e problemas ligados à qualificação de pessoal e à disponibilidade de dados, apontados por 51%.
Já nos SADTs, predominam fatores como ausência de prioridade estratégica, apontada por 64% das unidades, além da falta de interesse e das preocupações com privacidade e proteção de dados.
O estudo também mostra que a digitalização dos registros de pacientes avançou no País. Hoje, 92% dos estabelecimentos usam sistemas eletrônicos para registrar informações clínicas, embora a maior parte ainda mantenha modelos híbridos.
Segundo a pesquisa, 55% das unidades conciliam registros digitais e papel, enquanto apenas 37% operam exclusivamente em meio eletrônico. A interoperabilidade segue como um desafio importante: menos da metade dos estabelecimentos possui sistemas capazes de enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos entre diferentes serviços de saúde.
Pela primeira vez, a TIC Saúde investigou a integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), considerada estratégica para ampliar a troca de informações clínicas entre instituições.
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Os dados mostram que 44% dos estabelecimentos já estão conectados à rede, com destaque para as Unidades Básicas de Saúde, onde a taxa chega a 72%, e para o setor público, que registra integração de 64%. O avanço é visto como um passo importante para melhorar a continuidade do atendimento e a interoperabilidade do sistema de saúde brasileiro.
A pesquisa também evidencia avanços na infraestrutura tecnológica das unidades de saúde. Mais de 80% dos estabelecimentos possuem ao menos um notebook ou tablet, enquanto cresce o uso de serviços em nuvem e de medidas de segurança da informação.
Ainda assim, os dados sugerem que o setor enfrenta uma transição incompleta: a tecnologia já está amplamente disseminada, mas questões ligadas à integração de sistemas, proteção de dados, capacitação profissional e investimentos continuam limitando uma transformação digital mais ampla e uniforme no sistema de saúde brasileiro.
O estudo ouviu 3.270 unidades de saúde em todo o País para mapear o uso de tecnologia, prontuários eletrônicos, telessaúde e ferramentas emergentes, como IA.
(Por Wilian Miron)
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