Paulistano atribui falta de tempo a deslocamentos na cidade, diz pesquisa
Estudo analisa relação dos paulistanos com o tempo gasto nos deslocamentos pela cidade: 78% da população aponta este fator como o que mais pesa no cotidiano
Por Estadão Conteúdo
05/09/2025 | 11h08Paulo Pinto/Fotos Públicas
Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo feito pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber, na cidade de São Paulo. A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas, entre elas, 400 moradores de favelas, entre maio e junho. A margem de erro para a amostra da população geral é de 3 pontos porcentuais.
A pesquisa, intitulada "Valorização do tempo em São Paulo: angústias e demandas da população", mostra que o tempo livre é tão relevante quanto a renda mensal: 60% dos entrevistados concordam com a frase "Eu preferiria ter uma hora livre a mais por dia a uma renda 10% maior".
As dificuldades com o transporte têm um impacto significativo na gestão de tempo. Sete em cada dez paulistanos sentem que o tempo gasto no trânsito atrapalha outras atividades importantes.
Embora seja uma realidade para a grande maioria dos paulistanos, a falta de tempo afeta com mais intensidade mulheres, negros e pobres.
Veja outros resultados da pesquisa:
- 85% já chegaram atrasados ou perderam compromissos por conta de problemas de deslocamento.
Falta de tempo impacta mais os vulneráveis
Para os moradores de favelas, os desafios com a mobilidade parecem ser ainda mais intensos:
- 90% deles consideram o tempo de espera nos pontos de ônibus muito longo, contra 85% da população em geral;
- as linhas de metrô e trem não têm o trajeto ideal para 68% dos que residem em favela ante 58% da população geral.
"O que o estudo nos mostra é que os desafios de mobilidade enfrentados pelos moradores de favelas vão muito além das dificuldades com o transporte público. Eles se deparam com a infraestrutura local, falta de acesso às grandes redes de transporte e continua em trajetos que muitas vezes não funcionam para eles", analisa Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Polêmica sobre transporte por motos
A enquete foi feita antes de o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ter declarado inconstitucional o decreto que proíbe o transporte de passageiros por moto em São Paulo. O Órgão Especial da corte entendeu que não cabe ao município proibir o modal. Isso só poderia ser feito por lei federal.
A decisão, porém, só surtirá efeitos 90 dias após a publicação do acórdão, período no qual a prefeitura deve regulamentar o serviço.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que vai recorrer da decisão e que a cidade de São Paulo possui competência legal para determinar a não autorização do modal.
A Prefeitura veta a atividade sob o argumento de que o modal pode aumentar o número de acidentes e de vítimas em um trânsito já sobrecarregado.
Há mais de dois anos, o Poder Municipal trava uma disputa contra o avanço de aplicativos como Uber e 99, que tentam oferecer o serviço de transporte de passageiros por motocicleta na cidade. Nesse período, a Justiça já autorizou e proibiu a modalidade em diferentes decisões.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa o setor, comemorou a decisão do TJ-SP e tratou o acórdão como "um avanço para garantir os direitos da população da cidade e das empresas do setor".
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