Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

População negra sofre com racismo ambiental no Brasil; mulheres são mais atingidas

Adobe Stock

Mais de 1,2 milhão de famílias vivem em casas sem banheiro no Brasil e maioria é negra - Adobe Stock
Mais de 1,2 milhão de famílias vivem em casas sem banheiro no Brasil e maioria é negra
Por Bárbara Ferreira

21/03/2026 | 10h29

São Paulo - A população negra é desproporcionalmente mais exposta aos riscos urbanos e isso se percebe na desigualdade no acesso à moradia digna. Mais de 1,2 milhão de famílias vivem em casas sem banheiro, e desse total, 83,5% são chefiadas por pessoas negras. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2025.

Leia também: População negra enfrenta barreiras para envelhecer com dignidade no Brasil

Ao todo, 16,3 milhões de famílias brasileiras vivem em moradias com algum tipo de inadequação, como falta de banheiro (3%), de acesso a água canalizada (17%), esgotamento sanitário (22%) e energia elétrica (7%).  Essas condições afetam 40,9 milhões de pessoas e o número representa quase 40% das famílias inscritas no Cadastro Único. A ausência de esgotamento sanitário é a situação mais comum, afetando mais de 9 milhões de famílias.

Este sábado, 21 de março, é lembrado como o Dia Internacional contra a Discriminação Racial e esses dados revelam como a desigualdade racial marca também as desigualdades estruturais no País. Essa falta de recursos mostra o que especialistas chamam de racismo ambiental, quando desigualdades raciais determinam quem está mais exposto aos riscos ambientais e urbanos.

Mulheres são as mais afetadas pelo racismo ambiental

Segundo a Criola, organização de mulheres negras, falta uma agenda de justiça climática com base em propostas construídas por mulheres negras,  as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos.

De acordo com dados da organização Habitat para a Humanidade Brasil, nas 129 cidades brasileiras analisadas como áreas consideradas de risco como encostas e regiões sujeitas a enchentes ou deslizamentos, 66% da população é negra. Aqui também se percebeu ausência de infraestrutura, como esgoto ou coleta adequada de lixo.

Leia também: Envelhecimento é branco, mesmo com maioria negra no País, aponta sociólogo

Para Rárea Porto, assistente de coordenação de incidência política em justiça climática de Criola, falar de justiça climática e habitação é falar de direito à cidade e moradia digna.

O racismo ambiental, sustentado por uma lógica racista, patriarcal e cisheteronormativa, segue empurrando nossas comunidades para áreas precarizadas e de risco, marcadas pela negligência histórica do poder público, pela fragilidade na implementação das políticas públicas e pela ausência de prioridade orçamentária para quem mais precisa."

Ela reforça que, quando falamos de adaptação climática e de transição justa, estamos falando também de planejamento urbano, saneamento, mobilidade, infraestrutura e participação efetiva nos espaços de decisão. 

Para a organização, o enfrentamento ao racismo ambiental passa necessariamente pelo reconhecimento do papel das mulheres negras como protagonistas na defesa de seus territórios e na construção de alternativas sustentáveis. 

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias