Aos 73 anos, professora aposentada realiza o sonho de estudar Medicina
Divulgação/Universidade Anhembi Morumbi
São Paulo - Aos 73 anos, a professora aposentada Lourdes Moraes Del Guingaro decidiu reescrever a própria trajetória. Depois de uma carreira consolidada na Educação e duas graduações concluídas, ela agora encara o desafio de cursar Medicina, um sonho antigo que começou ainda na infância e que, por diferentes razões, foi adiado ao longo da vida.
"Eu sempre quis estudar Medicina, desde menina, mas nunca vi a possibilidade", contou em entrevista ao VIVA no Dia da Educação. A oportunidade surgiu anos depois da aposentadoria, quando Lourdes passou a guardar dinheiro e decidiu tentar o vestibular. "Eu via a propaganda na internet, me inscrevi, fiz o vestibular, consegui passar e eles me chamaram. E eu estou lá."
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A nova rotina exige disciplina e disposição. Moradora de Cotia, na Grande São Paulo, ela enfrenta diariamente longas horas no trânsito para chegar a Universidade Anhembi Morumbi, parte integrante da Inspirali.
Lourdes tem que sair 4h30 de casa para chegar à faculdade, o que 'judiado', segundo ela. Ainda assim, não desanima. "Para minha idade, é pesado, mas eu chego lá. Eu hei de conseguir."
Da Educação à Medicina
Antes de iniciar a nova graduação, Lourdes construiu uma carreira sólida no magistério. Formada em geografia, também cursou pedagogia e atuou como professora, diretora e supervisora escolar.
Após a aposentadoria, a vida pessoal trouxe novos caminhos. Ela se mudou para o litoral com o marido, que se recuperava de um infarto, e aproveitou o período para cursar Arquitetura, sua segunda graduação. Ao terminar, retornou para Cotia.
A decisão de estudar novamente ganhou força após enfrentar problemas de saúde, como a diabetes. "Eu falei: 'Ah, ficar curtindo doença eu não vou, não, vou voltar a estudar, fazer uma coisa que eu sempre quis'."
Desafios e aprendizado
Mesmo com a experiência acadêmica, Lourdes reconhece as dificuldades de voltar aos estudos décadas depois. Segundo ela, como parou de estudar há algum tempo, já não guarda muitas coisas, tem dificuldade em memorizar. Além disso, precisa estudar muito, pois o conteúdo é extenso.
Apesar disso, ela destaca o acolhimento que recebeu na universidade e a convivência com colegas mais jovens. "Entrei numa turma muito boa, maravilhosa, uma moçada linda. Não tenho o que falar não, eu adoro eles e sei que eles me adoram também."
O ambiente presencial, segundo ela, faz diferença no aprendizado. "Essa relação que há entre as pessoas é o segredo do seu sucesso, porque você aprende com eles e eles aprendem com você. Com a tela é muito frio."
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Apoio da família
Casada, mãe de um filho de 42 anos e avó de um menino de 8, Lourdes conta com o apoio da família para seguir em frente. O marido é peça-chave na rotina. Ele a leva todo dia e vai buscar, dá "a maior força" para ela continuar.
A expectativa é concluir o curso aos 80 anos. E ela já pensa no próximo passo.
Se Deus me permitir chegar lá, eu vou estar com 80 anos. Eu quero trabalhar! Se eu tiver condições, eu vou."
Ainda sem uma especialidade definida, Lourdes demonstra interesse pela área de saúde mental. "Eu acho que é mais a parte de psiquiatria. As pessoas estão num estresse muito grande ou têm depressão. Se eu puder ajudar, vou ajudar dessa forma."
Inspiração
Lourdes espera que sua história possa inspirar outras pessoas. "Tem pessoas que já ligam para mim e falam: 'Nossa, você entrou, eu também quero!’", conta. Para ela, o exemplo pode incentivar quem ainda tem sonhos guardados. "Nunca é tarde para estudar e realizar seus sonhos."
Mais do que uma conquista pessoal, ela acredita que o aprendizado constante também impacta a saúde e o bem-estar. "Você tem que lutar, tem que querer ser alguma coisa. A sua saúde até melhora."
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