Mulheres 50+ dedicam mais horas ao trabalho não remunerado, aponta pesquisa
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São Paulo - Um estudo sobre o trabalho não remunerado na juventude divulgado ontem pela Secretaria Nacional de Cuidados e Família do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (SNCF/MDS) chamou a atenção para um dado sobre o acúmulo desse tipo de atividade ao longo da vida das mulheres.
Segundo a pesquisa, em todas as faixas etárias, as mulheres dedicam mais horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado. Um volume que vai aumentando ao longo da vida, chegando ao ápice de comprometer em média 23,3 horas semanais entre mulheres de 50 a 59 anos.
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Entre adolescentes de 15 a 17 anos, meninas já dedicam, em média, 12,7 horas por semana a essas atividades, enquanto os meninos gastam 8,9 horas. Na faixa de 18 a 24 anos, a diferença passa de 17,7 horas semanais entre as mulheres e 10,1 horas entre os homens.
Entre 25 e 29 anos, elas passam a dedicar 21,2 horas por semana ao trabalho não remunerado, praticamente o dobro das 11,1 horas registradas entre os homens da mesma idade.
Embora a pesquisa tenha como foco a juventude, os dados por faixa etária revelam que a sobrecarga feminina não é um fenômeno restrito aos primeiros anos da vida adulta, mostrando um acúmulo que permanece com os anos.
O relatório intitulado "Superposição de atividades na juventude: estudar, trabalhar e cuidar" destaca que essa distribuição desigual do trabalho de cuidados ajuda a explicar dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conciliar estudo, trabalho remunerado e desenvolvimento profissional.
Ainda na juventude, elas acumulam com maior frequência múltiplas jornadas, combinando estudos, emprego e responsabilidades domésticas, realidade que desafia a classificação tradicional dos jovens que "nem estudam nem trabalham".
Para os autores, incorporar o trabalho doméstico e de cuidados às análises permite compreender melhor as desigualdades de gênero e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à redistribuição das responsabilidades de cuidado entre famílias, Estado, mercado e comunidade.
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