Relógios inteligentes já conseguem indicar apneia do sono; veja como
Contando com tecnologia nacional, os smartwatches usam algoritmos de IA para interpretar sintomas e auxiliam o acompanhamento médico
Divulgação/Samsung
A Apneia Obstrutiva do Sono, que causa interrupções na respiração durante o sono, está associada a riscos cardiovasculares significativos, como infartos e AVCs, devido à falta de oxigênio no sangue e aumento da pressão arterial.
Fatores como obesidade e envelhecimento contribuem para a apneia, e a condição pode ser identificada por meio de exames tradicionais ou por dispositivos vestíveis que utilizam inteligência artificial para monitorar a qualidade do sono.
Os smartwatches têm aprovação da Anvisa e são recomendados por médicos para monitoramento contínuo, embora sua precisão não substitua a polissonografia; o uso deve ser orientado por profissionais de saúde para evitar ansiedade relacionada aos dados coletados.
São Paulo - A Apneia Obstrutiva do Sono ocorre quando a garganta é bloqueada durante a noite, interrompendo a respiração por alguns segundos. A causa mais comum é quando a base da língua desce e comprime a via respiratória.
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Para se detectar a apneia, o método mais comum era a polissonografia, exame que exige eletrodos na cabeça e sensores pelo corpo do paciente. Hoje, dispositivos “wearables” (vestíveis), como relógios e anéis inteligentes, também conseguem indicar a apneia.
Utilizando algoritmos de IA e recursos desenvolvidos no Brasil, os modelos mais recentes de smartwatches conseguem identificar sinais da condição previamente.
Riscos ao coração
Um dos maiores perigos relacionados à apneia do sono está em sua relação com problemas cardiovasculares.
O cardiologista do Hcor, Alexandre Abla, explica que a irregularidade da respiração e a falta de oxigênio no sangue forçam um aumento na pressão – que deveria reduzir 20% à noite – causando uma “cascata” de efeitos que podem aumentar os riscos de infartos e AVCs.
Indícios da apneia do sono
A apneia do sono é normalmente associada à obesidade, por conta do volume abdominal e do excesso de gordura no pescoço. No entanto, outro fator de risco está relacionado ao envelhecimento.
Abla explica que, com o relaxamento natural da musculatura na maturidade, há uma tendência maior de queda da base da língua.
Para se manter atento aos sintomas, o médico lista uma série de perguntas que costuma fazer para investigar a possível condição em um paciente:
- Você costuma acordar cansado?
- Você acorda no meio da madrugada com a boca muito seca ou falta de ar?
- Seus familiares dizem que você ronca?
Respostas afirmativas podem ser indícios da apneia. Agora, alguns modelos de smartwatches ajudam nesta tarefa.
Como funciona a tecnologia
Os relógios inteligentes mais avançados possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são indicados por profissionais da saúde para o monitoramento da qualidade do sono.
Um exemplo é a linha Galaxy Watch da Samsung. O atual líder da equipe de pesquisa e desenvolvimento em Inteligência Artificial para a Saúde da empresa no Brasil, Otávio Penatti, conta que boa parte dos estudos para o desenvolvimento da tecnologia foi feito no Brasil.
O especialista explica que a leitura de apneia é um pioneirismo da marca, que une sensores avançados a algoritmos de IA para alcançar os resultados.
Para “calibrar” o algoritmo, os pesquisadores compararam as leituras do Galaxy Watch com os exames de polissonografia em pacientes de diferentes idades, etnias e níveis de apneia.
Precisávamos que a população do estudo fosse bastante diversa, para garantir que o algoritmo funcionasse bem e de forma robusta para a população geral.
Otávio Penatti, da Samsung
Qual a privacidade sobre as leituras do aparelho?
A empresa afirma que privacidade e segurança precisam fazer parte da tecnologia desde o início, especialmente quando falamos de informações relacionadas à saúde.
“Também é importante diferenciar coleta, armazenamento, processamento e compartilhamento de dados. O fato de um dispositivo gerar informações de saúde não significa que a fabricante tenha acesso irrestrito a todas essas informações. O tratamento dos dados depende do produto, das configurações e permissões escolhidas pelo usuário, dos serviços utilizados e das políticas aplicáveis em cada mercado”, explica a marca.
Boas práticas no uso dos relógios
Os “wearables” podem trazer diversas vantagens. Abla já recomenda o uso para alguns pacientes e destaca dois fatores em especial:
- Por necessitar de menos aparelhos em relação à polissonografia, a medição pelos relógios é mais confortável para o paciente.
- Os relógios conseguem fazer medições todas as noites, garantindo uma análise contínua da qualidade do sono.
No entanto, o cardiologista reforça que a precisão desses dispositivos não se compara à da polissonografia, nem a substitui.
Além disso, relata casos de pacientes que sentiam forte ansiedade ao se deparar com as medições dos relógios e lembra que o corpo sofre variações por inúmeros motivos. Para ele, os dados devem sempre ser interpretados por um profissional.
O importante é usar com inteligência, buscando conhecer melhor o próprio corpo, nunca como um “copiloto” da vida.
Alexandre Abla, cardiologista do Hcor
*Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan
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