Mary Del Priore
Colunista VIVA
01/06/2026 | 08h53
Sobre a
coluna
Sobre a coluna
Historiadora e doutora pela FFLCH/USP, pós-doutora pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, é autora de mais de 50 livros de História do Brasil, premiada no Brasil e exterior.
Coragem: o que nos move diante do mundo?
Envato
Teresópolis (RJ) - Guerras distantes - na Ucrânia, em Gaza, no Sudão ou no golfo de Hormuz - e batalhas do dia a dia nos fazem pensar: conseguimos ser corajosos todos os dias? O que aprendemos quando estamos no meio do tiroteio entre a imprevisibilidade dos acontecimentos e as rotinas do cotidiano? Talvez valha a pena ouvir aqueles que vieram antes de nós.
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Sêneca, filósofo romano, dizia que a chave para não sofrer está em aceitar a vida como ela é — com suas regras, surpresas e desafios. Para ele, coragem é manter-se sereno mesmo quando tudo parece sair do controle. É uma forma de disciplina, algo que se aprende e que se cultiva. Cada dificuldade, então, vira uma chance de treino.
Aristóteles, filósofo grego romano, acrescenta que não basta parecer corajoso: é preciso agir por um motivo nobre, por algo que beneficie não só a si mesmo, mas também os outros.
Já Platão, também pensador grego, lembrava que não se escolhe simplesmente “ser corajoso”. Algumas pessoas têm mais coragem do que outras, e isso faz parte da condição humana. Para ele, a coragem andava lado a lado com outras três virtudes: sabedoria, moderação e justiça.
Ser corajoso, portanto, era saber, com clareza, o que merece ou não o nosso medo."
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Hoje, a coragem talvez não seja mais vista como uma virtude absoluta. Mas, ela é necessária. Ela se revela na nossa capacidade de responder quando ninguém mais responde. De assumir responsabilidade mesmo quando os outros se omitem.
Coragem, afinal, não é uma ideia abstrata — é vivida na prática. É o que nos faz atravessar os limites do medo, nos doar, agir com generosidade.
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Era de excessos
Vivemos em uma época marcada pelo excesso — de consumo, de informação, de imagens. Isso pode nos levar ao cansaço, ao desencanto, à preguiça de sonhar. Ter objetivos coletivos ajuda a encontrar um lugar no mundo.
Mas é justamente aí que a coragem faz falta: não para enfrentar monstros invisíveis e impossíveis, mas para resistir ao comodismo, para agir com propósito.
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Ter causas, lutar por algo maior que nós mesmos — contra o racismo, contra a homofobia, contra o idadismo, pela valorização da escola, pelos professores, pela natureza, pelo clima e pela paz — tudo isso dá sentido à vida. Dá coragem de não se conformar e de não ficar parado.
E, hoje, buscar um mundo melhor para mais gente, talvez seja o maior ato de coragem.
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