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2º dia da Mostra Diversidade 60+ exalta a resistência e memória na velhice

VIVA/Adriana Del Ré

Iara Prado, ex-prisioneira política na ditadura militar, está no documentário "Torre das Donzelas" - VIVA/Adriana Del Ré
Iara Prado, ex-prisioneira política na ditadura militar, está no documentário "Torre das Donzelas"
Por Adriana Del Ré

25/07/2026 | 17h17 ● Atualizado | 17h18

São Paulo - O segundo dia da Mostra Diversidade 60+, realizado nesta sexta (24), no Cine Satyros Bijou – Sala Patrícia Pillar, em São Paulo, foi dedicado a figuras que representam não só longevidade, mas também resistência: as ex-prisioneiras políticas da ditadura no Brasil, retratadas no documentário “Torre das Donzelas”, e o cantor Ney Matogrosso, tema de outro documentário, “Ney à Flor da Pele”.

Susanna Lira usa óculos vermelhos e está de pé, na frente do banner do portal Viva
Susanna Lira, diretora de "Torre das Donzelas" - VIVA/Adriana Del Ré

Parte integrante da Mostra da Diversidade do Cinema Brasileiro, o evento – que tem parceria de mídia com o portal VIVA – acontece ainda neste domingo (26), com entrada gratuita (veja programação completa aqui).

A noite começou com a projeção de "Torre das Donzelas’, da diretora Susanna Lira, lançado em 2018, seguido de debate com a cineasta, de 51 anos, e algumas mulheres que participaram do filme, hoje com mais de 70 anos.

No documentário, Susanna consolida uma memória coletiva a partir de depoimentos de ex-prisioneiras políticas na década de 1970, que conviveram na Torre das Donzelas, como era chamada a penitenciária feminina da Avenida Tiradentes, em São Paulo. Nessa reunião 40 anos depois, elas, juntas, reconstituíram as lembranças do cárcere – e revelaram como a amizade e a união ajudaram elas a enfrentar o medo daquele momento.

Somos uma sociedade que tem muita dificuldade de valorizar os mais velhos, que celebra o novo, a juventude, mas o nosso tesouro está, de fato, na memória dessas mulheres, dessa geração que tem muito a nos ensinar”, diz Susanna, em entrevista ao VIVA.

São histórias de resistência e resiliência vivenciadas na juventude e que reverberam hoje na maturidade dessas mulheres. Para a diretora, elas experimentam na velhice a sensação de dever cumprido e seguem ainda em ação.

“Não é viver só de memória. A vida continua, elas estão construindo projetos. Não desistiram do Brasil e não desistiram da vida delas”, observa.

Prestes a fazer 80 anos, Iara Prado, uma dessas ex-prisioneiras políticas, construiu a carreira na área de educação, incluindo nessa trajetória o cargo de secretária da Educação Fundamental do MEC.

A geração que nasceu em 1945, 46 e 47 não desiste de conquistar melhor qualidade de vida, ela acredita nisso", afirma Iara.

Entre as ações dessa geração, está a recente criação da Casa Feminista, em São Paulo, espaço aberto para se falar sobre democracia. 

Disponível no Prime Video e no Globoplay, o documentário conta, ainda, com depoimento da ex-presidente Dilma Rousseff, que também esteve presa na Torre das Donzelas.

Homenagem a Ney

Julio Maria, Felipe Nepomuceno e Amilton Pinheiro estão sentados conversando entre eles
O biógrafo Julio Maria, o diretor Felipe Nepomuceno e o mediador Amilton Pinheiro falam sobre Ney Matogrosso - VIVA/Adriana Del Ré

O documentário “Ney À Flor da Pele”, de Felipe Nepomuceno, lançado em 2020, encerrou a programação do segundo dia da Mostra Diversidade 60+, com a presença do diretor e do jornalista Julio Maria, autor de “Ney Matogrosso, A Biografia”.

Entre as diversas produções audiovisuais e literárias que têm Ney Matogrosso como tema central, “Ney À Flor da Pele”, que também pode ser encontrado em plataformas digitais (Amazon Prime e site do Canal Curta!), mostra a longevidade do cantor no palco de forma poética, com imagens de arquivo, antigas entrevistas e canções executadas na íntegra.

Essa solução de roteiro foge do tradicional formato de documentário musical, que costuma trazer depoimentos de outras pessoas e só utiliza alguns trechos de músicas, para ilustrar uma história ou um momento da carreira do biografado. Em "Ney À Flor da Pele", o foco é só na imagem e na voz de Ney.

Em conversa com Julio Maria, mediada pelo curador da mostra, Amilton Pinheiro, Nepomuceno contou que ficou próximo a Ney Matogrosso após dirigir alguns DVDs do cantor e queria simplesmente fazer uma homenagem ao artista, que está em plena atividade aos 84 anos.

Eu fiz esse filme para o Ney gostar." 

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