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Relógios inteligentes já conseguem indicar apneia do sono; veja como

Contando com tecnologia nacional, os smartwatches usam algoritmos de IA para interpretar sintomas e auxiliam o acompanhamento médico

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

08/10/2026 | 19h13

Divulgação/Samsung

Novos modelos de Smartwatches conseguem avaliar a qualidade do sono toda noite - Divulgação/Samsung
Novos modelos de Smartwatches conseguem avaliar a qualidade do sono toda noite
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A Apneia Obstrutiva do Sono, que causa interrupções na respiração durante o sono, está associada a riscos cardiovasculares significativos, como infartos e AVCs, devido à falta de oxigênio no sangue e aumento da pressão arterial.

Fatores como obesidade e envelhecimento contribuem para a apneia, e a condição pode ser identificada por meio de exames tradicionais ou por dispositivos vestíveis que utilizam inteligência artificial para monitorar a qualidade do sono.

Os smartwatches têm aprovação da Anvisa e são recomendados por médicos para monitoramento contínuo, embora sua precisão não substitua a polissonografia; o uso deve ser orientado por profissionais de saúde para evitar ansiedade relacionada aos dados coletados.

São Paulo  - A Apneia Obstrutiva do Sono ocorre quando a garganta é bloqueada durante a noite, interrompendo a respiração por alguns segundos. A causa mais comum é quando a base da língua desce e comprime a via respiratória. 

Para se detectar a apneia, o método mais comum era a polissonografia, exame que exige eletrodos na cabeça e sensores pelo corpo do paciente. Hoje, dispositivos “wearables” (vestíveis), como relógios e anéis inteligentes, também conseguem indicar a apneia. 

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Utilizando algoritmos de IA e recursos desenvolvidos no Brasil, os modelos mais recentes de smartwatches conseguem identificar sinais da condição previamente. 

Riscos ao coração

Um dos maiores perigos relacionados à apneia do sono está em sua relação com problemas cardiovasculares. 

O cardiologista do Hcor, Alexandre Abla, explica que a irregularidade da respiração e a falta de oxigênio no sangue forçam um aumento na pressão – que deveria reduzir 20% à noite –  causando uma “cascata” de efeitos que podem aumentar os riscos de infartos e AVCs. 

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Indícios da apneia do sono

A apneia do sono é normalmente associada à obesidade, por conta do volume abdominal e do excesso de gordura no pescoço. No entanto, outro fator de risco está relacionado ao envelhecimento. 

Foto do  Dr. Alexandre Abla, cardiologista do Hcor, de jaleco
Alexandre Abla, cardiologista do Hcor - Divulgação/Hcor

Abla explica que, com o relaxamento natural da musculatura na maturidade, há uma tendência maior de queda da base da língua. 

Para se manter atento aos sintomas, o médico lista uma série de perguntas que costuma fazer para investigar a possível condição em um paciente: 

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  • Você costuma acordar cansado? 
  • Você acorda no meio da madrugada com a boca muito seca ou falta de ar? 
  • Seus familiares dizem que você ronca?

Respostas afirmativas podem ser indícios da apneia. Agora, alguns modelos de smartwatches ajudam nesta tarefa.

Como funciona a tecnologia

Os relógios inteligentes mais avançados possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são indicados por profissionais da saúde para o monitoramento da qualidade do sono. 

Um exemplo é a linha Galaxy Watch da Samsung. O atual líder da equipe de pesquisa e desenvolvimento em Inteligência Artificial para a Saúde da empresa no Brasil, Otávio Penatti, conta que boa parte dos estudos para o desenvolvimento da tecnologia foi feito no Brasil. 

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O especialista explica que a leitura de apneia é um pioneirismo da marca, que une sensores avançados a algoritmos de IA para alcançar os resultados. 

Para “calibrar” o algoritmo, os pesquisadores compararam as leituras do Galaxy Watch com os exames de polissonografia em pacientes de diferentes idades, etnias e níveis de apneia. 

Precisávamos que a população do estudo fosse bastante diversa, para garantir que o algoritmo funcionasse bem e de forma robusta para a população geral.
Otávio Penatti, da Samsung

Qual a privacidade sobre as leituras do aparelho?

Foto do Otávio Penatti, Diretor de Inteligência Artificial da Samsung no Brasil
Otávio Penatti - Divulgação/Samsung

A empresa afirma que privacidade e segurança precisam fazer parte da tecnologia desde o início, especialmente quando falamos de informações relacionadas à saúde. 

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“Também é importante diferenciar coleta, armazenamento, processamento e compartilhamento de dados. O fato de um dispositivo gerar informações de saúde não significa que a fabricante tenha acesso irrestrito a todas essas informações. O tratamento dos dados depende do produto, das configurações e permissões escolhidas pelo usuário, dos serviços utilizados e das políticas aplicáveis em cada mercado”, explica a marca. 

Boas práticas no uso dos relógios

Os “wearables” podem trazer diversas vantagens. Abla já recomenda o uso para alguns pacientes e destaca dois fatores em especial: 

  • Por necessitar de menos aparelhos em relação à polissonografia, a medição pelos relógios é mais confortável para o paciente. 
  • Os relógios conseguem fazer medições todas as noites, garantindo uma análise contínua da qualidade do sono. 

No entanto, o cardiologista reforça que a precisão desses dispositivos não se compara à da polissonografia, nem a substitui. 

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Além disso, relata casos de pacientes que sentiam forte ansiedade ao se deparar com as medições dos relógios e lembra que o corpo sofre variações por inúmeros motivos. Para ele, os dados devem sempre ser interpretados por um profissional. 

O importante é usar com inteligência, buscando conhecer melhor o próprio corpo, nunca como um “copiloto” da vida.
Alexandre Abla, cardiologista do Hcor

*Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan

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