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Bootcamps e cursos são ferramentas para transição de carreira e contra o FOBO

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Cursos específicos e treinamentos rápidos e intensos, os bootcamp, são instrumentos para aperfeiçoamento e transição de carreira - Adobe Stock
Cursos específicos e treinamentos rápidos e intensos, os bootcamp, são instrumentos para aperfeiçoamento e transição de carreira
Por Claudio Marques

04/01/2026 | 15h28

São Paulo,  04/01/2026 - Tendo dedicado anos de sua vida  à área de call center, atuando na gestão de equipes, Renato Barros resolveu atender a sua inquietação por mudança e fazer uma transição de carreira para a área de tecnologia, aos 48 anos de idade. "A demanda é muito grande para se fazer relatórios, para se ter a informação, e principalmente, para saber o que a informação vai te passar, o que é essencial para a tomada de decisão do gestor," diz, acrescentando, mais um motivo da sua busca pela área. 

A procura por oportunidades na área o confrontou com sua falta de conhecimento técnico, orientação para network e habilidades para estruturar um portfólio eficaz. "Eu ia muito mal nos processos seletivos," admite. Essa lacuna o levou a buscar um bootcamp em Ciência de Dados. O treinamento oferecido pela Triple Ten durou cerca de um ano (concluído em 2024) e lhe deu não apenas suporte técnico, mas também assessoria de coaching e uma rede de apoio que o ajudou a fazer a transição com mais segurança.

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Fundada nos Estados Unidos em 2020, a Tripleten é uma edtech global líder em aceleração de carreiras por meio de bootcamps em tecnologia. Os bootcamps são treinamentos intensivos e imersivos, curtos (meses), que têm o objetivo de desenvolver habilidades específicas para o mercado de trabalho, unindo teoria e muita prática para acelerar a carreira ou a transição. 

A oportunidade

Rosto de Renato Braga, que está sorrindo
Renato Barros mudou da área de call center para a de tecnologia - Divulgação

Sete meses depois de começar o seu bootcamp, Barros conquistou a primeira porta na área de Dados. Renato pleiteou vagas tanto para cientista quanto para analista de dados. Ele conseguiu sua primeira oportunidade como analista de dados, função que ocupa atualmente.

Embora o salário inicial fosse a metade do que recebia como gestor de call center, ele encarou a mudança como uma aposta de longo prazo. "Foi uma aposta de longo prazo. Pensei em me realizar profissionalmente e ter um pouco mais de qualidade de vida," declara. Apesar de ter conseguido a vaga após sete meses, ele conta que, por causa da idade, hoje está com 50 anos, enfrentou dificuldades para obter um trabalho. 

Dificuldade por causa da idade

Ele relata que, ao tentar vagas juniores plataformas de triagem automática, sua história de sair de uma carreira sênior consolidada para começar do zero em outra área gerava "incongruência" no processo seletivo.  "Não conseguia chegar a uma vaga com conhecimento muito júnior. Tive que chegar com um conhecimento de pleno para sênior," diz. "Eu não consegui passar em quase nenhum [teste automatizado]. Acho que 99% voltavam com a negativa," relata. Essa dificuldade o obrigou a buscar vagas ativamente via networking e LinkedIn, ignorando a triagem por robôs.

Por outro lado, processos seletivos que permitiam a conversa direta com o entrevistador eram mais favoráveis. "A idade não pegou, era realmente questão de conhecimento: 'Você realmente conhece isso, entende isso?' Acabou," diz Barros. 

Mudança na trajetória

Alysson Tomizawa é mais um exemplo de um profissional que se volta para a área de tecnologia para fazer sua transição de carreira. Ele construiu uma carreira internacional, especializando-se em Direção de Arte e trabalhando em agências de publicidade em Nova York e Los Angeles, onde viveu por cinco anos. Seu retorno ao Brasil ocorreu em 2008, após a crise imobiliária americana.

Alysson Tomizawa sentado em frente à messa de trabalho, onde estão dois monitores, olha para a câmera com a mão esquerda sobre o teclado
Alysson Tomizawa agora atua na área de TI, mas não abandonou o cross fit - Divulgação

Perdeu o interesse pela publicidade e fez uma mudança, na carreira, impulsionado pelo interesse em crossfit, que havia descoberto nos Estados Unidos. Em 2012, ele conta, abriu a primeira academia de CrossFit do Centro-Oeste e uma das cinco primeiras do Brasil, um negócio que mantém até hoje.

Em busca de uma área de atuação com mais flexibilidade, Tomizawa iniciou seu terceiro ciclo profissional. Em dezembro de 2022, ele ingressou em um bootcamp da Triple Ten, na área de Desenvolvimento Web (Software Development), cobrindo tanto front-end quanto back-end.

Pouco depois de se formar, ele teve sucesso imediato na busca por emprego: "Dei muita sorte, foi a primeira entrevista que fiz, e deu certo." Hoje, Alysson trabalha em uma startup brasileira chamada Neo PTO, atuando com desenvolvimento de software para um hospital, incorporando Inteligência Artificial (IA) para auxiliar na desburocratização de processos.

Seu trabalho é remoto e assíncrono, o que ele aponta como o principal diferencial:

"Para mim, o que mais pesou na minha escolha foi a questão da flexibilidade do trabalho. Era mais focado em poder trabalhar de casa, por causa da minha filha e da academia"

A trajetória do analista é mais um exemplo de que a transição de carreira é possível e estratégica, mesmo em idade sênior.  No entanto, muitos buscam bootcamps e cursos específicos em empresas do gênero para se atualizarem, indicando que muitos encaram  a educação contínua não mais como um diferencial, mas como uma necessidade.

O que é FOBO?

A diretora de contas da Odilo, Anita Bernardo, ressalta que hoje está muito presente no mercado de trabalho o medo de se tornar obsoleto, ou FOBO, acrônimo em inglês para fear of being obsolete, ou medo de se tornar obsoleto, em português. A Odilo é uma empresa global de origem espanhola que também atua na área de tecnologia educacional (edtech),

“Esse (FOBO) é um fenômeno global que cresceu muito após a pandemia. O medo de se tornar obsoleto causa insegurança e a sensação de que é preciso se atualizar o tempo todo. O desafio não é o avanço da tecnologia, mas transformar esse avanço em aprendizado. É aí que as empresas devem apoiar seus colaboradores”, afirma ela. 

De acordo com ela, existem basicamente dois caminhos para enfrentar essa situação:

  • Upskilling: Aprimora e desenvolve competências para crescer e ser promovido dentro da mesma função.
  • Reskilling: Preparar e desenvolver competências para uma nova função ou área, por exemplo, um profissional de vendas que migra para inteligência de mercado.

“O upskilling ainda é mais buscado, embora o reskilling esteja se crescendo. Um dado do Fórum Econômico Mundial mostra que 90% das empresas brasileiras planejam investir em ambos. Isso não é mais apenas uma iniciativa do RH, mas sim das áreas de negócio”, afirma ela. “As pessoas estão buscando muito desenvolvimento em torno da inteligência artificial. A IA e as soft skills são muito relevantes para o aprimoramento de competências”, diz..

Segundo a executiva, os setores com maior demanda por reskilling e upskilling são: Finanças, Varejo, Indústria 4.0, Serviços de Atendimento e Áreas Administrativas. Nesses setores, a IA já substitui tarefas repetitivas, exigindo dos profissionais o desenvolvimento urgente de habilidades digitais e de análise de dados.

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