Mulheres 60+ aparecem menos em filmes do que animais falantes, aponta estudo
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São Paulo - Mulheres com mais de 60 anos aparecem menos como protagonistas de filmes do que animais falantes, segundo um novo estudo divulgado pela campanha Age Without Limits, da organização britânica Centre for Ageing Better.
A análise avaliou os 100 filmes de maior bilheteria entre os anos de 2023 e 2025 e identificou apenas cinco produções lideradas por atrizes dessa faixa etária.
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Durante o período analisado, seis filmes tiveram protagonistas chamados Chris e o número de produções estreladas por animais falantes foi quatro vezes maior do que o de filmes protagonizados por mulheres 60+.
O levantamento reacendeu o debate sobre etarismo e desigualdade de gênero na indústria cinematográfica.
A campanha da organização cobra maior representatividade de mulheres mais velhas nas telas e recebeu apoio da atriz Emma Thompson, de 67 anos, vencedora do Oscar, BAFTA e Globo de Ouro.
De acordo com a atriz, mulheres envelhecem, representam metade da população e ainda assim seguem fora do centro das narrativas no cinema.
"Quanto mais velhas ficamos, mais interessantes nos tornamos. Quero ver mais filmes centrados em mulheres na terceira idade; somos cativantes, nos identificamos com elas e já passou da hora de ocuparmos o centro das atenções", disse a atriz em trecho da pesquisa.
Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir na tela. Elas já existem no mundo, o cinema só precisa acompanhar.
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A pesquisa aponta que a baixa presença de atrizes mais velhas nos filmes não reflete o perfil do público, já que os dados divulgados mostram que uma em cada cinco pessoas que frequentam cinemas no Reino Unido tem 55 anos ou mais.
Mesmo assim, mulheres acima de 60 anos continuam raramente escaladas para papéis principais. A diretora executiva do Centre for Ageing Better, Dra. Carole Easton, classificou o cenário como “ridículo” e afirmou que a exclusão dessa faixa etária é desproporcional e ofensiva.
Infelizmente, isso não acontece apenas no cinema. Em muitas formas de mídia, em muitos setores de emprego diferentes e em diversas áreas da vida pública, a contribuição das mulheres mais velhas é minimizada, marginalizada e ignorada".
E completou: "Todos nós devemos lutar contra o preconceito de idade e sua interseção com o sexismo, dizendo aos guardiões da cultura que queremos que todos os aspectos e fases da vida sejam representados naquilo que assistimos, ouvimos e lemos".
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Público cobra protagonismo 60+
O estudo analisou a percepção do público britânico sobre o tema e cerca de 33% dos entrevistados disseram acreditar que existem poucos filmes estrelados por atrizes acima de 60 anos.
Entre as mulheres entrevistadas, esse índice sobe para 39%. Já apenas 3% afirmaram que há filmes demais com protagonistas femininas mais velhas.
Aproximadamente 16% das pessoas disseram que teriam mais interesse em assistir a um filme protagonizado por uma mulher 60+. O percentual dos que afirmaram o contrário foi de 9%.
Entre os exemplos de filmes que trazem o protagonismo para mulheres 60+, está a obra “A Substância”, que faz uma crítica ao etarismo e à misoginia em Hollywood.
A obra denuncia como a indústria do entretenimento descarta mulheres à medida que envelhecem, reduzindo seus corpos a objetos sexuais descartáveis e impondo uma “data de validade” e uma pressão estética inalcançável.
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Faixa etária 50+ é pouco representada
A nova análise complementa o estudo Cast Aside, divulgado em 2023 pela organização. A pesquisa anterior avaliou mais de 1.200 personagens em quase 50 filmes populares lançados entre 2010 e 2022.
Os pesquisadores descobriram que apenas um terço dos personagens com falas tinha 50 anos ou mais, apesar de essa faixa etária representar quase metade da população adulta do Reino Unido.
Além disso, o levantamento também concluiu que personagens femininas com mais de 65 anos tinham três vezes menos chances de aparecer em filmes britânicos do que homens da mesma idade.
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Estereótipos sobre envelhecimento feminino
A pesquisa também identificou que personagens femininas mais velhas costumam ser retratadas como passivas, frágeis ou irrelevantes para a trama principal.
Segundo o estudo, figuras femininas 60+ complexas, independentes e protagonistas continuam raras no cinema britânico. As melhorias observadas na última década foram consideradas pequenas e concentradas em papéis secundários.
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Para Harriet Bailiss, co-líder da campanha Age Without Limits, a falta de representatividade reforça a ideia de que pessoas 60+, especialmente mulheres, importam menos à medida que envelhecem.
Não é de se admirar que tantas mulheres falem sobre se sentirem invisíveis ao envelhecer, quando não se veem representadas na cultura popular ou na publicidade.
Ela afirma que o preconceito etário afeta áreas como trabalho, saúde, autoestima, relacionamentos e oportunidades, além de influenciar diretamente a forma como a sociedade enxerga o envelhecimento feminino.
"O preconceito etário afeta a todos nós, mas todos podemos fazer a nossa parte para erradicá-lo. Questioná-lo e combatê-lo começa com cada um de nós", concluiu.
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