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Babás de luxo ganham salários de R$ 20 mil; são as 'gestoras infantis'

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Profissionais assumem o papel de gestoras infantis de alto padrão - Freepik
Profissionais assumem o papel de gestoras infantis de alto padrão
Por Alexandre Barreto

14/04/2026 | 09h55 ● Atualizado | 10h00

São Paulo - O mercado das chamadas “babás de luxo” está em expansão no Brasil e já oferece salários entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, podendo chegar a R$ 50 mil no exterior. A valorização acompanha a mudança no perfil dessas profissionais, que passam a assumir funções mais amplas e estratégicas dentro das residências de alto padrão.

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Segundo Bia Greco, empresária no ramo de formação e no recrutamento desse tipo de profissional, o cargo evoluiu para o que ela define como “gestora infantil de alto padrão”. A principal mudança está na ampliação das responsabilidades, que vão além do cuidado direto com a criança.

Bia Greco é especialista com mais de 20 anos de experiência na na formação e seleção de babás de luxo ou gestoras infantis de alto padrão
Bia Greco atua na seleção de babás de luxo ou gestoras infantis de alto padrão - Arquivo pessoal

“A gestora infantil faz a gestão da residência e não apenas cuida e acompanha a criança, mas também mantém um olhar atento ao seu entorno, incluindo os pais e os demais funcionários da casa”, afirma.

A atuação exige um perfil multifuncional, reunindo tarefas de diferentes áreas. De acordo com a especialista, a profissional pode assumir funções relacionadas à saúde, ao bem-estar e ao desenvolvimento infantil.

A babá de luxo também pode atuar no estímulo a atividades físicas e artísticas, incentivando práticas como esportes e música no dia a dia da criança.

Além da Bia Greco Consultoria, existem diversas empresas especializadas no recrutamento de babás de luxo, com foco em famílias de alta renda, celebridades e grandes empresários. Essas agências costumam recrutar, treinar e selecionar profissionais preparados para atender às exigências da elite.

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Comportamento é decisivo na contratação

O comportamento é outro fator decisivo para contratação e permanência nesse mercado e o sigilo aparece como uma das principais exigências. “Ela precisa ouvir e observar com discrição, mantendo sigilo sobre tudo o que presencia. Isso é essencial, especialmente porque atua em casas de pessoas muito ricas e influentes”, diz a consultora.

A gestão emocional também é considerada essencial, já que a babá precisa lidar com situações de pressão sem comprometer a rotina da família.

É uma profissional que não leva para o trabalho questões que interfiram no cuidado com a criança e com a família. Não é que não tenha problemas, mas sabe lidar com essas situações. Se uma criança, por exemplo, faz uma birra, ela não grita; se abaixa e conversa olhando nos olhos."

O processo de contratação também mudou. Além das indicações, cresce a atuação de agências especializadas no segmento. “A agência consegue garantir tanto uma boa indicação quanto a substituição da profissional, caso seja necessário”, conta Greco.

Bia Greco diz que não há uma formação única obrigatória, mas a qualificação constante é determinante para alcançar essas vagas. “Depende do que o cliente de alto luxo precisa, então cada caso tem uma exigência. Hoje, fazer um curso de neurociência é um grande diferencial”, diz a empresária da Via Greco. 

Mas o que não pode é derrapar na gramática. "O erro de português hoje é inadmissível para uma gestora infantil. Ela cuida de criança, faz parte da educação dessa criança, e a criança faz um ‘copy-paste’ do comportamento e das palavras dela”, destaca, completando que a postura profissional é avaliada de forma rigorosa, incluindo a comunicação e apresentação pessoal.

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Segundo Greco, cursos e graduações como enfermagem, pedagogia, nutrição, psicologia e educação física são valorizados, além de especializações como neurociência infantil e culinária saudável.

"Por exemplo, se a criança tiver dor, ela faz o papel de médico, ou o papel de educador físico para ir jogar bola na quadra com a criança”, compara.

A empresa oferece o curso “Como se Tornar uma Babá de Sucesso”, que a fundadora, formada em Psicologia pela PUC-SP, diz ter adaptado da grade do Nordland College, no Reino Unido.

Além disso, ela indica aprimorar o inglês em aulas via aplicativos, conteúdos ligados a aleitamento materno e cuidados com recém-nascidos e primeiros socorros na prática.

Alta remuneração vem com desafios

A remuneração reflete o nível de exigência da função. A consultora aponta que no Brasil os salários variam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por mês e podem incluir benefícios como moradia, viagens e bônus. No exterior, os valores costumam ser maiores.

“O que eu tenho visto normalmente na Europa, principalmente na Suíça e nos Emirados Árabes, onde eu estive em Abu Dhabi, é que essas profissionais chegam a ganhar o equivalente a R$ 50 mil", afirma.

Em 2025, a remuneração média das babás no Brasil foi de R$ 2.098,67, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento aponta ainda a existência de 124.753 vínculos formais na função. No entanto, grande parte do trabalho ainda é informal.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) mostram que as contratações formais de babás com carteira assinada cresceram 73% entre agosto de 2024 e julho de 2025, indicando um avanço significativo na formalização desse setor no Brasil.

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Apesar dos altos salários das babás de luxo, a rotina exige dedicação intensa e pode impactar a vida pessoal.

Elas têm a vida delas vendida para essa família, então precisam estabelecer um tempo de trabalho. Por quanto tempo eu quero me sujeitar a isso?”, questiona.

Ela afirma que a carreira exige foco em substituir o tempo nas redes sociais por estudo constante, como praticar inglês, ler sobre gestão das emoções e consumir conteúdos da área, destacando que disciplina e constância são essenciais para crescer na profissão de babá de luxo.

Mulheres 50+ têm vez nesse mercado?

O mercado também abre espaço para profissionais com mais de 50 anos, especialmente no cuidado com recém-nascidos, área em que a experiência é valorizada. Segundo Bia Greco, a idade não é um critério limitante.

Eu sempre digo que não restrinjo o profissional pela idade. No nosso banco de profissionais, há pessoas de 68, 70 anos, enfermeiras com 35 ou 40 anos de experiência no cuidado com recém-nascidos, que são impecáveis.

A preferência por perfis mais experientes aparece principalmente nesse público específico. “Há famílias de alta sociedade que preferem profissionais mais velhas, principalmente quando falamos de recém-nascidos, porque isso transmite mais segurança. É como uma avó cuidando do neto”.

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A chave do sucesso na área depende de atualização constante e preparo físico.

Todos têm espaço na área de gestão infantil, mas, para se manter nele, é preciso nunca parar de estudar, manter a mente ativa e cuidar do preparo físico para acompanhar o ritmo da criança.

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