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População 60+ representa 58% do total de analfabetos no País, mostra IBGE

Lucas Fermin/Seed-PR

Analfabetismo de pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais é quase três vezes superior à de brancos - Lucas Fermin/Seed-PR
Analfabetismo de pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais é quase três vezes superior à de brancos
Por Bianca Bibiano

19/06/2026 | 14h44

São Paulo - Em 2025, o Brasil chegou a um total de 8,4 milhões de pessoas analfabetas. Desses, mais da metade (58%) são pessoas com 60 anos ou mais. Ao todo, são 4,9 milhões de analfabetos nessa faixa etária, o que equivale a 13,8% do total de pessoas 60+.

Considerando todas as faixas de idade, a taxa de analfabetismo no País de 4,9%. É a primeira vez que esse número fica abaixo de 5% desde 2016, início da série histórica. Sem considerar a população idosa, essa taxa cairia para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.

Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

Diferenças entre grupos

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, os resultados mostrados pela Pnad Contínua apontam uma lacuna de atendimento nessa faixa de idade:

“A diferença entre esses grupos da população reforça a importância de políticas de manutenção de crianças e jovens na escola, bem como aquelas específicas para alfabetização de adultos e idosos. Também indica que as novas gerações tiveram maior acesso à escolarização e foram alfabetizadas ainda na infância. Portanto, o analfabetismo segue mais associado aos idosos", disse em nota divulgada pelo IBGE.

Ainda na população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres (13,7%) passou a ser menor que a dos homens (14,1%) pela primeira vez em 2025. A taxa de analfabetismo entre mulheres de 15 anos ou mais segue menor (4,6%) que a dos homens (5,2%).

De acordo com o analista da pesquisa, “esses resultados sugerem avanços na escolarização feminina em todas as gerações, apontando para uma reversão do legado de desigualdade educacional do passado”.

Ainda segundo IBGE, o analfabetismo de pretos ou pardos com 60 anos ou mais é quase três vezes superior à de brancos. Cerca de 2,8% dos brancos de 15 anos ou mais eram analfabetas, enquanto essa proporção foi de 6,5% para pretos ou pardos nesse mesmo grupo de idade.

A diferença se acentua entre os idosos. Na faixa de 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos (20,6%) era quase três vezes superior à de brancos (7,3%).

Em relação a 2024, houve queda de 1,2 pontos porcentuais na taxa de analfabetismo entre idosos pretos ou pardos, o que sugere avanço, mas evidencia um legado estrutural público de exclusão educacional", finaliza Kratochwill.

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