Golpe do amor: o que é o estelionato sentimental e como se proteger
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São Paulo - A promessa de um encontro romântico terminou em um verdadeiro pesadelo para um fotógrafo de 42 anos na Grande São Paulo. Após marcar um encontro por um aplicativo de relacionamento, o homem foi sequestrado e levado para um cativeiro em uma área de mata em Osasco, onde foi ameaçado de morte, agredido com barras de ferro e queimado.
Sob intensa tortura, a vítima foi obrigada a realizar cerca de R$ 20 mil em transferências bancárias via Pix para a quadrilha. O homem só foi libertado após um funcionário de um hospital próximo notar a movimentação suspeita e acionar a Polícia Militar.
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O caso abre um alerta para as consequências do chamado 'golpe do amor', uma prática criminosa que, embora muitas vezes não envolva violência física imediata, destrói o patrimônio e o psicológico de milhares de vítimas no Brasil.
O que é o estelionato sentimental?
No âmbito jurídico, o 'golpe do amor' é caracterizado como estelionato sentimental. Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a prática se configura quando há a simulação de afeto para explorar a vulnerabilidade emocional da vítima e induzi-la ao erro.
Um entendimento central do STJ estabelece que, mesmo se as transferências bancárias ocorrerem de forma voluntária, sem coação física, o crime permanece caracterizado.
A fraude reside exatamente na ilusão criada pelo criminoso. Nessas situações, a jurisprudência garante à vítima o direito de buscar indenizações por danos materiais e morais.
Pessoas idosas são vítimas frequentes
Embora qualquer pessoa possa ser alvo, os estelionatários focam, com frequência, em pessoas com mais de 60 anos. No entendimento do STJ, fatores como o distanciamento familiar e solidão tornam a população idosa vulnerável a essas abordagens.
Os criminosos costumam manter o contato diário durante meses para conquistar a confiança antes de solicitarem dinheiro. Em maio, por exemplo, a Polícia Civil do Pará prendeu um grupo suspeito de aplicar o golpe em uma idosa de 71 anos, de Belém. A vítima perdeu cerca de R$ 300 mil por acreditar que mantinha um relacionamento virtual com um ator internacional.
A quadrilha, alvo de mandados de prisão em São Paulo, mantinha conversas diárias e videochamadas manipuladas por mais de um ano, exigindo dinheiro para custear falsas despesas de viagem, taxas alfandegárias e liberação de valores.
O que diz a lei?
Para frear o avanço desse crime, o legislativo brasileiro tem se movimentado. O Projeto de Lei (PL) 69/2025 busca tipificar o estelionato sentimental como um crime de alto potencial ofensivo.
A proposta quer separar essa conduta do estelionato comum, aumentando a pena devido à gravidade do ato. Se aprovado, o texto trará alterações ao Código Penal, à Lei Maria da Penha e ao Estatuto da Pessoa Idosa.
Atualmente, a proposição aguarda a designação de um relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), após já ter recebido pareceres favoráveis em outras comissões, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Cidoso) e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher).
Como se proteger do golpe do amor?
Para se proteger e evitar prejuízos financeiros e físicos, especialistas e autoridades de segurança recomendam cautela ao utilizar aplicativos de namoro e redes sociais, como:
- Não falar sobre dinheiro: nunca realize transferências bancárias, como Pix, pague boletos ou faça investimentos sob a indicação de pessoas conhecidas exclusivamente no ambiente virtual;
- Atenção a narrativas dramáticas: desconfie de pedidos de ajuda urgente para custear despesas médicas, dívidas ou liberação de compras ou presentes retidos na Receita Federal;
- Cautela com números internacionais: contatos via WhatsApp utilizando códigos de outros países exigem alerta máximo, pois essa prática dificulta o rastreamento policial;
- Confirmação de identidade: solicite chamadas de vídeo para verificar se o interlocutor corresponde às fotografias apresentadas no perfil. Golpistas frequentemente evitam a exposição ao vivo;
- Verificação de imagens: utilize ferramentas de busca na internet, como o Google Lens, para checar a procedência das fotografias. É comum o uso de imagens furtadas de terceiros. Dê preferência a perfis que possuam o selo de verificação de identidade no aplicativo;
- Denuncie: caso identifique comportamentos suspeitos, denuncie e bloqueie o perfil diretamente na plataforma e evite entrar em discussões. Se você já transferiu dinheiro, procure a Polícia Civil imediatamente, por meio de delegacias comuns ou especializadas em crimes virtuais ou em atendimento de pessoas idosas.
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