'Nunca imaginei que iam gerar uma lei', diz Felca sobre adultização
Nadja Kouchi/TV Cultura
São Paulo - O influenciador e youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, nunca imaginou que sua denúncia sobre adultização de crianças na internet e a falta de segurança em plataformas de conteúdo viraria lei. “Em nenhum mundo mais exótico eu ia imaginar que isso ia gerar uma lei”, afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, na noite desta segunda-feira, 23.
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O vídeo sobre adultização, publicado em agosto de 2025, gerou repercussão nacional e culminou no novo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor neste mês e ficou conhecido também como “Lei Felca”. A medida ganhou força após o influenciador denunciar perfis nas redes sociais que sexualizavam menores com posts, legendas e hashtags de conotação adulta para atrair engajamento.
Quando eu publiquei o vídeo de adultização, meu propósito era conversar com os pais, conversar com as mães e relatar problemas que estavam acontecendo na internet, que eram reais, factuais. Era uma coisa de dar luz a problemas que existiam, eram constantes”.
Felca destacou que outras pessoas já vinham denunciando e discutindo isso antes. O que ele afirma é que, por ter mais visibilidade e alcance nas redes, a fala dele acabou “saindo mais alta” e acabou chegando em mais gente.
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O youtuber disse que não esperava que o conteúdo tivesse repercussão para além do ambiente digital e diz que, na época, enxergava a publicação como “apenas um vídeo”, não como uma iniciativa com dimensão maior. Mesmo assim, o influenciador rejeita a ideia de que esteja minimizando o impacto do conteúdo por “modéstia”.
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Segundo Felca, a motivação foi expor um problema que ele diz observar nas redes. O vídeo inclui um momento em que ele explica como funcionariam esquemas de pedofilia em plataformas sociais, descrevendo o modo de operação e como esses conteúdos circulam na internet.
“Eu imaginava que as redes sociais iriam excluir o vídeo e que, no segundo dia, ele já não estaria no ar, que seria apagado. Não acredito que o YouTube tenha impulsionado, até porque o vídeo foi desmonetizado”, disse.
Na avaliação do influenciador, as redes sociais operam com dois objetivos: manter o público engajado e transformar essa atenção em faturamento. Ele afirma que, embora o vídeo consiga reter a audiência, não “capitaliza” para o YouTube justamente por não estar monetizado, o que reduziria o incentivo para a plataforma ampliar seu alcance.
“As pessoas que geraram esse engajamento. Foi a comoção da população mesmo indo atrás do vídeo, tentando entender, tentando conversar sobre o assunto, tentando debater. Foi a iniciativa mesmo da sociedade para com a sociedade”, afirmou.
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A bancada de entrevistadores do Roda Viva com Felca foi formada por Bruno Lucca, repórter de Cotidiano da Folha de S.Paulo; Daniel Becker, pediatra e colunista do jornal O Globo; Fernanda Campagnucci, diretora-executiva do InternetLab; Iberê Dias, juiz da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJSP; Maria Mello, gerente do Eixo Digital do Instituto Alana; e Renata Cafardo, repórter especial e colunista do Estadão, com apresentação de Ernesto Paglia.
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