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Conheça as cidades com melhor condição de vida para as mulheres no Brasil

A taxa de envelhecimento feminina dos municípios foi considerada pelo Índice Municipal de Gênero (IMG) dentro de saúde, segundo pior pontuado

Bárbara Ferreira

Por Bárbara Ferreira

08/10/2026 | 13h39

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Pesquisa reúne dados de 5.571 municípios sobre as condições de vida das mulheres
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Nenhum município brasileiro oferece condições de vida adequadas para mulheres, conforme revela a primeira edição do Índice Municipal de Gênero (IMG), que aponta que mesmo as cidades com melhores pontuações estão longe do adequado.

A média nacional do índice é de 50,61 pontos, com variações entre 28,64 e 67,06, destacando que as cidades com pontuações mais baixas têm forte recorte racial e territorial, afetando especialmente mulheres negras e indígenas.

O estudo indica a necessidade urgente de priorizar investimentos em áreas como saúde e participação política, que foram as mais negligenciadas, e sugere que as políticas públicas devem ser direcionadas para melhorar as condições de vida das mulheres em todo o país.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Nenhum município brasileiro oferece condições de vida adequadas para mulheres, conclui a primeira edição do Índice Municipal de Gênero (IMG). Segundo Luciana Sonck, coordenadora executiva do índice, nem mesmo as cidades com pontuações mais altas chegaram perto do que foi considerado "adequeado".

A pesquisa reúne dados públicos de 5.571 municípios brasileiros sobre o panorama das condições de vida das mulheres, realizada pela consultoria Tewá 225. Você pode conferir a pontuação da sua cidade no mapa interativo.

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Como a qualidade de vida é um conceito relativo e impossível de medir, explica Sonck, o estudo considerou condições observáveis e objetivas do cotidianos das mulheres. Foram consideradas sete dimensões: saúde, educação, trabalho e renda, participação política, segurança, proteção social, infraestrutura e mobilidade.

Dentro desses sete temas, foram destacados 17 indicadores (confira a lista abaixo). Cada indicador foi pontuado em uma escala de 0 a 100, na qual resultados mais altos indicam condições mais favoráveis para a vida das mulheres. 

A média nacional é de 50,61 pontos, e os resultados variam de 28,64 a 67,06. Ou seja, mesmo as pontuações mais altas estão distantes do máximo.

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Cidades com maior e menor pontuação

O município que recebeu a melhor nota geral foi Águas de São Pedro, em São Paulo, com 67,06 pontos. A única cidade que recebeu mais de 50 pontos em todas as categorias ficou em segundo lugar no ranking geral, São Caetano do Sul, também em São Paulo. Já o município de menor nota foi Boa Esperança do Norte, no Mato Grosso, que fez 8,64 pontos. Confira:

5 cidades com as melhores notas:

  • Águas de São Pedro - SP - 67,06
  • São Caetano do Sul - SP - 66,67
  • Doutor Maurício Cardoso - RS - 66,57
  • Balneário Camboriú - SC - 66,55
  • São João da Boa Vista - SP - 66,47

5 cidades com as piores notas:

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  • Boa Esperança do Norte - MT - 8,64
  • Uiramutã - RR - 28,64
  • Sebastião Barros - PI - 28,75
  • Medicilândia - PA - 33,19
  • Novo Mundo - MT - 33,33

O estudo mostrou que os municípios com pontuações mais baixas têm forte recorte racial e territorial. Ou seja, mulheres negras e indígenas são mais impactadas. Nos 106 municípios com menos de 40 pontos, a população é 70,32% negra e 11,05% indígena. Quase dois terços dessas cidades estão na região Norte.

Mulheres idosas

A taxa de envelhecimento feminina dos municípios foi considerada dentro de saúde. "A gente entende que um município que oferece condições de vida adequadas, também tem uma taxa maior de envelhecimento positivo. A gente não fala de qualidade, fala de condições ofertadas pelo município", diz Sonck.

Ao mesmo tempo que o Brasil envelhece rapidamente, saúde é considerado o segundo tópico pior pontuado. Sonck afirma que este é uma questão negligenciada pelos municípios, no ponto de vista de gênero, o que pode piorar com outras interseccionalidades, como raça, escolaridade e renda.

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Todas essas questões precisam entrar na agenda da discussão da prioridade dos investimentos. Isso se conecta com o ponto principal: a gente não está lá. A participação política é a pior colocada. Então, como é que a gente vai fazer essa mudança?.
Luciana Sonck, coordenadora executiva do IMG

Participação política e saúde são as áreas mais negligenciadas

Das sete dimensões mencionadas, a participação política foi a pior pontuada: 29,59 de média nacional. O IMG contempla o percentual de mulheres eleitas na Câmara de Vereadores e a existência do Conselho da Mulher nos municípios. O índice aponta que:

  • 726 municípios não elegeram nenhuma vereadora em 2024;
  • 526 municípios não possuem Conselho Municipal dos Direitos da Mulher nem vereadoras eleitas.

"É uma instância de controle social muito importante, para além dos políticos, mas para a sociedade civil conseguir participar", afirma Sonck. 

Em segundo lugar, está a saúde, com 30,42 pontos de média nacional. Segundo a pesquisa em 92,39% dos municípios, ou seja, em mais de nove de cada dez, pelo menos uma dessas duas dimensões, política ou saúde, apresenta o menor resultado dentre todas as categorias analisadas no município.

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Segurança das mulheres

Já a área melhor pontuada foi segurança, com 91,88 pontos. No entanto, segundo o índice, isso não significa que as mulheres estejam mais seguras, mas revela a falta de registros ou dificuldades para acolher e notificar os casos relacionados à violência contra a mulher.

Segurança reúne dados oficiais sobre feminicídio, violência doméstica e familiar e estupro. Entenda a lacuna de dados:

  • 1.480 municípios registram valor zero no indicador de feminicídio composto;
  • 591 municípios não possuem informação sobre estupro na base analisada;
  • 84 municípios não possuem informação sobre violência doméstica.

'Desenvolvimento está acontecendo, mas não para as mulheres'

Em 2024, o Brasil foi categorizado como um país com desenvolvimento humano “muito alto” pela primeira vez ao alcançar 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012. A informação é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil.

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Como há uma correlação estatísita entre o IDHM e o IMG, é possível compará-los, segundo Sonck. A média do IMG é 50, o equivalente a 0.5 na métrica do IDHA (cuja escala varia de 0 a 1), que marcou 0.8. "No recorte de gênero, não se vê intencionalidade no direcionamento dessas políticas de investimentos". 

"Entende-se que o desenvolvimento está acontecendo, porém, quando se olha para a fatia específica que são as políticas de interesse das mulheres, ali não está o foco dos investimentos. O desenvolvimento está acontecendo, mas não necessariamente para as mulheres".

Índice Municipal de Gênero (IMG)

O Índice Municipal de Gênero (IMG) utilizou dados públicos nacionais, incluindo: Censo Demográfico 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), RAIS 2024 do Ministério do Trabalho e Emprego, registros eleitorais de 2024, sistemas de saúde de 2024 a 2025, registros de violência de 2021 a 2025 - como SINAN e SINESP -, e dados do Programa Bolsa Família.

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O IMG considerou 17 indicadores entre as sete dimensões selecionadas, a seguir:

Saúde: gestantes com pelo menos seis consultas de pré-natal; meninas de 9 a 14 anos vacinadas contra o HPV; cobertura do exame Papanicolau; nascidos vivos de mães de 10 a 19 anos (de 2020 a 2024); índice de envelhecimento feminino;

Educação: população feminina com educação básica completa;

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Trabalho e renda: mulheres ocupadas em trabalho formal ou informal; crianças de 0 a 3 anos com acesso à creche; razão salarial entre mulheres e homens;

Participação política: existência de Conselho Municipal dos Direitos da Mulher; mulheres
eleitas para o legislativo municipal nas eleições de 2024;

Segurança: registros de feminicídio e tentativa, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte com vítimas femininas; taxa de estupro de vítimas femininas; taxa de violência doméstica (todos os percentuais de 2021 a 2025);

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Infraestrutura e mobilidade: mulheres com deslocamento casa-trabalho superior a uma hora;

Proteção social: mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família em relação à população feminina do município; domicílios chefiados por mulheres.

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