Mercado de trabalho: jovens negras permanecem como grupo mais vulnerável
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SÃO PAULO – As jovens mulheres negras continuam ocupando a posição mais vulnerável no mercado de trabalho brasileiro, enfrentando taxas mais elevadas de desemprego, informalidade, desalento e desigualdade salarial. A conclusão é do relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua 2025), do IBGE.
O estudo, divulgado agora em junho, mostra que, embora o País tenha registrado melhorias gerais nos indicadores de emprego e renda nos últimos anos, os avanços não ocorreram de forma homogênea. As jovens negras permanecem mais expostas à precarização do trabalho e às barreiras de acesso e permanência no mercado.
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Segundo o relatório, a combinação entre raça, gênero, idade e condição socioeconômica produz obstáculos específicos para esse grupo, evidenciando que as desigualdades não podem ser explicadas por apenas um fator isolado. A análise adota uma perspectiva interseccional, demonstrando que racismo estrutural, sexismo e desigualdades sociais atuam de forma combinada na trajetória profissional das jovens negras.
Os dados revelam que a taxa de desocupação entre jovens negras de 14 a 17 anos alcança 24,7%, índice 1,4 vez superior ao registrado entre homens brancos da mesma faixa etária. Entre 18 e 24 anos, período considerado crítico na transição entre escola e trabalho, a taxa de desemprego chega a 16,5%, enquanto entre as mulheres negras de 25 a 29 anos o índice permanece em 10,3%, quase o dobro da taxa observada entre mulheres brancas e 2,8 vezes superior à dos homens brancos.
Informalidade, renda e desalento
Além do desemprego, a informalidade atinge mais de 40% dessas jovens, limitando o acesso a direitos trabalhistas e proteção social. O relatório aponta ainda que a subutilização da força de trabalho — quando as oportunidades disponíveis não correspondem à qualificação ou disponibilidade do trabalhador — é duas vezes maior entre jovens negras do que entre homens brancos.
A desigualdade também aparece na remuneração. De acordo com o estudo, o rendimento médio das mulheres negras jovens corresponde a menos da metade do recebido pelos homens brancos, representando uma diferença salarial próxima de 48%.
Outro indicador destacado é o desalento. O fenômeno, caracterizado pela desistência da busca por emprego diante da percepção de falta de oportunidades, é quatro vezes mais frequente entre jovens negras do que entre jovens brancos.
A pesquisa identifica ainda a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados como um dos principais fatores que limitam as oportunidades profissionais desse grupo. Em média, as jovens negras dedicam 19 horas semanais a tarefas domésticas e ao cuidado de crianças, idosos ou pessoas doentes, praticamente o dobro do tempo gasto por homens brancos.
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