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Com a sociedade cada vez mais conectada e o aumento das transações digitais, os golpistas se aproveitam da engenharia social, com a manipulação psicológica do usuário para obter acesso às suas informações confidenciais. Todo mundo está sujeito a esse tipo de golpe, mas as tentativas de fraude eletrônica no Brasil cresceram mais entre pessoas acima de 60 anos do que a média, no ano passado.
Dados do Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, mostram que em 2024 foram registradas 11.509.214 tentativas de fraude no País, um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. Praticamente uma ocorrência a cada 2,8 segundos.
Considerando o recorte por faixa etária, embora a maior parte das diligências tenha ocorrido entre brasileiros de 36 a 50 anos (33,4%), o maior aumento porcentual foi nas investidas direcionadas aos consumidores acima de 60 anos (11,9%).
Segundo o diretor de Autenticação e Prevenção da Serasa Experian, Caio Rocha, o crescimento dessas investidas reflete a sofisticação dos ataques digitais e a necessidade contínua de aprimoramento das ferramentas de prevenção. “A análise de dados e o uso de tecnologia são essenciais para mitigar esses riscos. Os fraudadores estão cada vez mais ativos e constantemente aprimoram suas táticas, tornando a prevenção um desafio contínuo", afirmou.
A Serasa Experian indica no site como proteger seu CPF de golpes e oferece um canal de denúncia.
Por sua vez, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs) concordam que o número de tentativas de fraudes cresceram, mas ressaltam que têm investido fortemente em instrumentos de segurança e em campanhas de conscientização para tentar vencer essa briga.
De acordo com a Febraban, os bancos associados contam com soluções de segurança cibernética e prevenção a fraudes, como mensageria criptografada, autenticação biométrica, tokenização, e tecnologias como big data, analytics e inteligência artificial aplicadas a processos de prevenção de riscos, continuamente aprimorados.
A Federação, em parceria com o Ministério da Justiça, lançou no início do ano a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, um espaço técnico para discutir, formular e desenvolver estratégias conjuntas, entre o setor público e privado, contra as tentativas de fraudes, golpes financeiros e de crimes cibernéticos.
“A Febraban e seus bancos associados têm investido constantemente e de maneira massiva em campanhas de conscientização e esclarecimento com a população por meio de ações de marketing em TVs, rádios e redes sociais", afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Serviços da Febraban.
Além disso, ele conta que no ano passado, foram investidos cerca de R$ 5 bilhões em segurança e prevenção a fraudes e crimes cibernéticos.
A Abecs ressalta que o sistema de cartões no Brasil é um dos mais evoluídos do mundo, com cerca de 127 milhões de transações realizadas por dia.
Alguns processos de autenticação no cartão, como a tokenização e o protocolo 3DS 2.0, ajudam a confirmar a legitimidade da compra, além de sistemas de prevenção que usam inteligência artificial para monitorar em tempo real o comportamento de uso, podendo detectar transações indevidas e notificar o cliente a cada pagamento realizado.
De acordo com a advogada especializada em Direito Digital e Proteção de Dados Pessoais, Larissa Pigão, é fundamental adotar uma postura cautelosa e atenta durante as compras online. O consumidor deve sempre priorizar sites conhecidos e confiáveis, conferir se a loja possui CNPJ, endereço físico e canais oficiais de atendimento.
“É essencial também verificar se o site acessado é realmente o da empresa, observando o endereço eletrônico com atenção, evitando variações suspeitas ou domínios semelhantes que tentam se passar pela marca oficial", recomenda a advogada. Conferir se o site utiliza conexão segura - identificada pelo cadeado e pelo “https” na barra de endereço - também ajuda a reduzir o risco de cair em golpes.
Vale ainda desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado, evitar clicar em links recebidos por e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens e dar preferência a meios de pagamento mais seguros, como cartões virtuais ou carteiras digitais. Essas medidas reduzem significativamente o risco de cair em golpes durante as compras online.
Mesmo tomando todos os cuidados, se você for vítima de golpe, é preciso agir rápido, alerta o sócio da Pavan, Lapetina e Silveira Advogados, Newton de Souza Pavan.
A primeira medida é tentar interromper o pagamento o quanto antes, cancelando a transação ou bloqueando o cartão utilizado. Em seguida, entre em contato com o banco ou a operadora do cartão para relatar o ocorrido e solicite o bloqueio do cartão para evitar futuras movimentações suspeitas.
“É essencial registrar um boletim de ocorrência (BO) para formalizar a denúncia e possibilitar a instauração e um inquérito policial."
Por fim, o advogado instrui a reunir todas as provas disponíveis — como prints de tela, e-mails, conversas e comprovantes de pagamento —, pois esses registros são fundamentais para comprovar a fraude e buscar possíveis reembolsos.
Em algumas situações é possível reaver o dinheiro perdido com o golpe, mas, segundo Larissa Pigão, não é um processo simples e vai depender de alguns fatores. Quando a compra é feita no cartão de crédito, é possível solicitar o estorno da transação ("chargeback", no jargão do setor) junto à operadora, especialmente se o consumidor conseguir comprovar que não reconhece a compra ou que o serviço ou produto não foi entregue.
No caso do PIX, a advogada lembra que o banco pode acionar o Mecanismo Especial de Devolução, que possibilita o bloqueio do valor transferido e a tentativa de recuperação dos recursos, principalmente quando a fraude é reportada rapidamente.
Caso o golpe tenha ocorrido dentro de uma plataforma de e-commerce conhecida, também há chances de negociação ou mediação para reembolso. “No entanto, quando a fraude parte de um site falso, sem qualquer registro ou atuação formal, as chances de recuperar o dinheiro diminuem e pode ser necessário recorrer à via judicial”, afirma.
O fraudador entra em contato com a vítima se passando por funcionário do banco ou empresa com a qual o cliente tem um relacionamento ativo. O criminoso informa que há irregularidades na conta ou que os dados cadastrados estão incorretos e solicita os dados pessoais e financeiros da vítima, orientando a realizar transferências para regularizar tais problemas.
Como evitar:
O cliente deve sempre verificar a origem das ligações e mensagens recebidas contendo solicitações de dados. Os bancos podem entrar em contato com os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca solicitam dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, nem que o cliente realize transferências ou pagamentos alegando estornos de transações. Na dúvida, desligue e entre em contato pelos canais oficiais do seu banco ou administradora de cartão para tratar do assunto.
De posse do número do celular da vítima, o golpista tenta cadastrar o WhatsApp em seu aparelho. Para concluir a operação, é preciso inserir o código de segurança que o aplicativo envia por SMS sempre que é instalado em um novo dispositivo. Os fraudadores enviam uma mensagem pelo WhatsApp fingindo ser do Serviço de Atendimento ao Cliente de site de vendas ou de empresa que a vítima tem cadastro e solicitam esse código, alegando se tratar de uma atualização/protocolo, manutenção ou confirmação de cadastro.
Como evitar:
Uma medida simples para evitar que o WhatsApp seja clonado é habilitar no aplicativo a opção “Verificação em duas etapas”. Desta forma, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo app. Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitadas em links recebidos.
O phishing, ou pescaria digital, é uma fraude eletrônica que visa obter dados pessoais do usuário. A forma mais comum de um ataque de phishing é por mensagens e e-mails falsos que induzem o usuário a clicar em links suspeitos. Também existem páginas falsas na internet que levam a pessoa a revelar dados pessoais.
Como evitar:
Nunca clique em links recebidos por mensagens. Mantenha seu sistema operacional e antivírus sempre atualizados. Na dúvida, fale com seu banco ou administradora de cartão.
O fraudador se passa por um funcionário de instituição financeira, liga para a vítima e oferece empréstimos com condições vantajosas ou ainda uma portabilidade. Para que garanta a oferta, pede ao consumidor que faça um depósito bancário referente as taxas de cadastro ou pede antecipação de alguma parcela para que possa liberar o dinheiro. Também solicita dados pessoais e financeiros do cliente.
Como evitar:
Desconfie de promessas de vantagens exageradas. Além disso, a Febraban alerta que não existe nenhum empréstimo em que a pessoa precise fazer qualquer tipo de pagamento antecipado, seja de IOF, taxa de cadastro ou antecipação de parcela.
De posse dos dados pessoais e datas de aniversários, criminosos entram em contato com a vítima e dizem que têm um brinde para entregar ou um presente de aniversário, desde que a pessoa receba pessoalmente e pague uma taxa de entrega. Os criminosos entregam algo para a vítima, geralmente flores, cosméticos ou chocolates, e nesse momento, pedem o pagamento da taxa de entrega via cartão.
O entregador/golpista geralmente usa uma maquininha com o visor danificado, que impossibilita a visualização do valor digitado na tela. Outra forma de golpe é o criminoso usar algum artifício para desviar a atenção da vítima, para que ela digite a senha no campo destinado ao valor da compra, possibilitando a visualização e uso.
Como evitar:
Nunca aceite presentes e brindes inesperados, sem saber quem realmente mandou. Não forneça dados pessoais em links enviados pela internet de supostas promoções e tenha muito cuidado ao preencher cadastros na internet. Não aceite realizar pagamentos se o visor da maquininha estiver danificado, impedindo que você veja o valor real do que está pagando. Jamais aceite tirar fotos ou selfies para receber brindes ou qualquer item de desconhecidos.
O golpe começa com uma ligação ao cliente, de uma pessoa que se passa por funcionário de banco e diz que o cartão foi clonado, informando que é preciso bloqueá-lo. Para isso, o golpista orienta cortar o cartão ao meio e pedir um novo pelo atendimento eletrônico. O falso funcionário pede que a senha seja digitada no telefone, e fala que, por segurança, um motoboy irá buscar o cartão para perícia. O que o cliente não sabe é que, mesmo com o cartão cortado ao meio o chip permanece intacto, e assim é possível realizar diversas transações financeiras.
Como evitar:
Nenhum banco pede o cartão de volta ou envia qualquer pessoa ou portador para retirar o cartão na casa de clientes.
Golpistas que se passam por vendedores pedem para segurar seu cartão e, na hora da compra, prestam atenção quando você digita sua senha na máquininha. Em seguida, eles trocam o cartão na hora de devolvê-lo.
Como evitar: Prefira você mesmo passar o cartão na maquininha em vez de entregá-lo para outra pessoa. Confira se é mesmo o seu nome impresso no cartão devolvido.
Fonte: Febraban
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