Reoperação em casos de câncer de mama tem riscos; conheça novo estudo
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
São Paulo - No tratamento de câncer de mama em estágio inicial, a cirurgia conservadora combinada com radioterapia é uma estratégia associada à segurança oncológica, com tempo reduzido para a recuperação. No entanto, algumas mulheres podem necessitar de uma nova cirurgia quando a retirada inicial do tumor não alcança margens consideradas adequadas. Mas e os riscos de operar novamente?
Para avaliar fatores de risco que levam à realização de nova cirurgia, um estudo feito com a participação de centros de tratamento de câncer no Brasil destaca a relevância do bom planejamento cirúrgico e do acesso a equipes especializadas.
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Entre as participantes submetidas à quadrantectomia, como é chamado esse tipo de tratamento, a pesquisa mostra que apenas 5,2% precisaram de uma nova cirurgia. É um porcentual bem menor do que a média de dados americanos e europeus, com taxas de reoperação após a cirurgia conservadora de mama variando entre 20% e 30%.
De acordo com os pesquisadores, a baixa taxa de necessidade de reoperação apresentada no estudo sugere bons resultados cirúrgicos na população estudada.
Conheça o estudo
O estudo “Taxas de reoperação após cirurgia conservadora de mama em uma coorte contemporânea” foi coordenado pela mastologista Anne Dominique Nascimento Lima, membro da Comissão Científica e do departamento de cirurgia da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e foi publicado pela BMC Surgery, conceituada revista internacional dedicada a pesquisa e práticas cirúrgicas.
A investigação envolveu pesquisadores de seis centros de tratamento no País, sendo cinco privados e um público e avaliou 698 pacientes em estágio inicial de câncer de mama submetidas à cirurgia conservadora, seguida de radioterapia adjuvante, entre janeiro de 2016 e dezembro de 2022.
As margens cirúrgicas positivas representam um desafio. Entender quais pacientes apresentam maior risco de reoperação pode ajudar a aprimorar o planejamento cirúrgico e reduzir a necessidade de novas intervenções", diz a mastologista.
Além disso, ela conta que havia escassez de dados sobre as taxas de reoperação após a cirurgia conservadora da mama no País, "o que torna esse levantamento especialmente relevante”, afirma.
Risco aumentado de reoperação
A reoperação após a cirurgia conservadora de mama representa uma série de implicações, incluindo o aumento dos custos de saúde e problemas à saúde emocional.
“Ao realizar uma nova intervenção, sabemos que existe o risco de complicações. Para a paciente, a reoperação é um sofrimento psicológico. E a possibilidade de um resultado estético não satisfatório resulta em pior qualidade de vida”, ressalta o mastologista e tesoureiro da SBM, André Mattar, também autor da pesquisa.
De acordo com o estudo, o carcinoma ductal in situ (CDIS) esteve associado a um risco aumentado de reoperação. O CDIS é considerado o estágio mais precoce do câncer de mama, com células malignas confinadas nos ductos mamários. “Por outro lado, a ausência de doença multifocal representou um risco reduzido para reoperação”, pontua Lima.
Os especialistas envolvidos na pesquisa reforçam a necessidade de mais investigações, ponderações clínicas rigorosas, planejamento cirúrgico eficiente e acesso ampliado das pacientes a equipes e centros especializados para a realização da cirurgia em casos de câncer de mama.
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