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Dados do MEC mostram baixo desempenho na formação de professores

Rovena Rosa/Agência Brasil

Enade das Licenciaturas mostra que 43,2% dos 4.547 cursos de ensino superior analisados tiveram conceitos 1 e 2, considerados baixos - Rovena Rosa/Agência Brasil
Enade das Licenciaturas mostra que 43,2% dos 4.547 cursos de ensino superior analisados tiveram conceitos 1 e 2, considerados baixos
Por Bianca Bibiano

21/05/2026 | 12h14

São Paulo - O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), divulgou dois resultados de provas que mostram o desempenho atual da formação inicial docente e da proficiência dos professores a nível nacional.

O primeiro deles é o resultado da Prova Nacional Docente, que funciona como um exame federal para ajudar na seleção de profissionais de educação nas redes de ensino municiais e estaduais.

Segundo o MEC, o exame não tem caráter de certificação ou de avaliação de professores em exercício, mas sim de concluintes dos cursos de licenciatura e profissionais interessados no ingresso na carreira docente

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A partir do resultado dos cerca de 761 mil participantes que fizeram a prova, o Inep calculou que 65% alcançaram o padrão proficiente. Isso significa que 35% dos participantes da prova ainda não estão aptos a lecionar. Em 2025, foram avaliadas 17 áreas de licenciatura, com ampliação para 21 áreas a partir de 2026, e teve abrangência em 1.530 redes de ensino em 22 Estados.

Dentre as áreas, ciências humanas obteve o melhor resultado, com 80,2% dos participantes atingindo a proficiência esperada. Pedagogia tem 62,8% dos participantes avaliados como proficientes e matemática, 45,9%. O Inep considera proficiente o participante que atingiu ao menos 50 pontos na prova.

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Enade das Licenciaturas

Já o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) das Licenciaturas avalia anualmente a qualidade da formação inicial de professores no ensino superior, considerando componentes de formação geral docente e conhecimentos específicos das áreas.

Segundo o MEC, ele foi criado para ajudar no direcionamento das políticas de melhoria e regulação da formação docente, e mensura a proficiência dos estudantes no último ano da faculdade

Dentre os concluintes das licenciaturas, 40% são de cursos presenciais e 60% Educação a Distância (EAD). Do total, 73,9% dos concluintes de licenciaturas presenciais foram avaliados como proficientes, mas apenas 46,9% daqueles que fazer a modalidade EAD atingiram o mesmo nível.

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No que diz respeito a qualidade dos cursos, 43,2% dos 4.547 cursos de licenciatura analisados tiveram conceitos 1 e 2, considerados baixos em uma escala que vai de 1 a 5.

O resultado também é mais baixo em cursos de instituições privadas, em comparação com cursos de instituições estaduais, federais ou comunitárias.

Quando analisados apenas cursos de EAD, dos 1.127 no total, 682 tiveram notas baixas. Já dos 3.420 cursos presenciais, 1.048 ficaram nessa escala. Embora este último número seja mais alto, ele é proporcionalmente menor em comparação da modalidade a distância.

Medidas regulatórias

Segundo o MEC, o resultado mais preocupante diz respeito aos cursos de EAD, mas destaca que esse modelo foi colocado "em extinção" desde o ano passado, com as medidas que proibiram a criação de novos cursos dessa modalidade, permitindo apenas os formatos presencial ou semipresencial.

Além disso, todos os cursos presenciais fora orientados a ajustar às novas regras até maio de 2027, inclusive reduzir obrigatoriamente a carga horária de EAD de 40% para 30%. 

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O MEC informa ainda que vai pedir a suspensão de bônus regulatório que dá a renovação automática de reconhecimento para cursos com conceito Enade 1 e 2 e prevê lançar um sistema de monitoramento e ampliar a avaliação in loco de todos os cursos após o período de transição.

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