Uso de IA na saúde cresce no Brasil, com foco em processos administrativos
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São Paulo - O uso da inteligência artificial (IA) no setor de saúde vem aumentando, de forma mais concentrada em atividades administrativas e operacionais. É o que aponta a 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. br).
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O levantamento traz que, em 2025, 18% dos estabelecimentos de saúde já utilizavam a tecnologia, percentual que chegou a 31% nos estabelecimentos com mais de 50 leitos, e a 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT).
Em 2024, a adoção da tecnologia era consideravelmente mais limitada. Os índices registrados no ano anterior foram que apenas 4% dos estabelecimentos de saúde utilizavam IA, aqueles com mais de 50 leitos tinham uma adoção de 16%. Nos SADT, a presença da tecnologia era de apenas 7%.
IA generativa é a mais usada
Os dados da pesquisa indicam que, entre os estabelecimentos que já utilizam inteligência artificial, os modelos de IA generativa, ferramentas capazes de criar conteúdo original em resposta a uma observação ou solicitação de um usuário, estão presentes em 76% dos estabelecimentos.
As outras ferramentas mais adotadas no setor são:
- Mineração de texto, processo de analisar grandes volumes de dados textuais não estruturados (52%);
- Automação de processos (48%);
- Melhoria na segurança digital (36%);
- Aumento da eficiência dos tratamentos (32%).
A pesquisa ampliou o escopo de investigação sobre Big Data e IA para todos os estabelecimentos com computador, e não apenas para aqueles com área de TI, como foi realizado até 2024.
"Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de inteligência artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde", explica Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Restrições de IA por médicos
Vale lembrar que o uso da IA por parte dos médicos foi restringido por uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), na qual as principais regras estabelecidas foram o emprego exclusivo da tecnologia como ferramenta de apoio, sendo vedada a delegação de diagnósticos ou decisões terapêuticas à máquina.
A normativa também estipulou a transparência e consentimento no uso. Dessa forma, o paciente tem o direito de ser informado, de forma clara e acessível, sempre que ferramentas de inteligência artificial forem utilizadas de maneira relevante em seu cuidado.
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Desafios na adoção
Nos hospitais com mais de 50 leitos, os principais desafios apontados pelos gestores são:
- Custos elevados (63%);
- Falta de priorização institucional (56%);
- Limitações relacionadas a dados e capacitação (51%).
Os Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) enfrentam um desinteresse acentuado, com 64% apontando a falta de prioridade como maior barreira.
Esses números provam que a tecnologia, por si só, não basta: o sucesso depende de governança, estratégia e confiança nos dados. Segundo a coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, Luciana Portilho, a consolidação de marcos regulatórios e a qualificação profissional são os pilares indispensáveis para que a inovação se traduza em cuidado ético e seguro ao paciente.
"A consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes" destaca Portilho.
Paciente digital
Para além da inteligência artificial, a pesquisa também avaliou o uso de outras tecnologias pelo paciente. Em 2025, serviços online disponibilizados aos pacientes, como a visualização de resultados de exames, foram oferecidos por 39% dos estabelecimentos, o agendamento de consultas por 34% e o de exames por 32%.
O maior avanço ocorreu na interação online com a equipe de saúde, que saltou de 16% em 2023 para 35% em 2025, evidenciando uma maior adoção de canais digitais de comunicação com pacientes.
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A oferta desses serviços varia conforme o tipo de estabelecimento, com maior presença em SADT para visualização de resultados de exames (72%), e nas UBS para interação com equipes (42%).
Entre os serviços de telessaúde, em 2025, a teleconsultoria foi a modalidade mais difundida (36%), seguida por teleconsulta (28%), telediagnóstico (27%) e telemonitoramento (20%). Todos esses serviços apresentaram crescimento em relação aos anos anteriores, o que indica uma expansão gradual do atendimento remoto e uma maior integração entre profissionais de saúde.
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